Guilty pleasures – Ou “nunca mais me respeitem”

New Emo sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Em algum momento da minha vida, eu me esforcei. Tentei ler livros decentes, assistir a programas de TV decentes e ouvir música decente. Juro que tentei manter meu currículo impecável, ser uma autoridade no assunto qualidade. Me frustrei tentando ser exemplo de elegância e bom gosto. Me dispus a vir aqui semanalmente pra, às vezes, criticar artistas que estivessem na moda. A maioria das vezes com razão, claro.

Porém, se Dado Dolabela soubesse da minha existência, estaria em pé junto de uma multidão ensandecida, levantando um daqueles charmosíssimos garfos gigantes e incendiados [Nota do tradutor: Ancinho]. Sou a maior traidora de movimentos da história das traições de movimentos. Vim aqui admitir meus crimes.

Caralhas, que poço de vergonha alheia eu sou. Já viram minha banda predileta?

Vou confessar. Ao mesmo tempo em que estudo piano clássico e jazz, consigo bater cabelo loucamente escutando Simple Plan. Me divirto com os clipes de Epica e ainda fico revoltada quando alguma fã de Avril Lavigne faz polêmica em cima da Amy Lee. Quer mais? Na minha estante, AC/DC e Aerosmith convivem pacificamente com Evanescence e Nightwish. E o último já sem a Tarja, pra piorar. Amo rock farofa. Escuto Lady GaGa – Coisa impensável de se admitir até o texto dessa semana – Birdy e, às vezes, presto atenção no The Voice Brasil.

Me processem.

Vamos chegar num acordo e combinar o seguinte: Na vida, você precisa de diversão barata. Ninguém aguenta chegar em casa, depois de pegar setenta e duas horas de trânsito e aborrecimento e abrir Edgar Allan Poe pra ler. Por mais hipster que um indivíduo possa chegar a ser, duvido que o mesmo se disponha a atirar a primeira pedra quando perguntarem se ele nunca deu uma risadinha assistindo a Caceta e Planeta. Ou, como é mais apropriado à temática da coluna, se nunca dançou na boquinha da garrafa ou cantarolou Sorriso Maroto depois de uma noitada com os amigos.

Infelizmente, vivemos numa revolução babaco-nerd. Todo mundo quer ser culto e entender todas as referências de Big Bang Theory, tanto as científicas quanto as culturais. E, rapaz, esse momento de culteza tinha tudo pra ser bom, pra acrescentar coisas construtivas à vida das pessoas. Somos tão idiotas que até a vontade de estudar conseguimos transformar em bosta.

Sim, “nós”, tô falando na primeira pessoa do plural. Eu já sacaneei quem lesse Nicholas Sparks. E apontava o dedo com convicção, apesar de cometer as minhas próprias muitas gafes, já citadas acima. Mordi a língua quando vi gente respeitável, professores de literatura formados em excelentes faculdades, devorando os livros dele. Gente que analisava Shakespeare, Tolkien, Stephen King e outros mestres da literatura e encontrava, dentro de si, espaço pra livros despretensiosos. Um encontro entre dois mundos, literalmente.

Você não precisa mostrar pra todo mundo os seus dotes neurológicos. A sua competência não é medida pelo o que você curte fazer no momento livre. Ouvir Mozart, É O Tchan ou, sei lá, dar o cu, não interferem na sua capacidade. Para de tentar ser impecavelmente correto 100% do tempo. Se não existisse gente ruim como Salieri ou Hannah Montana, ninguém ajoelharia todos os dias e agradeceria aos céus pela existência de Beethoven. Se liberta, mona.

Zoar, fazer piada e estar aberto a puxões de cueca por causa de alguma coisa que cê goste, tudo bem. É saudável e faz parte. Passar o dia no Facebook reclamando de quem vai em baile funk é coisa de gente idiota. Aqui vale o mesmo princípio do homofóbico: Só liga pro gosto alheio quem é mal resolvido com os seus próprios.

Passem bem, desencanem e arrumem uma louça pra lavar antes de falar qualquer coisa sobre pessoas que você considera inferiores por causa de gosto pessoal.

E me contem aí nos comentários as coisas vergonhosas que vocês gostam de ouvir. Por favor, não me deixem aqui sozinha nas confissões.

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...os comentários são de responsabilidade de seus autores, e o Bacon Frito não se responsabiliza por nenhum deles. Se fode ae.

  • Loney

    Peço encarecidamente que nenhum leitor comente aqui.

  • eu ia até comentar… mas respeito mais o Loney que a Aline

  • LP

    Bem, devo concordar com o Cadu

  • Loney

    Valeu caras =D

  • Ricardo

    Ah… A juventude ;)

  • Anonimo

    1. Evanescence eh bom
    2. Nicholas Sparks… lolololol
    3. Muitos vao me xingar aki, mas as vezes escuto justin bieber, rsrs, apesar de muitas outras escutar nirvana…

  • nacer

    Quando eu era moleque curtia Limp Bizkit. Agora que cresci gosto de Linkin Park.

  • Evanescence é bom para adolescente menstruadas.

  • ClaytonSlayer

    Deu vontade de mandar esse texto para uma meia dúzia de babacas, como indireta… Só que é muito mais legal falar na cara.

  • As pessoas são muito implicantes. Muito pseudo. Vamos ser nós mesmos. Você pode ser culto, entender de música, de literatura e gostar do popular. . Não há nada de errado no popular.

    Eu, por exemplo, amo novela. Ouviram bem? AMO NOVELA. Assisti a todas as reprises de A Usurpadora. Incluindo essa. E quando não to em casa, porque sou gente bem e tenho que botar comida na boca das crianças, gravo pra ver depois. Ah, sim, to amando essa temporada de Malhação também.

  • TÁ DEMITIDA

  • Falando sério agora, vou ter que citar Dave Grohl:
    “I don’t believe in guilty pleasures, you know. I believe you should be able to like what you like, if you like a fucking Kesha song, listen to fucking Kesha.”
    Em uma tradução livre: Se você gosta de alguma coisa, foda-se. A vida é sua.

  • Loney

    Falando sério agora, vou ter que citar Morgan Freeman:
    “Otherwise, shoot this motherfucker”
    Em uma tradução livre: Enfie uma bala na cabeça deles.

  • Paulo

    Foi da bosta pra merda.

  • Apenas faça o que quiser e me deixa em paz porra – esse é um bom lema de vida

  • IH QUAL FOI A DE VCS

  • com evanescence ninguém mexe

  • Exato. Em merda ninguém mexe pra não sujar a mão.

  • Arthur

    Eu sou totalmente culto e nunca erro. Rá.

    Pegadinha do malandro.

  • por isso que você não tem amigos então

  • Cê tá abaixo de mim, ou seja, cê acabou de se colocar abaixo de merda. E CÊ NÃO TÁ DE LICENÇA?

  • O RECALQUE BATE NAS ORELHINHAS DO MICKEY E VOLTA

  • Daora seu “argumento”

  • katie

    ” se a vida te der um limao, exprema na cara de quem merece”
    ” se n puder ajudar atrapalhe pois o importante é participar”
    esses sao lemas de vida

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