Love Is Dead (Kerli Kõiv)

Música quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Acho que, a essa altura, quase todo mundo já ouviu falar da Kerli Kõiv, principalmente depois de sua participação na trilha sonora do Alice no País das Maravilhas (Alice In Wonderland) do Tim Burton.

 Até que vale a pena conhecer heh

Kerli nasceu na Estônia dominada por quem acha que o país só serve pra rimar com Letônia e Lituânia pela União Soviética, cheia de gente alienada e sem criatividade – o que só prova que bullying, quando bem aplicado, dá ótimos resultados, já que ela era ignorada pelos amigos e familiares por ser estranha demais. Com o tempo e a queda da União Soviética, a Kerli pôde desenvolver suas canções, ganhar diversas competições musicais na Europa e finalmente, em 2008, lançar Love Is Dead. O primeiro álbum de estúdio se saiu relativamente bem pelo mundo afora, mas foi de grande sucesso na Europa.

Antes de tudo, já vou avisando: Kerli não é pra se gostar de primeira. Muita gente costuma compará-la à Lady GaGa, e não é sem motivo. Ela gosta de experimentações, de jogar coisa estranha no meio da música e deixar por isso mesmo. Sem falar na voz dela, que é estridente, repuxada e rouca. Então, peço-lhes encarecidamente um balde pouco de paciência, já que vai ser difícil. Prontos?

Começamos com Love Is Dead, música que dá nome ao CD. Pela minha experiência, já digo que essa aqui vai resumir completamente o que o álbum veio trazer. Então, se você já começou não curtindo, pode desligar o player e voltar pra Hannah Montana. Enfim, é um dos poucos momentos onde a Kerli flerta com o rock. A bateria é bem marcada, mas as guitarras fazem o estilo “visita à casa de parente chato”: Chegam, dão oi e vão embora. Muito sintetizador e aquelas coisinhas lindas chamadas strings. Tenho certa implicância com esses efeitos de teclado, por causa da música gospel, mas aqui dá pra engolir.

Depois tem Walking on Air – o maior sucesso do CD. Pegou alguns top10 pelo mundo afora, e posso jurar que já ouvi tocando em alguma loja de departamento. Da primeira vez que se ouve, dá pra perceber que a música é sobre a vida da Kerli. Lembra da questão da alienação das pessoas na União Soviética e blá blá blá? A Kerli era tida como a diferentona, a menina estranhamente perigosa e louca – “she was going to set her world on fire”. Os pais dela provavelmente desestimularam o máximo que puderam a produção artística da filha por medo de represália. Mas enfim, primeira canção com alguma pitada de coisa diferente, a começar pelo xilofone presente na maioria dos versos. O mais legal, porém, é a batida da música. Me lembra bola de papel higiênico molhado.

The Creationist é uma música sem sal. Não mostra o motivo de ter sobrevivido em meio aos demos e ter entrado na versão final do álbum. Sem medo de flame war, já digo logo: Essa letra é retardada demais. Fala sobre o processo de criação e blá blá blá olha que legal a mosca na janela. Próxima, antes que eu desista dessa mulher.

I Want Nothing é uma das melhores músicas do álbum. Outra onde a Kerli flerta bastante com o rock. O que eu acho mais interessante é que ela consegue fazer a coisa soar como rock sem valorizar muito as guitarras, só usando sintetizadores e outras coisas estranhas. Praticamente o mesmo que tocar música clássica em triângulo de forró. A bateria some um pouco, o que é estranho num CD onde o forte são as batidas diferenciadas. A guitarra dá uma choradinha maneira também.

Up Up Up dá vontade de morrer só de ouvir por tamanha depressão em tão pouco espaço de tempo. Ô letrinha perfeita prum dia chuvoso. Essa música é muito neutra: É uma boa ideia, porém não executada ao máximo. Ela dá espaço pra densidade, e ficaria melhor se a Kerli tivesse investido em mais vozes sobrepostas no refrão e instrumentos orgânicos. Tem um violão que podia ter sido melhor utilizado, por que só salpica alguns versos. Ainda assim é muito ouvível. A finalização em strings foi bem feita.

Bulletproof: A melhor música do álbum – entra fácil no meu top particular. Já enfrentei várias fossas com ela. O peso da melodia contrasta com os instrumento de “sininho” (Xilofone, teclado), e a atmosfera que sai é de uma doçura… Temperada com sangue. A letra é chorosa, um atestado de falta de dignidade do eu-lírico disposto a perdoar os erros do passado e… Chega, próxima.

Beautiful Day tem um sample no início bem legal, mas engana. A música se perde em vários momentos, sem saber se investe numa atmosfera receada de groovy ou volta pro eletrônico. Ainda assim, é bastante boa, principalmente se levarmos em consideração o tamanho da cagada que podia ter sido feita. Incrível como, mesmo errando, essa mulher consegue marcar alguns acertos.

Creepshow foi o segundo single do álbum. Sem dúvida, é a música mais divertida e diferente. É dançante e engraçadinha, principalmente pela letra dedicada a brincar com a nacionalidade da cantora (“I came from the hidden land of Stonia”). Repetitiva, mas funciona bem dentro da proposta.

Hurt Me emplaca como segunda melhor música do álbum. É pesada, de letra agressiva. Música bem cheia de personalidade. Mais um flerte de leve com o rock, mas aqui, finalmente, a guitarra tem seu valor. A Kerli finalmente explora a voz na ponte, se arriscando em algumas notas mais altas sem apelar pra “estridência” (Esse termo existe?).

Quanto a Butterfly Cry, só digo que zzzzzz
*bolhinha de catarro estoura no nariz*
Oi? Ah, sim, ehrn, então. Devia se chamar Let the butterfly sleep.

Strange Boy chega como o momento vadia do álbum. Baixou o encosto da puta na Kerli e ela canta abertamente sobre rejeitar um relacionamento sério, mas que todo mundo sabe que no fim ela vai aceitar o cara. Aliás, boa trilha sonora pra friendzone.

E pra encerrar o álbum, nada melhor que uma baladinha que provavelmente passaria despercebida no meio do CD: Fragile. Musiquinha sem sal, que tenta crescer e ganhar peso, mas não consegue. Mesmo assim, é boa pra dormir. A letra também é ruinzinha, pelo menos ao comparar com o que a Kerli já conseguiu escrever.

Balanço final:
A Kerli é uma menina de potencial. Apesar de algumas escorregadas por querer inovar demais, ela cumpre o papel. Assim como todo primeiro álbum, Love Is Dead cumpre o propósito de apresentar o conceito da cantora e abrir as portas do mercado, acostumando os ouvidos dos consumidores. Apesar de ser difícil de gostar numa primeira vez, Kerli vale a pena. Ela, pelo menos, saiu daquela velha receita de bolo do eletro-pop atual. Pelo menos vale o tapinha nas costas pela tentativa.

Love Is Dead – Kerli Kõiv


Lançamento: 2008
Gênero musical: Alternativo
Faixas:
1. Love Is Dead
2. Walking On Air
3. The Creationist
4. I Want Nothing
5. Up Up Up
6. Bulletproof
7. Beautiful Day
8. Creepshow
9. Hurt Me
10. Butterfly Cry
11. Strange Boy
12. Fragile

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