A Quebra da Quarta Parede

Nona Arte quarta-feira, 24 de março de 2010

Antes de tudo, um prelúdio: No teatro/cinema, literatura e até em alguns jogos, existe uma barreira invisível, comumente denominada de Quarta Parede, que separa os personagens dos espectadores, leitores ou caras entupidos de cafeína há 6 horas tentando passar da mesma fase gamers. Essa barreira é o que impede que os personagens se comuniquem ou interajam com a “platéia”.

Isso dito, voltemos à programação normal.

A quebra da quarta parede está longe de ser algo incomum. No cinema/TV, é comum em filmes de comédia, especialmente os nonsense, mas ficou mais famoso com os Irmãos Marx, O Show de Truman e com a Película Amada, Idolatrada Salve Salve da Uiara, Curtindo a Vida Adoidado. Nos jogos… Bom, meu último console foi um SNES, então o único jogo que eu lembro no momento que tinha algum tipo de quebra da quarta parede é Teenage Mutant Ninja Turtles. Na literatura, isso é mais comum em coletâneas de crônicas e livros com conteúdo político ou religioso. E, claro, é bastante utilizado aqui no Bacon.

Mas, e nas HQs, isso ocorre? Claro! É um recurso de primeira qualidade, e não deixaria de ser usado numa mídia que oferece tantas opções de interação.

O clássico a se citar aqui é, obviamente, Deadpool. O merc-with-a-mouth costuma, em suas histórias, conversar com os leitores, geralmente fazendo comentários mordazes e/ou sarcásticos e/ou engraçaralhos ao leitor. Outro exemplo bastante famoso é O Manual do Caçador de Recompensas, que tem o Putardo-Mor como protagonista num manual cujo título é auto-explicativo.

Existem, também, os casos nos quais a quebra da parede não é total, se comparando mais a uma porta ou janela aberta. Ocorre quando um personagem está falando com outro, mas, devido ao ângulo em que a situação é mostrada, acaba parecendo que um dos personagens está se dirigindo, também, ao leitor. E, no momento, o único exemplo desse tipo de abertura vem da minha HQ preferida… Isso mesmo, Sandman. Geralmente, isso ocorre com falas que exigem reflexão por parte do leitor, mas há alguns casos em que os personagens dirigem-se direto ao leitor (Ou assim parecem fazer). Um bom exemplo é o início de Entes Queridos, no qual vários habitantes do Sonhar e o próprio Morpheus realizam um tour pela Terra dos Sonhos.

A quebra da quarta parede, no entanto, deve ser utilzada com cuidado. Transformar o que deveria ser uma discussão com um inimigo em um bate-papo com o leitor, a não ser que você seja um gênio, provavelmente vai ficar uma merda. E, no caso aqui do Bacon, nós queremos discutir opiniões com os leitores, então a quebra da quarta parede acaba por se tornar algo essencial.

E você, caro(a) leitor(a), o que acha da quebra da quarta parede?

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  • Penso que esse recurso é um diferencial. Interação sempre chama atenção (e rima também). Além disso, essa sensação de proximidade que é criada acaba por envolver ainda mais o leitor/jogador/espectador. Quem já usava isso muito bem era o mestre Machado de Assis.
    Nos quadrinhos é tudo mais natural ainda, mas como você ressaltou, é importante ter cautela.
    Não conhecia esse termo (quebra da quarta parede). Quais são as outras paredes?

    BTW, você mesmo é um grande “destruidor da quarta parede”, não é Guten?

  • Guten

    Jorge, praticamente todo mundo aqui no bacon (E no extinto AOE, e na nossa contraparte otaka, o Sake com Sal) usa a quebra da quarta parede. Mas eu exagero, geralmente. Vide a série “Trazendo à Realidade”.

  • Acho fabuloso, mas somente quando é feito de forma sútil, pela janela, como você diz.

  • Tem o Capitão Planeta. No fim de cada episódio ele literalmente conversa com o telespectador.

    oaekpaekepaoeko

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