5 músicas que mostram que o jazz não é como você pensa

Música sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

“Eu gosto de jazz”. Essa é uma frase difícil de escrever e falar sem parecer babaca. Jazz parece sofisticado, parece refinado. Mas isso é só uma meia verdade. A noção de que jazz é parte de uma cultura superior surgiu provavelmente à partir dos anos 60, quando a quantidade de gente cabeçuda e chata atingiu um ápice histórico levando, através de uma cadeia de eventos um pouco vaga e patética, ao surgimento nos tempos atuais de hipsters, pseudo-cults e outros tipos de pessoas que nós aqui do Bacon pegamos pra Judas quando nos dá na telha, por que fodam-se eles. A verdade é que durantes as cinco primeiras décadas do século passado, o jazz era a vertente musical mais popular do mundo. Era música de todo dia, que tocava nas rádios, música pra todos os tipos de pessoas. Com o passar do tempo ele perdeu espaço e foi deturpado por pessoas retardadas, como geralmente acontece com todas as coisas boas. Por isso apresento aqui cinco músicas da época de ouro do jazz, que mostram que ele é bem mais do que você deve imaginar. Vem comigo, para o quinto lugar…

5 – Praise the Lord and Pass The Ammunition, por Kay Kyser and His Orchestra

Ao pé da letra “Louve ao Senhor e Passe a Munição”, é uma música patriótica escrita por Frank Loesser em 1942 como uma resposta ao ataque de Pearl Harbor e à entrada dos Estados Unidos na segunda guerra mundial. Na música, um oficial americano que também é religioso está sendo atacado por aviões inimigos em Pearl Harbor e seus homens pedem que ele faça uma reza por eles e outros que estão em batalha. O homem larga sua Bíblia, pega uma das metralhadoras do navio e começa a atirar nos aviões japoneses dizendo “louve ao senhor e passe a munição”. A versão que está no vídeo é a Kay Kyser e sua orquestra, de 1943.

4 – Why Don’t You Do Right?, por Peggy Lee

Em bom português, “Por que você não faz certo?” foi composta em 1936 por Joseph “Kansas Joe” McCoy em forma de blues. No início, a música foi chamada de “The Weed Smoker’s Dream” (Ou “O sonho do fumante de erva”. É, isso mesmo que cê leu), mas depois o nome foi trocado e partes da letra reescritas. Ela é uma música bastante feminina e fala sobre uma mulher que reclama da péssima situação financeira do marido, que de acordo com ela “tinha bastante dinheiro em 1922” e pergunta por que ele “não faz certo, como alguns homens fazem” e diz pra ele “sair daqui e conseguir [pra ela] um dinheiro também”. Praticamente um registro histórico do que todos nós sabemos até hoje.

No vídeo, uma das versões mais famosas da canção na voz da cantora de jazz Peggy Lee, de 1942.

3 – Around The World, por Buddy Greco

Around The World, como o nome dá a dica, foi a música tema do filme A Volta ao Mundo em 80 Dias, de 1956. A versão tocada no filme não tinha a letra, mas a versão cantada foi a que ficou mais famosa. Foi gravada por grandes cantores como Frank Sinatra e Nat King Cole, mas a minha versão preferida é a de Buddy Greco, mais animada, e é a que está no vídeo. Ah, e a música conta a história de um homem que viaja ao redor do mundo para encontrar seu amor, e basicamente só isso.

2 – The Closer to The Bone, por Louis Prima

Outra das minha preferidas e trata do gosto do personagem da música por mulheres magras. Segundo ele “Quanto mais perto do osso, melhor a carne / Uma fatia de presunto da Virginia é o melhor que você pode comer” e pede pra que não falem da mulher dele, que “ela é magrela mas é doce”. Ele diz que seus amigos dizem que ele é “um bobo por gostar de uma garota assim”, mas termina dizendo que a razão pra ele gostar “delas magras ao invés de grandes e gordas” é, como ele já disse, que “quanto mais perto do osso, melhor é a carne”. Falando da mulher, ele diz que ela “daria uma boa caneta-tinteiro, se soubesse escrever” e “uma boa flauta, se ficasse na nota certa”.

Não encontrei muitas informações do lançamento dessa, mas tudo indica que a música é de 1958, também já no final da era de ouro do jazz. Sobre o cantor, Louis Prima foi uma das grandes vozes do jazz dos anos 30, 40 e 50 e chegou a ter uma banda de pop-rock nos anos 60. Era conhecido pela voz um tanto rouca e por ser bastante extrovertido.

1 – St. Louis Blues, por William C. Handy

St. Louis Blues foi lançada em 1914 por aquele conhecido como o pai do blues, William Christopher Handy, e se tornou uma das músicas básicas do jazz, sendo regravada por centenas de músicos através dos anos. Não é curioso um blues virar um clássico do jazz? Eu prefiro entender que as coisas são assim por que eles vieram do mesmo lugar. São parecidos, mas muito diferentes, como irmãos. Essa música é uma prova da transformação musical e da riqueza da música que um dia também criaria o que chamamos de rock, e até criaria aquilo que não gostamos. Mas a vida é assim mesmo.

A versão escolhida foi uma do próprio Handy e sua orquestra, um menos blues e mais jazz de Nova Orleãs, mas não é difícil encontrar gravações bem diferentes, por que afinal, o jazz é imenso.

Enfim, essa era a mensagem de hoje. Vida longa e próspera.

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  • Matheus Vieira

    Joe Pass também é muito bom de ouvir, apesar da carreira relativamente curta, gravou ótimos álbuns. A maioria instrumental, mas ele gravou algumas coisas com Ella Fitzgerald e uns outros por ae.

  • Arthur Arantes Souza

    Muito branco esse jazz

  • Faz melhor.

  • Júlio Raphael

    Ih caramba, eu devo ser um racista horrível e maldosAH, não, espera, duas músicas da lista foram compostas por negros, incluindo o primeiro lugar. Não foi dessa vez. Também tem uma mulher e um ítalo-americano se não for a minoria certa.

  • Arthur Arantes Souza

    Relaxa aí Reinaldo Azevedo. Só não gosto desse tipo de jazz.

  • Júlio Raphael

    Ai, meus sais…

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