Castle é a melhor série policial de todos os tempos, e você não pode fazer nada quanto a isso

Televisão quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Imagina um universo onde o Paulo Coelho resolve ajudar a polícia do Rio de Janeiro a resolver crimes relacionados ao narcotráfico. Muito esquisito? É, eu também achei, já que o Paulo Coelho nem é romancista policial. Esqueçam esse exemplo, imaginem Sir Arthur Conan Doyle ajudando a polícia londrina a resolver crimes. Talvez a Agatha Christie fosse uma escolha melhor, mas ela não é um playboy, então sosseguem o facho ae.

 No começo ele era molecão. Agora tá só o pó da rabiola.

Vamos por partes, como diria aquela piada horrível sobre Jack, o Estripador: Tudo começou a um tempo atrás, na ilha do Sol quando um psicopata resolve se passar por copy cat [Ou, em linguagem que vocês da internet entendem: Kibar] dos crimes descritos nos livros de Rick Castle. Como o cara tá tentando pensar como o escritor de best sellers, nada mais justo do que pedir uma força do próprio escritor pro caso, certo? Ei, não critique, a polícia de Nova Iorque até que funciona bem, mesmo seguindo essa lógica louca [Pra nós, pelo menos].

Mas ainda assim, nada muito fora do normal, não é mesmo? Consultores são consultados [BADUM TSS] pela polícia o tempo todo. O que faz de Castle uma série tão especial? Bom, pra começar, o humor do Castle é meio imbecil, ao mesmo tempo que pede um conhecimento prévio, já que ele é uma paca feito eu ou você [Mais provavelmente que seja feito eu], e no entanto ele é mestre, tanto pra encadear pensamentos como pra criar teorias loucas, algumas inclusive acabam acertando na mosca.

Mas o que realmente prendeu o jovem escritor ao 12º distrito foi outra coisa:

 TEJE PREZO!” Eu tou cheio dos trocadilhos hoje, puta merda.

É, meu amigo, se você é homem você deve entender esse sentimento: Se arriscar a tomar tiro, levar facada, ser espancado, sequestrado, torturado, perseguido e o que mais for por uma mulher [Ou homem, sei lá, problema é de vocês]. A diferença é que, nesse caso, a mulher pode te salvar dessas putarias. E ela vai, ah se vai. No decorrer da série, a detetive Kate Beckett acaba tirando o Castle de várias enrascadas. E botando em outras. E sendo salva por ele. E pelo povo da delegacia. Tá achando o que? Essa é outra das belezas dissaqui: Apesar de usar deus ex machina como quase toda ficção, não é um recurso batido e recorrente. O realismo [Que é diferente da realidade] aqui é outro, e a verossimilhança se mantém constante, desde que você admita a suspensão de descrença. Falei grego? Resumindo: Se você não for um reclamão, o negócio fica bem fácil de engolir, dentro do universo da série.

Mas ai você me pergunta: Como que esse louco conseguiu ficar na cola de uma policial de Nova Iorque, um dos trabalhos mais arriscados… De Nova Iorque? Fácil: Contatos. Castle é truta do prefeito, que permitiu que ele seguisse Beckett por motivo de pesquisa [A consultoria foi só no crime relacionado ao copy cat]. Que cáspita de pesquisa, você deve estar se perguntando. Imagine que você é um escritor rico, famoso e bem-sucedido. Fácil imaginar, né? Eu penso nisso o tempo todo. Mas imagine agora que seu personagem recorrente principal já não te anima, e você tá com um bloqueio. Nesse meio tempo, você conhece uma policial gatinha, inteligente e fodona. Que te poe pra correr, inclusive. Fala a verdade, homem é tudo bicho besta. A gente gosta é de correr atrás do que não tem, de sofrer. Não é surpresa que Castle esteja interessado em Beckett, e vice-versa. A diferença é que, como todo homem, Castle deixa isso bem claro. E como toda mulher, Beckett nega até a morte. Ou até a quarta temporada. Terceira? Não, quarta mesmo.

 E, como sempre, cabelos longos são melhores.

“Tá, seu filho de uma puta sem costume, mas porque eu deveria assistir a série?” Então, meu jovem. O negócio é o seguinte. Apesar de ser uma série policial, os personagens não são rasos feito a sua conta bancária. Não senhor, eles tem camadas, feito pessoas reais, e fazem caquinhas, feito pessoas reais. Tomemos por exemplo o capitão Roy Montgomery… Não, melhor usar outro exemplo. Kevin Ryan: Aparentemente é aquele cara certinho, pau-mandado da muié, criado em colégio de freira, etc etc. Até que a galera descobre que ele passou um tempo infiltrado como fodaralho na máfia irlandesa [Ou o que o valha]. Inclusive, o modo como isso é descoberto é completamente bizarro. Profundidade, bitches.

Os relacionamentos não se dão só no nível profissional. As personagens tem ligações afetivas, não são apenas cascas vazias. O Bromance de Ryan e Javier Esposito, o gato e rato de Castle e Beckett, a relação deste com sua mãe, Martha, e sua filha, Alexis.

Aliás, faço uma pausa aqui, porque a atriz que faz a filha dele, Molly C. Quinn, é sensacional. E não é jailbait desde… 2011. De nada.

 PAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAUSA PARA APRECIAÇÃO!

Sem contar a relação de amor e ódio entre Castle e suas ex. Eu nem vou me aprofundar porque relação com ex é um negócio complicado, e eu tou pretendendo não me prolongar muito. O que interessa é que uma das ex do cara é também a editora dos seus livros, e outra é a mãe da Alexis, então cê já sabe que uma hora vai dar merda. Se não sabe, confia em mim que você passa de ano.

Outra coisa que me faz gostar tanto dessa porcaria são as referências, sejam diretas ou mais mascaradas. As participações especiais são foda, a quantidade de citações à cultura pop em geral e nerdices em particular e as gostosas [Que não são referência a nada, mas foda-se] é genial. Coisas como, num episódio sobre convenções de ficção científica, citar “aquela série de ficção do Joss Whedon” sem no entanto falar o nome dela, me fez rir por uns bons minutos. E, pra quem não entendeu, eu explico: A tal série do Whedon é Firefly, que foi protagonizada por ninguém menos que Nathan Fillion, ou seja, Castle. É uma referência sutil, porém poderosa. E tem muitas outras mais de onde essa veio, mas você vai ter que assistir a série e prestar atenção no que é falado.

E o negócio tá longe de acabar, viu? São cinco temporadas, com uma sexta na cara do gol. Se não me engano, deve voltar agora em setembro, dia 23, segunda feira. E não, eu não tinha me programado pra escrever sobre ela antes do retorno da mesma, foi mais coincidência que qualquer outra coisa. Mas não vai me assistir a sexta temporada sem assistir as outras cinco antes e vir aqui reclamar, que eu lhe dou um tabefe na fuça. Lazarento.

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  • Luiz Carlos Santos

    Essa resenha me animou a assistir à série. Tinha assistido a alguns episódios na globo e achei a série legal, nada demais. Mas vou confiar na sua opinião e deixá-la na minha lista de séries a dar uma chance.

  • Dica: Série dublada perde muita coisa.

    E episódios aleatórios acabam com a magia da coisa, Castle é série pra acompanhar evolução dos personagens e do relacionamento entre eles.

  • Luiz Carlos Santos

    Concordo com você nessas duas coisas. Dublagem me irrita por justamente “Harmonizar” demais as vozes, deixando-as muito certinhas e iguais, fora que sempre temos aquela sensação de que “já escutamos essa voz em algum lugar…”. E é claro que você não assiste com a mesma expectativa uma série aleatoriamente do que a uma em que você já está a par do que está acontecendo, já estando ligado nos personagens e esperando se sua torcida por algum acontecimento dará resultado. Mas vejo essa coisa de dar uma olhada nas séries que passam na TV como uma espécie de “amostra grátis um pouco pior”, que serve para você “sentir o clima” da série, conhecer melhor os personagens, vê se a história é do seu gosto. Há tempos anos atrás, pela falta de internet, e hoje bem menos, pela falta de tempo, venho fazendo isso. Foi assim que tive os primeiros contatos de séries que me conquistaram, como Friends, House, Everwood, Blossom, Um maluco no pedaço, entre tantas outras.

  • Esse sentimento de “Já ouvi esse cara antes” se intensificou conforme eu tomei ciência do tamanho da dublagem no Brasil: Minúscula. É muito pouco dublador, e menos ainda de gente talentosa, já que tem vários que são artistas que cairam de paraquedas na bagaça.

    Quanto a pegar episódio aleatórios, geralmente vai de sorte. Cê pode pegar um bom, mas pode pegar um ruim. Eu prefiro amostragem: Sugestões de quem eu conheço e tenho noção de como é o gosto, comparado com o meu. E mesmo assim existe espaço pra não bater o santo com o da série. [Se é que você me entende].

  • Ingrid M H Pianta

    Concordo contigo . Gosto muito dessa série e sempre que posso assisto .

  • Janaina

    Sabem uma das coisas que o colega que escreveu a resenha esqueceu de mencionar e é SENSACIONAL é q Rick Castle lança um livro da personagem que ele tá “pesquisando”(ou seria fantasiando?) correndo atrás da Beckett ao fim de cada temporada! Ou seja, vc pode ver Kate Beckett na tv e ler Nikki Heat ( essa é a personagem baseada na policial) nos livros! E mais, parece que a Marvel ainda publicou as aventuras do personagem da série de livros que está acabando no início da série.

  • É sério isso?

  • EdandRoll

    Sem sombra de dúvidas e a melhor série policial de todos os tempos tem ação,comédia,romance e uma lógica na resolução dos casos que é coerente com os crimes, incorporando o lado família de Castle.Sem contar que os personagens valorizam a honra e o caráter ,o que hoje é incomum pois as pessoas só valorizam personagens que SÃO LIXO NA SOCIEDADE e não ensinam nada de útil somente ser promíscuo,ladrão e mentiroso(tudo que sua mãe,pai e filhos não possam assistir e ensinar É LIXO)portanto CASTLE é umas das melhores séries e não se pode fazer nada quanto a isso

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