Capitão América 2: O Soldado Invernal (Captain America: The Winter Soldier)

Cinema quinta-feira, 10 de abril de 2014

 Após os cataclísmicos eventos em Nova York com Os Vingadores, Capitão América 2: O Soldado Invernal encontra Steve Rogers, também conhecido como Capitão América, vivendo tranquilamente em Washington, DC e tentando se ajustar ao mundo moderno. Mas quando um colega da S.H.I.E.L.D. é atacado, Steve se vê preso em uma rede de intrigas que ameaça colocar o mundo em risco. Unindo forças com a Viúva Negra, o Capitão América luta para expor a grande conspiração enquanto enfrenta assassinos profissionais enviados para silenciá-lo a todo momento. Quando a dimensão da trama maligna é revelada, o Capitão América e a Viúva Negra pedem ajuda a um novo aliado, o Falcão. Contudo, eles logo se veem enfrentando um inimigo formidável e inesperado — o Soldado Invernal.

Sabe, eu achava que a Marvel ia ficar no feijão com arroz, depois de ter descoberto a fórmula: Faz uns três, quatro filmes pra deixar a galera na fissura e solta um crossover na cabeça. Felizmente, eu me enganei, e redondamente. Mesmo sendo magro. Esse novo Capitão América chutou a minha cara com força, virando minha cabeça feito a mina do Exorcista; por mais que ainda mantenha o clima de ação/aventura que define as adaptações de quadrinhos da editora, paira sobre ele uma névoa de filme de espionagem, com uma virada felomenal [Ou desgracento, depende da opinião] lá pro meio. E fica ligeiro que pode ter spoiler, sim senhor; e dessa vez eu tou avisando antes, olha como eu sou legal?

Mas então, o que rola é que, depois da famigerada batalha de Nova Iorque, que fodeu com a cabeça do Tony Stark e gerou vários mimimi pelo Homem de Ferro 3 [Que eu nem achei tão ruim assim], o senhor perfeito Steve Rogers vai morar na capital americana, porque ele é um soldado de elite [Se fosse capitão de verdade não ia pro campo de batalha, lidem com isso] e bicho de estimação do governo. Ou mais especificamente da S.H.I.E.L.D., que não é exatamente uma organização governamental, tá mais pra uma espécie de braço direito de um conselho que não é muito bem explicado mas seria internacional, tipo a maçonaria ou os Illuminati sem heróis. O grupo de elite da Marvel, não o grupo real que controla a mídia através do mundo. Inclusive, senhores Illuminati, se quiserem controlar o Bacon, a gente cobra barato, viu?

 “Do que esse cara tá falando?”

Mas voltemos ao assunto: Fazendo uns serviços de supersoldado raso, o Capitão e a Viúva Negra ficam mais amiguinhos. E não, não tem pegação, nem tensão sexual nem nada. Ela inclusive fica tentando arrumar encontros pra ele. Deve ter alguma coisa no passado dela, algo que vai ser explicado num possível filme solo. Ai dá uma merda federal com o Nick Fury, que inclusive não é tão fodelão quanto o dos quadrinhos. Inclusive, a S.H.I.E.L.D. é desmantelada ao final do filme, pelo próprio Fury, o que me levou a pensar: E agora, o que caralhos acontecerá com a série de TV que fala sobre… A S.H.I.E.L.D.? Bom, como eu não acompanho, quero que se foda. Mas que isso vai ter repercussão futura nos outros filmes Marvel, ah vai. Quero só ver esse Vingadores 2 – A Era de Ultron como que vai ser. Felizmente o Guardiões da Galáxia não tem relação com Divisão de Logística e Aplicação de Intervenção Estratégica Interna. Eu acho. E se tiver também foda-se.

 “Olha a minha cara de quem tá preocupado, mano!”

Certo, tou divagando muito. O personagem principal ainda é o Capitão, mesmo que o subtítulo seja o tal Soldado Invernal. Que todo mundo sabe que é seu antigo amigo, Bucky, que foi dado como morto pelos americanos, mas foi encontrado pela galera do Hitler, Caveira Vermelha e tal. Por estar sem memória e sem um braço, recebeu implantes de memória e um braço biônico que dá uma força do caralho. Mas é claro que o poder do bromance vai sobrepujar tudo e fazer com que Bucky se lembre do passado e salve o capetão num momento de necessidade. Só que ele não é o único com coisas a esconder. O clima de espionagem não é coisa pouca, gajo.

EFEITOS VISUAIS / SONOROS

Rapaz, fazia tempo que eu não usava esses “critérios” numa resenha. Bom, não há do que reclamar no quesito efeitos especiais. Tanto o som quanto o vídeo tá de cair o cu da bunda, principalmente se você assistiu os primeiros dez minutos sem a arte final, e depois assistiu o filme todo maneiro. Cara, a hora que o América dá um “THIS IS SPARTA” no cara, eu cheguei a sentir dó, sério. Não tem nada forçado, dentro do que já foi estabelecido pela verossimilhança do universo cinematográfico da Marvel.

 Não que esse não tenha sido doloroso também, mas aposto que o outro doeu mais.

Só o 3D, pra variar, que não faz muita diferença; mas incrivelmente ele foi notado por mim o filme inteiro, não só naquela animação tosca de aviso pra colocar os malditos óculos 3D. Do áudio não dá pra falar muita coisa, porque os efeitos são o de sempre, impecáveis, e a trilha sonora é composta basicamente de instrumental. O que gera um clima muito conveniente pra porra toda.

ENREDO

O filme começa meio devagar, pra apresentar ou reintroduzir personagens à quem ainda não tá familiarizado com todo mundo, mas conforme o negócio engrena, não tem mais explicaçãozinha mastigada, cê tem que se virar pra acompanhar a ação desenfreada com virada de roteiro uma atrás da outra. Não que o filme seja confuso, é que mal dá tempo de você digerir o que aconteceu e já dá outra merda mais fenomenal ainda, ou algo que tinha sido apresentado de um jeito na verdade era outra coisa. Não que isso não seja o ideal pra tudo quanto é filme, mas evite ir em grupos que vão fazer muita balbúrdia: Cê vai se perder.

PERSONAGENS

Ao contrário do que seria de se esperar, o Capitão América não é o escoteirão maldito que eu me acostumei a odiar. Não senhor, pelo menos aqui ele tá com um espírito muito mais Guerra Civil do que Super Homem, o que é ótimo, porque ele não tá com o governo da América, mas com os ideais da América [Porra, me senti paga pau de americano agora]. Os culhões dele foram suficientes pra fazer com que ele virasse fugitivo e tivesse que andar fora do radar, mesmo que por dez minutos de filme.

A Viúva Negra é… Bom, é a gostosa da Scarlett Johansson. Mas incrivelmente, ela aparenta se sentir bem na personagem, tanto que nem fica tão forçado.

 Apenas aproveite.

Nick Fury não é mais o fodelão borra-botas que eu achava que ele seria, acompanhando os quadrinhos. Mas ele ainda é um espião de ponta, com mais segredos e truques do que aparenta. O problema é que, com o fim da S.H.I.E.L.D., ele vai fazer o que? Caçar borboletas?

Bucky não tem nada de mais: É o vilão misterioso que todo mundo sabe [Ou deveria saber] e aparece bem pouco. E dai que o Sebastian Stan assinou pra NOVE filmes?

Vizinha gostosa do Capitão que eu esqueci o nome também não tem muita importância, mas é uma figurante que merece atenção. Quase tanta atenção quanto a Maria Hill.

O resto dos personagens não é relevante o suficiente pra eu dar meu pitaco.

Mentira, tem o personagem do Robert Redford, o tal de Alexander Pierce. Ele é o diretor modafoca da S.H.I.E.L.D. que faz com que a merda entre em rota de colisão com o ventilador. E tudo isso com a classe e a elegância do Ford Vermelho. Não que outro no lugar fosse mudar o filme, mas ele concede um pouco da classe dele ao ambiente.

EASTER-EGGS

São referências, piadas, ligações que não fazem muito sentido inicialmente. É coisa pra caralho, se vira ae. Não vou nem contar que o Stan Lee aparece.

EXPECTATIVA BLOCKBUSTERIANA PÓS CAPITÃO AMÉRICA 2: O SOLDADO INVERNAL

Olha, na minha humilde opinião, a Marvel tá botando pra foder, e de um jeito bom. Enquanto os filmes do morcegão levaram as adaptações pra um realismo sombrio, a casa das ideias tá trazendo tudo de volta, batendo embaixadinha com essa ideia babaca e mandando de voleio pro gol um conceito muito mais redondo, o de multiverso e ligação entre vários filmes, onde cada um pode ter um estilo diferente. O Thor é o mundo medieval, concorrente de Senhor dos Anéis, Crônicas de Nárnia e semelhantes. Homem de Ferro é a parada de tecnologia mais ou menos realista, Guardiões da Galáxia é o futurismo da exploração espacial. Hulk trata do mundo desconhecido [Pros americanos], e o Homem Formiga vai ser o cientista maluco que dá certo, guarde as minhas palavras.

O leque tá cada vez mais aberto. Se isso vai gerar mais vento ou quebrar o brinquedo não saberemos tão cedo. Mas provavelmente ambos.

Capitão América 2: O Soldado Invernal

Captain America: The Winter Soldier (136 minutos – Ação)
Lançamento: EUA, 2014
Direção: Anthony Russo e Joe Russo
Roteiro: Christopher Markus, Stephen McFeely e Ed Brubaker, inspirados na obra de Joe Simon e Jack Kirby
Elenco: Chris Evans, Robert Redford, Emily VanCamp, Hayley Atwell, Sebastian Stan, Tommy Lee Jones, Samuel L. Jackson, Dominic Cooper e Stanley Tucci

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  • Elvis

    Ótimo texto. A linguagem é show, ou foda mesmo. Tão de parabéns.

  • Jo

    Eu duvido muito que o universo cinematográfico fique sem a SHIELD, principalmente com o sucesso que a série tá fazendo nos últimos episódios. Provavelmente eles vão recriar sáporra com o Coulson ou a Hand mandando na porra toda.

  • Marcel Criveli

    O Capitão America só era é escoteirão na cabeça de comunistinhas de faculdade que nunca leram uma linha sequer antes de falar merda, os quadrinhos desde sempre deixam claro que ele representa os ideias de patriotismo e liberdade, não os desmandos do governo, e a série melhorou muito quem parou de ver por causa dos primeiro episódios, deve dar uma outra chance, ó último epísódiio foi putaquiparivelmente bom

  • Cara, falou merda. Eu leio Marvel desde que me conheço por gente, e sempre achei o Capetão mala pra caralho justamente por ser escoteiro. Só vi ele criando bolas quando se tratava de coisas relacionadas ao ato de registro de super-seres, que descambou pra Guerra Civil; de resto ele era um pau mandado do caralho.

    Mas é claro que isso também depende do roteirista que pega a criança, obviamente. É tipo o que fizeram com o Homem Aranha recentemente: Botaram o Dr. Octopus na cabeça do Peter, tomando o lugar dele, e virou um rebosteio fenomenal. A questão é que, em grande parte, o escoteirismo do America sempre ficou pau a pau com o Superman.

  • Marcel Criveli

    Provavelmente não leu o arco que ele tocou o foda-se e deixou de ser o Capitão América por um tempo, justamente por não concordar com as ordens do governo, publicado na década de 90, ou então uma história muito boa dele com o Demolidor onde ele diz claramente que não luta política americana, mas pelos ideais americanos, ou então no arco do Demolidor “A queda de Murdock” onde ele invade uma instalação do exercito para roubar dados sobre o programa do supersoldado e publicar na imprensa, outra história muito boa para mostrar o posicionamento dele é quando ele enfrenta o Apátrida, publicada na década de 80.

    Obviamente que ele é mais certinho, não é o Wolverine, que fatia pessoas por diversão, quando ele mata, é o último recurso disponível, maior parte destas críticas sobre o “escoteirismo” do capitão surgiram na década de 90, quando a moda eram os heróis sombrios, época onde os heróis mais vendidos eram o Spawn da Image e o Justiceiro da Marvel e é claro nos C.A.´s cursos de Humanas na faculdade, onde dizer que curtia ler o Capitão era garantia de vários narizes torcidos e frases como “Você lê esse lixo imperialista?” (True Story, aconteceu comigo) de gente que nunca pegou um gibi na mão na vida, e fica agindo como um Fredric Wertham de extrema -esquerda

  • Então, se você pegar esses exemplos, eles são exatamente isso: exemplos de quando ele não se comportou assim, quando na maior parte do tempo ele era escoteiro. Mas não tiro sua razão em relação à década de 90, pena que eu não tinha acesso à gibis novos na década de 90, lendo geralmente material da década de 80 ou 70, raramente encontrando coisas mais velhas.

    Quanto à essa galera esquerdista, só lamento pela sua experiência. Nego intelectualóide é um saco [E eu sei que sou, as vezes, mas tou evitando].

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