E House acabou

Televisão segunda-feira, 04 de junho de 2012

House, assim como tudo na vida est finitum, e como não poderia deixar de ser, o fim chegou. Foram oito longos anos de altos e baixos, de repetição de uma fórmula, de bons personagens e do médico mais amado da televisão mundial. Um personagem que conseguiu cativar milhares de pessoas com seus momentos antológicos e seu anti-carisma e suas concepções simples sobre o comportamento humano. E porque não por nos ter educado? Afinal, nunca é lupus.

 Antes de tudo uma história de amor.

A derradeira temporada foi para mim uma das melhores; se as quatro primeiras foram geniais, a quinta média, a sexta e a sétima um saco, esta última ultrapassou minhas expectativas. Não vou negar que sou um fã de carteirinha do Dr. House, porém vamos combinar que estava na hora. A fórmula do seriado estava batida e deixando tudo muito previsível. É impressionante como os roteiristas são sem criatividade e não só neste caso, ou vai falar que você nunca reparou que quase todos os seriados seguem um padrão lawandordiano de repetição? Em certo momento eu senti que os personagens foram deixados de lado em favor da resolução de um puzzle, e claro, da figura central do programa.

Grande parte dos personagens que passaram pelo seriado são interessantes, uns no mínimo fascinantes. House é um boçal, e é um dos melhores personagens já criados. O cara é obcecado por enigmas. Só que, parem pra pensar, os quebra-cabeças que ele resolve envolvem a vida de terceiros. É quase como se você matasse alguém cada vez que não conseguisse responder a uma charada. A “apatia” de House com relação aos seus pacientes só deixa mais claro o que realmente importa para ele. Claro, você pode dizer que ele se envolve com os pacientes, dá palpites na vida alheia, ajuda os outros usando uma psicologia reversa housiana, porém o que importa no fim é chegar à verdade. Wilson é o coração da bagaça, porém apesar de ser bonzinho e funcionar como consciência do Greg, ele também é um mané no fundo. É impressionante como ele, muitas vezes em conjunto com a Dra. Cuddy, criavam armações complexas para colocar House no caminho que eles julgavam ao certo. Sim, Wilson é o defensor da moral e dos bons costumes, porém de um jeito genial. Dra. Cuddy foi a chefe do hospital da 1ª à 7ª temporada, sendo uma brilhante administradora que consegue manter House na linha através do uso descarado de manipulação. De personalidade forte, acaba se envolvendo com o médico, o que dá merda, claro. Dos personagens que fizeram parte do time, Foreman, Chase e a 13 merecem mais destaques. Foreman é o segundo melhor médico da equipe de diagnósticos, sendo quase sempre o segundo em comando. Ele acaba se tornando o capo di tutti i capi com a saída da Dr. Cuddy. De modo geral, Foreman é um House piorado com um senso moral mais desenvolvido e de menos senso de humor, além de ser ambicioso à ultima potência. Acredita que ele dá um pé na Olivia Wilde porque vira chefe dela? Cara, por causa de uma mulher dessas você se demite, mas divago. Chase é o médico que vira garanhão depois que sua esposa o abandona, após errar intencionalmente um tratamento, ocasionando a morte de um ditador genocida. De modo geral, ele é o personagem que lida melhor com o jeito do House, uma vez que o próprio senso moral dele é meio ambíguo. No começo da série chega a ter um arranca rabo com o House, que queria demiti-lo, mas ele acaba mantendo seu emprego se aliando ao novo “dono” do hospital. Dra. Hedley “13” é a médica mais gostosa da história, bissexual e tudo. Auto-destrutiva em vários sentidos, seja por conta de sua doença ou de eventuais surtos de drogadita, 13 é a personagem mais reservada, não tendo muita necessidade de tratar de seus dramas pessoais com os outros colegas. Nesta ultima temporada tivemos os personagens mais desinteressantes de todos os tempos, mas isso não importa, uma vez que não teria como estes serem bem desenvolvidos mesmo.

E o que eu tenho para dizer sobre o final? Foi como deveria ter sido. House, de todos os personagens, não merecia um final feliz, e qual o melhor jeito de fazer isto? Matando o Wilson. Tudo bem que a irônia de um médico que é especializado em câncer padecer deste mal não ser algo revolucionário, a maneira com que os dois trataram a doença foi interessante, com House se desesperando para ter o máximo de tempo possível com o amigo, mesmo que por motivos egoístas. O jeito como o doente mostra que em casa de ferreiro o espeto é de pau por escolha também foi bem pensado.

Além disto, esta temporada deu a devida importância à co-dependência de House e Wilson. Não tem como negar, é uma amizade onde um não leva nenhuma garantia e mesmo assim permanece firme, mesmo quando tudo balança. Se o Wilson não fosse viciado no House, qual seria o sentido de manter um relacionamento tão duradouro? Grande parte dos episódios mostra os conflitos e as resoluções na convivência dos dois. A quarta temporada é um clássico, quando o oncologista encontra uma namorada que, é claro, abala a relação dos dois, e House tenta de todo modo sabotá-la. O final desta temporada, aliás, é magistral. Na temporada seguinte, os primeiros episódios são povoados de esforços por parte do protagonista em reconquistar a amizade perdida.

No fim, foi isto: House teve o final miserável que merecia, cercado de uma certa mística de final feliz, mas que no fundo não esconde que tudo na vida dele será fodido sem o Wilson. Além disto, o fim da série me deixa a mensagem de que certos paradigmas tem de ser revistos, como o trato dado pelos roteiristas aos personagens, a insistência com finais felizes ou surpreendentes de mais, e a repetição de fórmulas em todos os episódios. Acredito que teria sido interessante se o House tivesse errado mais, ou outras pessoas tivessem resolvido mais mistérios, ou que a maneira como se chegava às descobertas não fosse sempre a mesma. No mais, foi um final digno para um seriado que mesmo com a queda de qualidade se manteve melhor do que muitos outros por ai.

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