“TOP 100 FILMES BACON FRITO” 95 – 91

Cinema sexta-feira, 04 de dezembro de 2009

95) Picardias Estudantis

(Amy Heckerling, 1982)

Uiara: A primeira vista pode parecer um filme americano escolar retardado. E se for pensar demais, é isso mesmo. Só que todo mundo sabe que nem todo filme foi feito pra pensar demais, e sim pra divertir. Dessa forma, Picardias Estudantis deixa de ser um filme idiota e se torna um retrato sem preconceitos da juventude de 80.

Pedro: Eu tinha um professor de história que passava filmes que dizia representar a juventude de diferentes décadas. Juventude Transviada na década de 50, Hair na década de 60, Tommy na década de 70 e Fama na década de 80. É uma pena que eu não possa voltar no tempo pra arrancar o último da lista e incluir esse filmaço. Picardias Estudantis é bom assim – peitos, personagens carismáticos e um retrato fiel da geração de ouro.

Veredito Final:
PA diz:
Só foi a gente acabar a coluna falando de peitos.
Uiara diz:
sim, peitos. Até eu babei naqueles.
PA diz:
pooo e tinha o sean penn novinho
PA diz:
outro ótimo exemplo de sessão da tarde
Uiara diz:
se o filme já não fosse todo bom, eu recomendaria só pelo Spicoli
PA diz:
se bem que eu tenho a leve sensação que esse era um filme do cinema em casa
Uiara diz:
eu não assisti em nenhum dos dois
Uiara diz:
tem também a estranha do QUERIDO Nicolas Cage, ainda como Nicolas Coppola
a estreia, aliás
ato falho

PA diz:
viu, Théo?
Uiara diz:
NÃO ME DESPEÇA, POR FAVOR
PA diz:
só cuidado que esses logs estão sendo gravados… então tenta não falar sobre a sua discografia inteira dos beatles e o seu alvo de dardos com a cara da yoko
ops… escapou

Uiara diz:
*anotando: fazer um alvo de dardos com a cara da yoko*
nessas horas que a gente vê o coleguismo

94) Alien – O Oitavo Passageiro

(Ridley Scott, 1979)

Uiara: Que eu não gosto de ficção científica cês já sabem. O que vocês ignoram é que eu NÃO sou pedante o bastante pra ver um decente desse gênero e negar que é bom. Alien me dá medo. Desde o primeiro filhotinho de coisa ruim até aquele… bem, isso aí da foto. O filme prende do início ao fim, mesmo tendo poucos diálogos e músicas mais raras ainda.

Pedro: Eu não sei qual foi o milagre cinematográfico que fez do primeiro Alien um sucesso. Um filme lento, silencioso e até mesmo monótono – mais ainda sim uma obra prima do suspense, da ambientação, dos personagens… enfim, um clima único de artificialidade e tensão constantes que conseguem te transportar para os confins do espaço. Pensando bem… acho que já entendi como esse filme fez sucesso.

Veredito Final:
Uiara diz:
eu sou declaradamente uma não fã de ficção científica. Mas quando aparece um desse tipo que preste, tenho que tirar o chapéu
PA diz:
É um dos filmes mais bem construídos que eu já assisti. Mas ele só é efetivo se você souber curtir a criação da tensão e longos minutos de silêncio
PA diz:
fora que foi praticamente a estréia do Ridley Scott no cinema, que é um dos diretores com maior aproveitamento no quesito “filmes bons”, praticamente tudo que o cara fez foi sucesso
Uiara diz:
e sucessos merecidos, diga-se de passagem
PA diz:
ah, e menção especial pro H.R. Giger que levou um merecido Oscar por ter criado uma das criaturas mais marcantes do cinema
Uiara diz:
talvez por isso mesmo eu tire o chapéu pra ele… porque era uma criatura que “existia”, não um troço o tempo inteiro feito no computador que prejudicasse a atuação do elenco
PA diz:
que fique a lição pros cineastas da tela verde

93) Fargo

(Joel Coen, 1996)

Uiara: A história é simples. Um cara precisa de dinheiro, o sogro ricaço não quer dar e ele resolve contratar uns fulanos pra seqüestrar sua mulher. Peraí, eu disse simples? Nem a ideia é assim tão comum. Agora imagine uma investigadora que tem que se alimentar direitinho antes de investigar crimes, porque tá grávida, um sotaque pior que o do Bush e um roteirista que faz com que tudo, mas TUDO dê errado de algum jeito. O resultado é uma comédia de humor negro de primeira dos irmãos Coen. Como que irmãos Coen? The heck do ya mean?

Pedro: Muitos diretores são conhecidos por alcunhas dos gêneros que os consagraram: Hitchcock é o mestre do suspense, Spielberg é o “Midas” dos blockbusters, Sérgio Leone é gênio do faroeste… seguindo essa linha, não seria exagero dizer que os irmãos Coen são “sinônimo de humor negro”. E da melhor qualidade. Não existe uma obra de suas filmografias que não transbordem o humor negro – seja o metalinguístico Barton Fink, o nonsense O Grande Lebowski ou o frio Onde os Fracos Não tem Vez. Mas nenhum deles consegue superar o “humor negro do humor negro” que é Fargo: um filme com um enredo que começa simples e vai se complicando (a obra é imersa em reviravolta) conforme os personagens vão se precipitando, fazendo besteira ou simplesmente sendo vítimas dos acontecimentos. E para quem já assistiu – não, o filme não foi baseado em fatos reais – aquele aviso foi apenas mais uma amostra do humor dos irmãos.

Veredito Final:
PA diz :
Os irmãos Coen são os mestres quando o assunto é humor negro. E Fargo derrama isso, fantástico.
Uiara diz:
Fargo tem uma xerife durona grávida
só isso já seria o bastante pro filme ser genial

PA diz:
Bem lembrado! A Frances McDormand que inclusive é mulher de um dos dois, e que ganhou o Oscar por sua atuação.
Falando em atuação, palmas pro William H. Macy que tava sensacional no filme.

Uiara diz:
e se você não ler a maldita sinopse do dvd, dá pra dar um pulo a cada reviravolta que acontece no filme
portanto, nem dá pra falar muito da história aqui
só dá pra mandar esses leitores levantarem essas bundas magricelas e irem assistir

PA diz:
Basta se guiar pelo subtítulo da tradução brasileira – Uma Comédia de Erros

92) O Último Rei da Escócia

(Kevin Macdonald, 2006)

Uiara: História baseada na ditadura de Idi Amin, um cara ruim pra cacete, em Uganda. Vemos tudo pelos olhos de um médico recém formado (interpretado por James McAvoy, o fauno daquele filme), que resolve ir pra um país distante pra praticar o bem. Ou ao menos é o que ele diz pro pai. Vai levando uma vida mansa na África, pegando umas negras e caindo nas graças do general recém eleito pra comandar Uganda. Isso até que o homem vire o cão chupando manga e dê a Forest Whitaker a chance de interpretar o melhor papel de sua vida.

Pedro: Idi Amin foi um dos personagens responsáveis por alguns dos piores capítulos do tumultuado século XX. Um louco cego à consequência de seus atos (descrito perfeitamente pelo protagonista como “uma criança”), tão carismático quanto cruel. E é por capturar com maestria essa mudança de nossa percepção quanto aquela figura emblemática que esse filme figura aqui. Assim como o protagonista e todo povo de Uganda, vemos a transformação de um “líder do povo” para um monstro imprevisível.

Veredito Final:
Uiara diz:
o que eu acho mais legal nesse é a mudança no rosto do protagonista. Eu recomendo que todo mundo volte no começo do filme assim que acabar de ver pela primeira vez, só pra comparar
PA diz:
Forest Whitaker conseguiu uma atuação a altura do personagem lendário que foi o Idi Amin. Isso bastaria para recomendar o filme.
Mas preciso dizer que no final, quando faz um corte da figura de Whitaker para uma gravação real do Idi Amim, me deu um frio na espinha como poucas vezes já me aconteceu.

Uiara diz:
eu disse “puto” em voz alta
PA diz:
Ah, e bom lembrar, que o protagonista apesar de ter tudo pra ser um “exemplo de bondade” se encaixa na melhor das definições de anti-herói, o que ajuda a nos identificar com o filme.
Uiara diz:
ele já começa o filme na falcatruagem. Não sai de casa pra espalhar seus dons medicinais, mas pra não ter mais que olhar pro pai. Acho genial como ele escolhe pra que país ir. Ainda faço uma coisa dessas um dia, depois de dar um golpe em algum véio.
PA diz:
Se precisar de alguém pra carregar a bagagem, pode contar comigo.

91) Donnie Darko

(Richard Kelly, 2001)

Uiara: Quase não deixo entrar, por me lembrar o “Efeito Borboleta”. Mas não é NADA disso. Não bastasse ter um roteiro foda e viajante, é ainda um filme que dá gás a futuros cineastas sonhadores (ou sonhadores futu…bom, cês entenderam). Esse, que foi o primeiro filme de Richard Kelly, na época com 25 anos, teve um orçamento mais alto que a maioria dos filmes independentes de iniciantes, mas ainda assim muito mais baixo que obras de grandes estúdios. Dá gosto ver que bater o pé dá certo em Hollywood, em especial ao ver a quantidade de fãnáticos que esse filme tem. Recomendo também o livro do filme, com o criativo nome de “The Donnie Darko Book”, onde tem o script, uma entrevista com o diretor e fotos (do set, de uma exposição e do diretor delicinha), entre outras coisas legais pra te deixar mais doido ainda depois de ver o filme.

Pedro: Não se guie pelo enredo desse filme. Não se trata de um “novo (apesar de ser mais antigo) Efeito Borboleta“. Donnie Darko é aquele filme despretensioso que vai te absorvendo gradualmente, de forma a você encarar as idéias loucas de viagens do tempo e os personagens sombrios com uma perturbadora naturalidade. Não é a toa que se tornou um fenômeno cult, com diversos grupos de nerds fãs discutindo a teoria por trás da obra, com um afinco de fazer inveja aos fãs de Star Trek e Star Wars. Assista, babe e ignore a existência de uma continuação.

Veredito Final:
PA diz:
É o tipo do filme que tinha TUDO, mas TUDO, para dar MUITO errado: Patrick Swayze, Drew Barrymore, o fato de ser uma ficção científica independente com protagonista até então desconhecido, um coelho como vilão, roteiro mirabolante DEMIAS…
PA diz:
Mas é fantástico. Cáspita, tudo do filme é surpreendente – a história, os personagens, o “vilão”, as explicações para os eventos… e a trilha sonora é um caso a parte. Não bastasse “Love will tear us apart”, a música tema, Mad World, cai como uma luva pro filme. Sensacional.
Uiara diz:
é mais um desses que te faz lembrar que é preciso tomar cuidado com sinopses. Se dependesse só disso, provavelmente nunca teria visto ele. Só que tem algo de interessantíssimo ali. Talvez os eventos que te deixam com um nó na cabeça, mas que depois são explicados de uma forma convincente
mesmo que você saiba que não faz sentido nenhum

PA diz:
Não é a toa que gerou uma legião de fãs (fãs) que discutem sobre as teorias do filme até hoje, e virou cult
*(fãs) -> nerds

Uiara diz:
e se falamos de peitos duas vezes já, tenho que mencionar o sorriso torto gracinha do Jake Gyllenhaal
quase tão torto quando esse nome

PA diz:
fora que a irmã dele no filme é a irmã dele
e a mulher do bátima
heuehuehuhe
e a irmã mais nova é a Samara

Uiara diz:
deve ser divertido xingar sua irmã em cena
PA diz:
nunca havia pensado nisso

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