Sete Psicopatas e um Shih Tzu (Seven Psychopaths)

Cinema quarta-feira, 23 de janeiro de 2013


Marty (Colin Farrell) é um escritor pouco experiente que não encontra inspiração para seu novo texto, chamado “Sete Psicopatas”. Seu melhor amigo é Billy (Sam Rockwell), um ator desempregado e ladrão de cachorros que está disposto a tudo para ajudá-lo. As ideias inusitadas de Billy colocam Marty na mira de um gângster temperamental, Charlie (Woody Harrelson), que não pensaria duas vezes antes de matar qualquer pessoa que pusesse as mãos em seu cachorro.

Segundo longa metragem de Martin McDonagh, que também dirigiu e escreveu o ótimo Na Mira do Chefe e o curta vencedor do Oscar Six Shooters, sendo que o Sete Psicopatas e um Shih Tzu é o primeiro filme do roteirista e diretor gravado em solo americano. Assim como seus predecessores, o filme se caracteriza por se distanciar da moralidade padrão e lança diálogos mordazes e situações inacreditáveis. Com essa pitadinha de crítica séria, vou falar o que eu achei do filme de verdade, sem ser nem um pouco objetivo e ainda criticando todas as críticas que li por ai sobre ele.

Vinha esperando o lançamento deste filme a algum tempo e o cerquei de expectativas. Mcdonagh me pareceu ser um dos diretores e roteiristas mais promissores que temos hoje em dia, por todo conteúdo apresentado no bom Na Mira do Chefe e no seu genial curta de 2006 e esperava uma evolução grandiosa pelo gap entre os dois filmes (In Bruges é de 2008). O filme em si não apresenta nenhuma inovação estilística, ou um roteiro muito bem elaborado ou direção digna de nota, porém o que eu posso dizer é que o filme é de longe o mais divertido dos três do diretor e de todos os filmes que vi lançados em 2012 (Beleza que eu só vi Moonrise Kingdom, e Argo).

Apesar da má vontade da crítica brasileira, que onde li, fez as mesmas considerações sobre o filme, eu considerei um dos melhores filmes de 2012, mas vou chegar nisto mais tarde. Primeiro vou falar sobre as críticas que o filme recebeu. Para quem não sabe, eu tenho umas ideias sobre a crítica, que podem ser encontradas em um texto meu por ai. Resumindo, eu coloco a crítica como algo subjetivo, variando de cada crítico (E vou repetir crítica e crítico ainda mais). Porém o que eu vi nas críticas de portais brasileiros adoradores de cinema, ou outros gêneros alimentícios menores, foi uma das coisas mais interessantes que tive o prazer de me deparar recentemente. Os resenhistas tiveram as mesmas impressões sobre o filme. O argumento dos caras é baseado em três fundamentos: Desgaste do uso de referências pop, excesso de histórias paralelas e a impossibilidade de criar-se empatia com os personagens devido ao ritmo alucinado do filme e o mal desenvolvimento das histórias paralelas. Bom, eu levanto três hipóteses: 1) Isto está bem óbvio no filme; 2) Os resenhistas do filme possuem um vínculo telepático; 3) Os caras chuparam suas críticas de outro lugar. Não irei me arriscar em escolher uma, mas eu li a chamada da crítica do NY Times, e enfim…

O que acontece é o seguinte: o filme não é genial, nem, de longe, repete formulas clássicas de uma puxada tarantinesca. Por outro lado ele é tão bem sucedido em divertir que pouco importa.

Marty (Collin Ferrel) não consegue escrever o roteiro para seu filme, Os Sete Psicopatas (Sacou a metalinguagem? Os críticos geniais também). Dai seu amigo Billy (Sam Rockwell) tenta ajudá-lo, porém o cara está envolvido com roubos de cachorros, junto com seu sócio Hans (Cristopher Walken), já que tem gente que é estúpida o suficiente para pagar recompensas enormes pelos animais. Charlie (Woody Harrelson), tem seu cachorro, um pequeno Shih-Tzu (Minha mãe tem um desses, cachorrinho bacana) chamado Bonny roubado e começa uma caçada alucinada para recuperar seu amado animal. O negócio é que Charlie é chefe de algum grupo mafioso e é ruim até os ossos.

A premissa do filme parece tão absurda quanto realmente é. Os personagens são exagerados e tem modismos muito interessantes. Não tem como não curtir a maldade descarada de Charlie e sua relação com seu cachorro e também com sua arma (Ele gosta do recuo). Billy é outro personagem cheio de excessos e que gera empatia automática, pois sua dedicação para com Marty só não é maior que sua insanidade. Hans também nos leva a sentir uma certa cumplicidade, seja pela situação de sua esposa, seja por sua história. Realmente o personagem do Ferrel não é dos mais carismáticos, porém ele é um escritor irlandês alcoólatra e todo mundo ama irlandeses, principalmente se eles forem alcoólatras (Dai os caras me falam que não dá para se criar vínculos com os personagens).

Os diálogos para mim são o ponto alto do filme. Como disse antes, eles têm uma pegada meio Tarantino, variando de discussões sobre temas desimportantes ao meio de uma sequência crucial à tiradas espertas. O timing da comédia é muito bom e realmente me fez rir, o que não acontece com muita frequência em um filme. Na Mira do Chefe, por exemplo, apesar de ser uma comédia (De humor negro, vá lá), não me tirou mais que um leve sorriso, mesmo tendo considerado o filme muito bom.

O ponto central colocado pelos críticos é a metalinguagem. Segundo eles, o filme é uma crítica sobre filmes violentos e os estereótipos desses filmes. O que acontece é o seguinte: Pode até ser mesmo, porém isso pouco importa, pois fica diluído em meio a uma variedade de situações “surreais”, que podem ter sido pensadas principalmente para evidenciar esta crítica, mas que no final das contas tornam a película maior que isto, a torna uma comédia sagaz e bem montada, das melhores que já vi, ouso falar. Tudo isso por conta do roteiro razoável e das ótimas atuações. Harrelson e Rockwell encarnam muito bem seus personagens, o primeiro sendo a personificação da maldade excêntrica. Comparo Charlie à Silva, de Barden, do 007. Já Billy é aquele coadjuvante que é o principal, porque o cara toma a cena e se torna central para a trama, muito mais que o protagonista e muito se deve à atuação hilária de Rockwell.

Se você desconsiderar a má vontade de certos críticos, que preferem parecer antenados na feitura do cinema, colocando-se como arautos do bem fazer, com suas frases rebuscadas com longos parágrafos e poucas vírgulas e conceitos filosóficos complexos e jargões cinematográficos, usados para dar um quê de argumento de autoridade, e deixar se levar pela minha “análise” pode ter certeza que terá alguns minutos de diversão garantida. Estou ansioso pelo próximo projeto do McDonagh.

Sete Psicopatas e um Shih Tzu

Seven Psychopaths (149 minutos – Comédia)
Lançamento: EUA, 2012
Direção: Martin McDonagh
Roteiro: Martin McDonagh
Elenco: Colin Farrell, Woody Harrelson, Abbie Cornish, Christopher Walken, Sam Rockwell

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  • Rapaz, achei a tua crítica muito complacente com o filme. Tu deve ter gostado mesmo. Não as outras críticas e nem pretendo, pois vi o filme (instigado pela tua crítica dele) e não preciso das opiniões alheias pra ter a minha. Por isso a minha crítica a sua crítica. Mas o filme é uma merda, tudo se perde facilmente num balaio de situações. De nada serviu a história do Quaker e do Padre Psicopata Vietnamita (E nem é tão legal assim esse personagem, quase funcionou quando o Quaker definiu qual era o seu segredo) Tudo ficou como uma possibilidade. Parece ter sido escrito pra isso, mas não foi. O diretor e roteirista usou a metalinguagem pra mostrar o quanto é banal a construção de um filme como esse. E deve ter se achado genial por isso. Mas não conseguiu nem ao menos fazer funcionar a sub-trama do Zach. Era melhor ter simplesmente nos deixado esquecer dele e ter posto a mensagem que ele pediu pra aparecer no final. Um belo de um coito interrompido. Mas tem que curta, da mesma forma como muita gente vai dizer que Killer Joe foi genial.

  • Arthur

    Cara, por isso disse, achei o filme divertido e que não seria nem um pouco objetivo. Eu até concordo com você, que essas sub-tramas foram perda de tempo e tal, mas a real é que eu curti o filme porque me diverti demais com ele, independente dos problemas de roteiro, os coito interrompidos ou as ejaculações precoces, mas não achei genial, longe disso.

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