O Poderoso Chefão (The Godfather)

Bogart é TANGA! terça-feira, 07 de Abril de 2009

Um verdadeiro fenêmeno cultural. A trilogia O Poderoso Chefão é referência para qualquer narrativa cinematográfica. A obra-prima de Francis Ford Coppola, adaptada do livro de Mario Puzzo, narra a ascensão e queda da família Corleone, neste celebrado épico. Indicado coletivamente para surpreendentes vinte e oito Oscar, os filmes ganharam nove, incluindo dois de Melhor Filme por O Poderoso Chefão e O Poderoso Chefão: Parte II.

Uma das trilogias mais famosas, mais comentadas, mais estudadas nas faculdades de cinema, mais tosca na tradução do título, entre diversos “mais”, O Poderoso Chefão é tudo isso que falam mesmo. E mesmo quem nunca assistiu a nenhum dos filmes, não só sabe do que se trata como cita FÁCIL umas duas frases usadas pelos personagens. Por exemplo…

I’m gonna make him an offert he can’t refuse”

“Eu vou fazer uma proposta que ele não poderá recusar”

Na lista de favoritos de 10 entre 10 cinéfilos, confesso que enrolei muito pra escrever essa resenha. Qualquer um que ler vai achar uma porcaria, e é normal, porque NINGUÉM consegue descrever tão bem O Poderoso Chefão quanto nós mesmos. Eu mesma nunca li uma boa resenha antes. E acho que nem a minha vai ser o caso. Só sei que vou tentar variar um pouco e escrever pra vocês na linguagem despojada que vocês já conhecem e adoram. Enfim, vou dividir a resenha em três partes, obviamente, que serão postadas durante 3 semanas. Siiimm, terá um BéT extra semana que vem pra compensar o último que eu debizei. Mas chega de preliminares, vamos aos finalmentes. Por sinal, MIMIMI, CHEIO DE SPOILER DAQUI PRA FRENTE. Não chorem depois.

Tudo começa no escuro, com uma voz masculina de sotaque italiano dizendo “Eu acredito na América”. Esse cara explica que criou a filha a moda americana, toda soltinha e serelepe e um belo dia uns caras embebedaram a mulher e, como ela não quis soltar a carrapeta, bateram na pobre até ela ter que colocar um fio pra segurar a boca. Ele contou isso pro Don Corleone de forma mais bonita, claro. Bonasera, um dono de funerária, pede pro Don matar os putos que fizeram isso com a filha dele. E é então que Vito Corleone faz aquele discurso QUASE moralista. Se ele não estivesse falando… sobre o que tava falando, você quase apoiaria e acharia absurdo o cara ter procurado a polícia antes de falar com o Don.

Essa conversa se dá num escritório escuro da casa dos Corleone, ao mesmo tempo que acontece a festa de casamento da única mulher da prole de Vito. E Bonasera não é o único a pedir um favorzinho, já que a tradição siciliana diz que um homem não pode negar favores no dia do casamento de sua filha. Então geral resolve pedir alguma coisa e Vito já deixa bem avisado, pra quem não sabe, que um dia vai cobrar o favor de volta. E cobra mesmo.

No casamento, ainda com a roupa militar de quem acaba de voltar da Segunda Guerra Mundial, o caçula dos Corleone aparece com cara (e caráter) de bom moço. Michael traz junto sua namorada, Kay Adams. Então ele conta uma historinha de como o pai ajudou um cantor famoso a chegar onde chegou, fazendo o líder de sua antiga banda desistir de um contrato com uma proposta que ele não poderia recusar. Kay fica horrorizada e Michael deixa claro que aquilo é a família dele, não ele. Por sinal, Kay e Michael são atores desconhecidos, uns tais Diane Keaton e Al Pacino versão pele de pêssego.

Em um dado ponto, Don Corleone sai pra comprar umas frutas e é baleado. É uma cena clássica e se você não conhece nem isso, SHAME ON YOU e que deus Buñuel te almadiçoe. Tem até uma paródia dela em A Máfia no Divã. Vocês realmente me envergonham e… Ah, o filme. Michael descobre sobre seu pai através de um jornal e vai o mais rápido possível pro hospital. Chegando lá, vê que o cara tá sem nenhum guarda-costas e quase segurando uma plaquinha de “atire na cabeça. NA CABEÇA”, numa clara armadilha. Michael, com a ajuda de uma enfermeira e de um confeiteiro que brota do nada, consegue despistar os atiradores que vinham atrás de seu pai. Só que um chefão da polícia chega e, como é pago por um dos N inimigos dos Corleone, desce o sarrafo no Michael. Isso, junto ao fato de ver o pai na cama totalmente a mercê da fúria das outras Famílias, desperta no rapaz o mafioso que estava escondido. E é com um tiroteio que a primeira parte do filme acaba.

INTERMISION

Coppola ia colocar aqueles minutinhos de intervalo que é clássico nos clássicos nesse momento, mas achou que seria melhor evitar distrações pra que o espectador não perdesse o fio da meada. Particularmente, acho que os minutos do intervalo são inúteis. Mal dá pra ir ao banheiro… Serve mais pra distrair mesmo. Ainda bem que não existe mais isso.

/INTERMISION

Michael foi pra Itália passar uma adorável temporada se esconder. E se escondendo, acaba se casando com uma italiana. Não sei porquê, perguntem pro Puzo. Nesse meio tempo, Sonny, outro filho de Vito, assume o posto pra que foi preparado, o de Don. Só que acabam armando pra ele, e no fim das contas quem realmente assume o posto de poderoso chefão (esse título me deprime… Quem foi o tradutor infeliz que fez isso?) é Michael, que volta totalmente mudado da Itália. Eu poderia spoilerzar ainda mais, mas acho que os acontecimentos daqui pra frente perderiam toda a graça se eu contasse antes.

Nessa adaptação do livro homônimo de Mario Puzo, Coppola ficou com os calcanhares doídos de tanto bater o pé no chão. Por muito pouco o projeto não sai da teoria, já que os estúdios estavam em crise e a sétima arte andava desacreditada por conta da popularização da TV. Quando finalmente conseguiram apoio financeiro, todos encrencavam com TUDO da realização do filme, desde a escolha dos atores a trilha musical. Mas no fim deu tudo certo e acabou saindo a primeira parte dessa trilogia que fala muito mais do que sobre o crime organizado, mas sobre a história de uma família italiana. E famílias italianas são… cheias de eventos, por assim dizer. Eu não tenho uma, mas acredito fielmente nas novelas da globo.

E por mais que tenham encrencado com o protagonista (que não, não é o Marlon Brando), Al Pacino é a escolha perfeita. É gritante a forma com que ele muda o semblante da cena do seu casamento na Itália pra seguinte, quando reecontra Kay. Uma hora ele é o bom rapaz que quer se manter longe dos negócios da família, um Pacino IRRECONHECÍVEL. Na outra, ele É o Don Corleone, pronto pra batizar criancinhas, comprar senadores e matar quem se meter no caminho. Pacinão old school, do jeito que a gente tá acostumado.

Dos outros do elenco, eu prefiro falar nas duas outras partes. Esse filme é realmente do Al. Marlon Brando está, na minha opinião, numa atuação sofrível. *Desvia da pedra* Mas como é esse mesmo o objetivo, isto é, mostrar um cara acabado, tá valendo. Tanto que até ganhou um Oscar. Não que isso signifique grandes coisas, mas em 72 levaram a estatueta de Melhor Ator, Melhor Filme e Melhor Roteiro Adaptado. Tirando o primeiro quesito, os outros dois são merecidíssimos.

O primeiro é o melhor do três, pra mim. E acostumem-se, verdadeiros admiradores da trilogia tratam os filmes só por “primeiro, segundo e terceiro”. Então recomendo altamente que vocês o assistam antes da semana que vem, quando vou falar do segundo. Aliás, recomendo que assistam duas vezes. Tem gente que não vai com a cara das coisas de primeira…

Atenção especial pra duas das MINHAS cenas favoritas (não tô falando de melhor cena, ou mais bem feita ou qualquer coisa assim. São só as que eu, egoísticamente falando, gosto mais): 1- A cabeça do cavalo na cama de um chefão de cinema e 2- “Deixe a arma. Pegue o cannoli”. Eu choro de rir com essa segunda.

É isso. ASSISTAM OS FILMES, MALDITOS.

O Poderoso Chefão

The Godfather (175 minutos – Crime/Drama)
Lançamento: EUA, 1972
Direção: Francis Ford Coppola
Roteiro: Mario Puzo e Francis Ford Coppola
Elenco: Marlon Brando, Al Pacino, James Caan, Robert Duvall, Diane Keaton, Talia Shire, John Cazale

Leia mais em: , , , , ,

Antes de comentar, tenha em mente que...

...os comentários são de responsabilidade de seus autores, e o Bacon Frito não se responsabiliza por nenhum deles. Se fode ae.

  • yuri

    Sei la… deixou a desejar novamente em minha opniao…

    Vito Corleone foi o melhor papel da vida do Brando.
    Sua atuacao foi memoravel!!!!!

    E outra.. o poderoso chefao merece 10.

    A obra e mais completa do que parece.. ela trata em sua essencia como o mundo e manipulado, como quem decide o futuro da nacao nao e o voto popular, e nem a vontade do governante e sim quem detem o poder economico.

    Uma bela critica a sociedade em que vivemos.

    (To usando um teclado que ta dificil de encontrar acentos)

  • Dar nove pr’O Poderoso Chefão só mostra que você é uma garotinha que gosta de filmes de mimimi.

    Vai ver Queprúsculo, Uiara!

  • Fuzzy

    Eu ia comentar justamente o nove, mas TODO MUNDO chegou primeiro.

    Promessa cumprida é promessa cumprida. Gud dióbi.

  • Ches

    Cara,eu estava ancioso por essa resenha!

    Realmente o Al Pacino atua muito bem no filme.

    “… Então ele conta uma historinha de como o pai ajudou um cantor famoso a chegar onde chegou, fazendo o líder de sua antiga banda desistir de um contrato com uma proposta que ele não poderia recusar…”

    Essa cena,é (particularmente) demais.(Y)

    Só acho que você podia ter citado mais Don Vito,o cara é O CARA,merecia ser mais citado.

    Quando eu assisiti ao filme,e vi a cena do produtor de Hollywood acordando é memorável,uma puta cena.Acho uma das melhores.
    Agora,é só esperar pela próxima terça!
    E caralho,BéT duplo semana que vem?

  • Ches

    Merecia um 10!

  • ela sabia que todo mundo ia reclamar do 9.

    certeza.

  • uiara

    @Yuri

    Você é o Yuri daqui do staff? Enfim, que BOM que nossas opiniões divergem. Eu não acho que o Vito foi o melhor papel do Marlon Brando. Nem do filme. Mas pra facilitar um pouco, releia o terceiro parágrafo, sim? Obrigada.

    @Boss

    Você deu nove pra Casa das Coelhinhas. Repito. VOCÊ DEU NOVE PRA CASA DAS COELHINHAS. Isso te torna uma menininha mais menininha que eu?

    @Todo mundo que reclamou do 9
    Não merece um 10, na minha opinião, e tenho dito. Larguem de ser chorões.

  • @uiara
    Cê voltou bastante tempo pra procurar um nove teoricamente injustificavel, hein? Mas Casa das Coelhinhas tinha uma quantidade absurda de gostosas e me fez rir pra caralho. Claro que não é um épico nem um clássico nem nada do gênero. Mas pelo menos eu não limito meus 10 à Almodovar e Kubrick, exceto pelo 2001… Pedante pra caralho!

  • uiara

    @Leonard.

    Eu SEMPRE sei exatamente do que as pessoas vão reclamar nos meus textos. Me divirto lendo os comentários!

    @Boss

    Eu assisti esse filme só pra ver que diabos tinha de 9 ali. Nem ri tanto assim. E que culpa eu tenho se só o Almodovar e o Kubrick fazem filmes dignos de um 10?

  • Marcos Bonilha

    Caramba, a Uiara arrumou para cabeça criticando o Vitão e dando ‘9’ para Godfather.

    É a opinião dela e não discordo. Para mim é 10 e Marlão arrebenta, mas essa é minha opinião.

    No geral, a resenha ficou legal, poderia colocar mais coisas, mas aí ia estourar o tamanho do texto.

  • @uiara
    Lógico que você não viu graça. É uma resmungona que não gosta de peitos.

  • yuri

    @Uiara.

    Nao.. sou o yuri do post sobre 2001, uma odisseia no espaco…

    sei que e sua opniao, e a respeito.

  • yuri

    E nao se trata de choradeira Uiara. Tudo bem que pra voce a obra seja 9.

    Mas ela E 10, pela sua importancia para o cinema, pelas suas cenas e atuacoes (que nao sao poucas) inesqueciveis, pela direcao de um GENIO do cinema, por sua trilha sonora, por sua fotografia e por seu carater critico social… NAO TEM COMO the godfather nao merecer um 10.

  • Iuri

    Dar 9 para “The Godfather” deveria estar previsto no código penal com cadeira elétrica!
    Mas eu sei que foi só por brincadeirinha! :D

  • Emerson

    Comentarios fracos, afinal pra quem leu o livro sabe muito bem que o Don Vito NÃO mandou matar os agressores da filha do Bonasera, e sim dar uns espancos nos caras….e porque o casamento do Michael com Apollonia na Sicilia???? Não entendeu porque????? Assista de novo!!!!!…….ahhh com certeza o seu 9 foi pra chamar a atenção, ou porque quer mostrar que é do contra ou que tem “visão apurada” (sic)

  • A trilogia é nota 10, e justamente por ser “a trilogia”. É uma raridade constatar que todas as partes de uma trilogia sejam boas… Geralmente a primeira se destaca das demais. Em Godfather as 3 partes foram primorosas. Realmente foi o melhor filme do Marlon Brando. Mas que os fãs de Brando me perdoem… Al Pacino foi muito melhor.

  • Uiara

    atrasada.

    @Emerson
    Eu não li o livro, e se você tivesse visto o resto da resenha (a parte II e III), saberia. É um tanto quanto pedante dizer isso, e não se deixe enganar pensando que desprezo a literatura – o que está bem longe da verdade – mas o fato é que essa é a resenha de um FILME. Sua falta de atenção pra perceber isso só mostra que, apesar de TANTO amor pelo literatura, você esqueceu de ler a parte que diz “cinema” ali em cima.
    Dito isso, não sei de onde você tirou que falei que o Don Vito MATOU os agressores da filha do Bonasera. E NO FILME o casamento com a Apollonia não faz lá muito sentido mesmo. Eles se conhecem, se casam, ela morre e fim. Sem contribuições maiores. Meu 9 foi pra expressar minha opinião, que não permite dar 10 pra um filme onde eu vejo as imperfeições que já citei.
    Recomendo que você procure o que “sic” quer dizer, por sinal.

    @Dilson
    Não foi o melhor filme do Marlon Brando. Mesmo. Mas cê tá certo quando diz que o Pacino foi muito melhor.

  • Depois de ler essa resenha (as 3 parte) me bateu uma vontade de assistir tudo de novo! Todos muito bons, o primeiro e segundo os melhores, o terceiro mais fraco, mas bom também. Li ou ouvi em algum lugar que o bebê batizado no primeiro filme seria Sofia Coppola, isso é vero?

busca

confira

quem?

baconfrito