Abraham Lincoln: Caçador de Vampiros (Abraham Lincoln: Vampire Hunter)

Cinema quinta-feira, 06 de setembro de 2012

 Nancy Lincoln (Robin McLeavy) é a mãe do presidente Abraham Lincoln (Benjamin Walker) e foi assassinada por uma criatura sobrenatural. Incorfomado com o fato, ele declara uma guerra sem piedade contra os seres das trevas e começa a destruir todos os vampiros e os escravos que os ajudam.

Cara… Não sei o que pensar desse filme. Tive dois derrames e meio enquanto assistia. Acho que nunca houve tantas reviravoltas de uma só vez em toda a história do cinema. Eu, pelo menos, nunca tinha visto um filme que caísse tanto de qualidade em menos de dez minutos. O que prometia ser um filme de ação less than brainless acabou virando um ode ao nacionalismo americano… Ou coisa parecida.

Vamos logo pro resto da resenha. Quanto mais rápido acabarmos com isso, mais rápido vou me recuperar do trauma.

Tá, todo mundo sabe que existiu um carinha barbudo chamado Abraham Lincoln. Sabe, aquele de cartola. Não, não o mano do Guns N Roses. Outro cabeludo. Enfim, esse tiozão foi presidente dos Estados Unidos lá em mil oitocentos e bolinhas. E é dele que o filme fala, se não deu pra perceber pelo pôster.

Enfim, a história começa numa aldeiazinha pobre, quando um cara espertão tenta catar uns pretos escravos libertos pro mercado negro heh e o protagonista se mete no meio da confusão. Na hora, era Will Johnson, o wingman do filme, que estava apanhando. Ambos acabam salvos pelo pai de Abraham após este empurrar o feitor pra dentro do rio. O ato heróico do pirralho, porém, serve pra nada no final. A família Lincoln tem uma dívida tremenda com os patrões e a mãe do menino é assassinada por um vampiro malvadão por conta da ofensa.

Aí, depois de anos de ódio reprimido, Lincoln sai à procura do malvadão – Tá, tá, o nome dele é Jack Barts – cheio de coragem e na crença de que vai ganhar uma bela cabeça vampiresca pra pendurar na parede da sala ao fim da noite. Depois de tomar 15 uma ou outra dose de cachaça, ele é abordado por Henry Sturges, que já sacou o que ia acontecer após meio minuto de observação.

Mas acontece que a missão falha miseravelmente e Lincoln, salvo da morte pelo homem misterioso do bar, descobre que o mesmo é um caçador de vampiros. Aí já dá pra saber que, movido pelo desejo de vingança, justiça e lanchinhos amanteigados, nosso herói treinará como aprendiz até ser forte o suficiente pra eliminar tamanha esbórnia da face da terra. Ah, detalhe, como bom macho que é, nosso garoto – Agora quase um homem, meu Deus! – prefere o bom e velho machado às armas de fogo.

 Já falei que tenho queda por homem com cara de palerma?

Até aqui, tínhamos uma saudosa volta aos anos oitenta, aos heróis machões e lutas legais. E justamente nesse trecho do filme, onde cê tá segurando os braços da cadeira de tanta empolgação, a parada desanda.

As primeiras batalhas são ótimas – MANO, A CENA DOS CAVALOS, CACETE, QUE FODA – mas o filme se perde completamente no meio pro fim. Primeiro pois o Lincoln praticamente esquece seu ódio por vampiros e se envolve completamente na política. Isso aconteceu depois de ele ter matado o vampiro que fodeu sua vida toda, mas, sinceramente, o correto seria passar o resto da vida em busca de mais! Me responde: Se alguém que você amasse fosse morto por um viadinho desses e isso te fizesse, por desejo de vingança, passar a vida toda treinando pra matar raça tão lafranhuda, cê ia desistir antes de ter um guarda-roupa completo feito de couro vampiresco? Oras, eu não iria. Passaria o resto da vida na estrada, bebendo cerveja e escutando rock. Só não faço isso por que já usaram essa ideia antes e não quero ser processada. Enfim, voltemos ao assunto.

 Pelo menos tem tetéia…

Como estava dizendo, a coisa desanda. O roteiro fica completamente perdido e cheio de inconsistências. E, porra, não entendi qual a dos vampiros. De início, eram seres fodelenses capazes de quebrar seus ossos com um simples aperto das nádegas, principalmente o trio de vilões principais. Mas, lá pro final, meia dúzia de socos já resolvem o problema. Inclusive, as duas últimas mortes de vampiros são ridículas! Ridículas!

Mas, claro, há muitos pontos positivos. O filme é divertido, as cenas de ação são ótimas. A fotografia também é show de bola e nos presenteia com ambiente não-monocromático. Aliás, todos os fatos do filme correspondem à vida real de Abraham Linconl. Ele realmente perdeu o filho durante a Guerra Civil a americana, não a da Marvel e trabalhou como balconista enquanto estudava pra ser advogado. Sem falar que é genial a ideia de pegar uma figura histórica e jogar um pouco de ficção no seu background. É o tipo de ação que desperta o interesse de crianças pra história. Um outro autor que faz isso bastante bem é o Christian Jacq.

Só que tudo isso perde espaço no meio de tanta confusão. Há tanta coisa que podia ter sido melhor aproveitada. Sabe, os atores não parecem confortáveis em seus respectivos papéis. Os diálogos, as saídas e até mesmo a dicção dos personagens é caricaturada. Se pelo menos houvesse foco em um só lado da vida do cara, poderíamos ter um filme menos enrolado. Pobre Tim Burton. Tá perdendo respeito com esse tanto de merda que tem feito/produzido. Deveria ter parado em O Estranho Mundo de Jack.

Abraham Lincoln: Caçador de Vampiros

Abraham Lincoln: Vampire Hunter (115 min – Ação)
Lançamento: Estados Unidos, 2012
Direção: Timur Bekmambetov
Roteiro: Seth Grahame-Smith
Elenco: Benjamin Walker, Dominic Cooper e Mary Elizabeth Winstead

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