O Mágico de Oz (The Wizard Of Oz)

Bogart é TANGA! quinta-feira, 07 de março de 2013

 A primeira vez que assisti O Mágico de Oz, lá com meus 8 anos de idade e por insistência da minha mãe, eu não entendi nada. Ela, coitada, ficou com cara de bolinho e não tocou mais no assunto. Hoje, no entanto, eu consigo ver o que rolou, afinal, este é mais um daqueles filmes “infantis” não recomendado para crianças. Eu poderia citar pelo menos mais dois exemplos de filmes semelhantes, como A Viagem de Chihiro e O Labirinto do Fauno, onde em todos eles são usados alegorias dessa fase, mas dificilmente uma criança conseguirá captar a mensagem. Pra mim, isso acaba sendo um ponto bem positivo, mas é preciso ser justa: Por mais que O Mágico de Oz seja um clássicão dos bons, ele não é para todos. Isso não quer dizer que você tem que ter doutorado pra entender, nada disso. Mas você vai precisar certamente curtir musicais e ter uma capacidade de interpretação média a alta (O que, com todo respeito, falta em pelo menos metade dos leitores dessa bodega).

O filme começa com a pequena Dorothy e seu cachorro Totó vivendo uma treta com a vizinha, que detesta o cachorro. Tentando evitar que o cachorro caia nas garras da polícia (E da vizinha), a menina foge e no caminho encontra um mágico charlatão que a convence a voltar pra casa. Acontece que no caminho de volta, um imenso furacão cai sobre o Kansas e como a galera toda já tinha se refugiado num abrigo, Dorothy se tranca em casa sozinha, mas sofre um pequeno acidente. Quando percebe, a protagonista está sendo levada pelo furacão e aterrissa em terras muy estranhas. Dorothy agora está em Oz e acabou matando a Bruxa Malvada do Leste na aterrissagem, o que a faz conquistar uma grande inimiga (A Bruxa Malvada do Oeste, que também deseja seus sapatinhos de rubi) e alguns amigos pelo caminho.

Seguindo a trilha de tijolos amarelos para encontrar com o Mágico de Oz, o único capaz de mandá-la de volta pra casa, Dorothy conhece o Espantalho, uma criatura que lê o Bacon desprovida de cérebro; o Homem de Lata, que não possui coração; e finalmente, o Leão, animal que deseja obter coragem. Assim, cada qual com seu desejo, partem em busca do homem mais poderoso de Oz para que este possa realizar seus sonhos. Mas não sem passar por algumas adversidades pelo caminho, e ainda tendo de enfrentar a Bruxa Malvada do Oeste, que não desistiu dos sapatinhos de rubi. Obviamente, eles alcançam o Palácio de Esmeralda, casa do grande Oz, mas lá as coisas não saem completamente como o planejado. Algumas surpresas na história sacodem o clichê e ainda explicam como o mágico foi parar na terra encantada.

Eu gosto muito do filme, visualmente falando, já que a história começa em sépia e possui uma das músicas mais lindas de todo o cinema: Somewhere Over The Rainbow, que não à toa faturou o Oscar de Melhor Canção Original. Porém, quando Dorothy chega em Oz, as cores explodem graças ao Technicolor, dando uma vida e tom diferentes ao longa. Acho esse detalhe especial e divisor de águas entre o reino da fantasia e a descolorida vida real. Outro detalhe bacana é a maquiagem e caracterização dos personagens. Os efeitos especiais também são bons, se pensarmos que ele foi produzido em 1939. Destaque para a música cantada em diversos momentos, a empolgante We’re off to See the Wizard e o trabalho do ator Ray Bolger, interpretando o Espantalho com movimentos no mínimo sensacionais.

Não poderia deixar de comentar, no entanto, pequenos defeitos que diminuem a pontuação. Começo falando da escolha de Judy Garland como protagonista, o que pra mim não foi a melhor decisão. Acho a mãe da Liza Minelli velha demais para o papel, o que aos meus olhos, deixou a personagem infantil e ingênua além do que precisava. Acho também que o longa cansa em diversos momentos e as cantorias excessivas, vide a chatíssima passagem de Dorothy na terra dos munchkins. Por fim, observo que apesar de ter sido feito um trabalho bem razoável nos efeitos especiais, alguns painéis de madeira pintados cortam o clima de fantasia, e isso é o que menos se espera de um filme que te manda para uma terra chamada Oz.

Mas, não se assuste caro leitor, o filme vale a pena sim. Existem muitas questões discutidas nele se, como eu disse, você for mais espertinho e conseguir sacar. Dorothy começa o longa de uma maneira e termina de outra. Há todo um aprendizado durante a fabulosa viagem. Os coadjuvantes também dão belas lições ao final, demonstrando que possuímos qualidades dentro de nós, que nem sempre enxergamos. Procurar por algo que nunca perdemos é uma grande busca sem resultado. E certamente, não há lugar como o nosso lar. Nem nunca haverá. Pois o lugar onde nos sentimos acolhidos é aquele onde nos sentimos rodeados pelas pessoas que gostamos, independente de quem são (A protagonista, por exemplo, não possui pai, nem mãe, morando com os tios). E principalmente, somos responsáveis pelo nosso próprio caminho. O filme é adaptação dos livros de L. Frank Baum que contam a história da Terra de Oz e inspiraram este e o mais novo Oz: Mágico e Poderoso.

O Mágico de Oz

The Wizard Of Oz (101 minutos – Musical)
Lançamento: EUA, 1939
Direção: Victor Fleming
Roteiro: Noel Langley, Florence Ryerson e Edgar Allan Woolf.
Elenco: Judy Garland, Frank Morgan, Ray Bolger, Jack Haley e Bert Lahr.

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