Puros (Julianna Baggott)

Livros quarta-feira, 22 de maio de 2013

Desde Jogos Vorazes, um certo tipo de ficção tem feito a cabeça do público. A nova mania literária são distopias [Nota do editor: Nova feito a posição de cagar], é fazer uma história menos bonitinha possível. Esses livros, em sua maioria trilogias, costumam ter como protagonista uma heroína forte, que luta pela sobrevivência não só dela, mas de sua família e de seu par romântico que não sabe se cuidar muito bem sozinho. Puros é a maior síntese desse fenômeno: Muito sangue, selvageria e ação.

Bom, pelo menos acho que veio até a calhar, depois de uma década feita só de magias, vampiros e coisinhas cor de rosa.

Puros conta a história de uma vida pós-explosões nucleares. Dez anos antes dos eventos do livro, a elite mundial – Deduzimos ser a mundial, mas acompanhamos apenas a dos Estados Unidos – literalmente se trancou numa bolota gigante de vidro e atirou bombas nucleares no resto da população. Acontece que, como essa elite queria apenas o extermínio dos menos favorecidos e não o fim dos recursos naturais, os mísseis foram modificados para emitir duas radiações. Uma pra destruir e uma segunda supostamente pra reconstruir os danos causados à flora pela primeira. Acontece que, por algum motivo doentio explicado mais a frente, a segunda não funcionou bem dessa forma.

Em vez de reagrupar o que fora queimado, sobreviventes se fundiram a animais, coisas, outros sobreviventes ou até mesmo ao chão. A sociedade do lado de fora da bolota virou o caos, grotesco e nojento. Além da fome, das deformações e das doenças, formou-se um regime militar que obriga todos os jovens de 16 anos a se alistarem, sob o risco de serem arrancados das camas à noite e terem suas famílias dizimadas caso não compareçam na data marcada.

A narrativa segue a partir daí dois personagens. Pressia Belze, uma menina prestes a chegar à temida idade de alistamento, dividida entre fugir ou ficar ao lado do avô doente, e um rapaz, Partridge, morador do domo que, ao contrário do resto da população alienada, suspeita haver algo de muito errado com o mundo.

Como cês puderam ver, tinha tudo pra ser muito maneiro e tals, mas um acontecimento em particular quebrou a firma. E, por incrível que pareça, esse acontecimento não foi nem a inconsistência da autora, que hora focava na nojentice da parada, hora tentava adicionar complexidade a ela, nem a adição de personagens interessantes apenas pra serem mortos ou simplesmente sumirem no capítulo seguinte. Mesmo o fato de a história se arrastar por mais páginas do que deveria foi aceita de boas pela minha pessoa.

O que realmente desceu mal não foi culpa da autora, e sim da edição brasileira. Li o livro em português e a tradução ficou uma grande merda. Não de mal traduzida, de mal editada. Feita nas coxas. Volta e meia certos termos adaptados eram trocados, do nada, por outros, e a escrita alternava entre passado e presente constantemente. É chato começar a ler que fulano entrou na sala e escolheu um lugar, pra depois ele senta e saboreia a comida enquanto encara todos a sua volta [Nota do editor 2: ALÁ EDITORAS, AQUI NO BACON NÃO TEM ESSAS INCONGRUÊNCIAS! ME CONTRATEM!].

Se existisse tal prêmio, um troféu de Pior Edição do Ano era válido pro caso.

Apesar dos pesares, no geral, temos um bom livro. Ele tenta ir mais alto do que pode, não entregando o que prometia. Acredito que funcionaria melhor como um roteiro de cinema. Às vezes a escritora mudava tanto o foco narrativo durante os capítulos que parecia realmente uma câmera mudando o ângulo durante uma cena. Pra falar a verdade, os cenários e deformidades ficariam ótimos em CG. Seria bastante vistoso e daria um belo filme de terror caso desse a sorte de ser feito por um bom diretor.

Não creio que o livro consiga mudar a vida de alguém, ou que, pelo fato da atmosfera construída ser feia e atingir aos mais sensíveis, vá arrastar uma legião de fãs ensurdecedoras e chocolatantes. Mas diverte. Muito. Se estiver procurando algo rápido pra passar o feriado, boa sorte e boa leitura.

Puros


Pure
Ano de Edição: 2012
Autor: Julianna Baggott
Número de Páginas: 368
Editora: Intrínseca

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