Baseado em fatos reais

HQs segunda-feira, 25 de março de 2013

Aqui onde moro, no interior do melhor estado deste país, havia uma loja de quadrinhos. Sim, “havia” e “uma”. Apesar de ter várias bancas grandes por aqui, que vendem todo tipo de revista, nenhuma delas nunca deu destaque especial para quadrinhos, sejam estes da Turma da Mônica ou do Wolverine. Mas aí surgiu uma loja, e é a história dela que vou contar procêis.

 Adoro redudâncias.

Então, não sei que ano começou a parada, mas foda-se. O troço começou anos atrás, antes dessa nova onda de filmes de super-heróis, numa loja apertada, no centro da cidade. Vejam bem: Um local pequeno, sem divulgação, numa época em que só quem já lia quadrinhos se importava (E comprava) quadrinhos. Feliz ou infelizmente, deu certo.

Veio o primeiro “novo” filme do Bátema, aí Homem de Ferro, e aí o resto. Se não fisicamente, em termos de público a loja cresceu, ganhou um público maior. Foi mais ou menos nessa época que conheci, de fato, a loja: Já a conhecia, uma vez que passava na frente dela o quase todo dia, mas nunca tinha entrado. A primeira vez que saí de lá, creio, comprei alguma coisa, mas só me lembro de um bottom da Ramona Flowers.

 Esse mermo.

Novos donos, nova local, vida nova: Após anos no mesmo lugar, a loja mudou-se… Pra rua vizinha, mas num local maior, com mais visibilidade e tals, e isso quando nego já andava por aí com camiseta do Lanterna Verde. Em termos práticos, entretanto, pouca coisa mudou: Era perto de onde sempre foi; o local era maior, mas nem tanto; tinha mais público, mas o público “significativo” era o de sempre. Mesmo mudando de nome, pouca coisa, de fato, mudou em relação à loja.

E, talvez por isso, a loja fechou em 2012. Já a conhecia há um tempo, já era cliente. Aliás, comprei as 5 primeiras “primeiras edições brasileiras” de Sandman lá, semanas antes de a loja fechar. Pois é, não é uma história romântica.

 Sequer sabia da existência disso… BUT IT WORKS.

A loja começou numa época que quadrinhos, super-heróis, graphic novels, e coisas relacionadas estavam em baixa, e sobreviveu à isso. “Morreu”, anos depois, quando todo o interesse nessas coisas era muito maior. É verdade que a grande maioria das pessoas que vê um filme de super-heróis não liga para as revistas, mas sempre há aquele que se interessa pelo assunto.

Por ter sido a única loja do tipo na cidade, mais do que uma loja, o troço funcionava como ponto de encontro. Não que as pessoas se reunissem lá para debater como o Superman voa até porquê não tinha espaço pra isso, mas ao contrário de uma banca, na qual você entra, dá uma olhada nas revistas de putaria, compra seu gibi do Mickey e vai embora, naquela loja você comprava o que queria, enquanto conversava com a galera sobre a lula gigante no filme do Zack Snyder e ouvia The Clash ao fundo.

O motivo para fechar as portas à mim dado era que o dono, que tinha várias outras lojas, “sobre” outras coisas que não quadrinhos, não estava conseguindo administrar a parada. Pode ser verdade, pode ser mentira. O fato é que sempre que entrava na loja, tinha pouca (Ou nenhuma) gente nela. Pode ser coincidência, afinal, eu sempre passava em horários “estranhos”, mas pode ser que não. Seja como for, simplesmente não cabe na minha cabeça que a única loja da cidade sobre quadrinhos tenha fechado por falta de público ou falta de tempo do dono.

 Imagem não relacionada, para alegrar o post.

Era um lugar legal, dedicado à algo em crescimento no país e que não tinha concorrência. Não conheci o dono, mas o cara que cuidava da loja era gente boa pra caralho. Não só entendia do assunto, mas gostava do que fazia. Se entrar lá e comprar qualquer coisa levasse 10 minutos, afirmo com absoluta certeza que qualquer um demoraria pelo menos o triplo disso. Em outras palavras, a loja tinha tudo: Uma boa localização, um público amplo, um bom atendimento… Tá, faltava espaço, mas nada é perfeito.

Não, este post não tem nenhum significado especial, nenhuma mensagem e nem nada disso. É apenas uma pequena homenagem para um local que sei que muita gente gostava. Não sei porque, justamente num momento tão bom para o mercado de quadrinhos no Brasil, a loja fechou as portas “sem previsão de retorno”. Mas fez, algumas vezes, a alegria do meu dia, e isso não tem preço.

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  • Ricardo Gonçalves de Souza

    Bom texto.
    Infelizmente não existe uma dessa por aqui. Até tenho como um sonho/plano futuro abrir uma loja assim. Uma sofá, um café, umas latas de cerveja, gibi, mangá, algumas action, música de fundo e uma tv passando filmes e séries.
    É um mercado foda, público fraco e imprevisível. A popularidade que os heróis tem na internet e cinema não chega nos quadrinhos, então as vezes a gente tem essa falsa ilusão que tá dando certo, que o Batman deve tá vendendo horrores ou que aquele rapaz com a camisa de super herói vai comprar algo.

    Fico triste por você amigo Loney

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