Pequenas revelações

Analfabetismo Funcional terça-feira, 26 de Fevereiro de 2013

Falar-lhes-ei sobre um tempo da minha vida, os meus adoráveis 10 anos. Naquela época, eu tava na quarta série do fundamental, já sabia ler lia o que na época eu chamava de “bastante” e aproveitava minhas manhãs dormindo, já que sempre achei estudar no matutino uma merda. Na escola, no andar de cima ao qual eu estudava, tinha uma biblioteca.

Ou melhor, tinha uma biblioteca infantil. Bem, como desde os 7 eu já me achava gente, a maioria dos livros de lá simplesmente não me interessavam. Mas, talvez por compaixão, talvez por falta de espaço na biblioteca “principal” (Lê-se “de adulto”), haviam alguns livros diferentes… A tal de “literatura juvenil”.

Foi nessa época que conheci Harry Potter, mas como eu já tinha visto A Pedra Filosofal, pulei o livro e comecei pela Câmara Secreta. Foi também esse mesmo ano que li meu primeiro livro de poesia. Pois é, provavelmente eu acharia o livro um tanto quanto brega atualmente… Era um livro de poesias românticas. Digo, de romance mesmo, nada de “escola literária”. Foi também aí que eu descobri a coleção Salve-se Quem Puder, uns livro-jogos, de mistério, que os leitores tinham de achar pistas e decifrar enigmas. Demorei anos, mas tenho boa parte desta coleção atualmente.

Não sei se ficou claro, mas ir à biblioteca “infantil” era o que eu fazia no intervalo. De certo modo é um troço triste, mas sem aqueles livros, eu provavelmente não gostaria de ler atualmente. Naquela época fiquei, absurdamente satisfeito comigo mesmo por conseguir ler O Cálice de Fogo no prazo máximo de 14 dias… Quer dizer, o máximo era 12, mas caiu no fim de semana.

Creio que nunca contei nada disso pra ninguém. Não que seja um segredo, mas é uma parte da minha vida que definiu quem sou hoje.

Eu pegava uns 10 ou 11 livros mensalmente naquela biblioteca. Ficava sempre em segundo no “ranking”, porque um amigo sempre pegava, por mês, um ou dois livros a mais que eu… Maldito Brunão… Não bastasse essa dos livros, ele tinha um deck original de Yu-Gi-Oh!. Alguns anos mais tarde, eu “descobri” a biblioteca “principal”… Quero dizer, sempre soube onde era, mas para alguém que levava o lanche de casa, atravessar a rua e ir na parte da faculdade (Onde ficava a biblioteca), era algo impensável.

A quarta série, para mim, foi a melhor série que já tive… Não a melhor turma, as da oitava série e as três do colegial foram realmente incríveis, mas em termos de “meu ano”, a quarta sempre foi a número um. Algum dia na minha vida, poesia meia boca, Harry Potter e palavras escritas ao contrário e de ponta cabeça já foram importantes para mim. Não é uma questão de “ser bom ou não”, mas do que significou para você.

Dobby foi importante para mim, e nunca vou me envergonhar disso.

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  • Salve-se quem puder! *o*
    Cara, eu também passava recreios na biblioteca. Eu ficava conversando com a bibliotecária também. Ela me dava presentinhos. Ai, que nostálgico. HAHAYAUHYUEG

  • debora

    também tinha feito isso, nos meus 10 anos, de pular a pedra filosofal
    lembro que peguei a camara secreta emprestada com meu primo e depois passei a comprar, só após o calice de fogo que fui ler o primeiro livro (ainda bem, já que no 5º aparecem uns personagens do 1º)

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