O rei está morto, vida longa ao rei

Cinema terça-feira, 14 de agosto de 2012

Cults, intelectuais, pseudo-intelectuais e os outros 7 leitores do Bacon afirmam que filmes de ação são todos iguais, umas porcarias, sem história e esse blábláblá todo que essa galerinha que se acha inteligente adora dizer de filmes que não são europeus. Mas se você não for uma menina e não agasalhar o croquete, você definitivamente tem a obrigação de gostar de filmes de ação. Principalmente se o filme for do Charles Bronson. Discorda? Então corre pra ver o novo vídeo da Acid Girl.

É claro que ninguém vai assistir um filme de ação esperando tirar uma grande lição de moral no fim ou sair do cinema vendo o mundo de outra forma, mas convenhamos: Nós ogros, necessitamos de um pouco de explosões e tiroteios sem sentido algum, de vez em quando. A muito tempo atrás, antes da existência de Jason Statham, o Domingo Maior, aquela sessão de filmes do final de domingo na Globo, vivia de filmes de Charles Bronson. De todos esses “astros de ação”, o único cara que merece o título de rei da ação é Charles Bronson. Simplesmente porque o cara é prático.

Vamos lá, como é todo final de filme de ação? O mocinho chega lá, apanha desesperadamente e nos últimos minutos dá a volta por cima e com um mega golpe derrota o vilão (Sim, estou falando de você, Van Damme). É sempre assim, todos fazem isso, menos ele, Charles Bronson. Após fuzilar todos os bandidos da cidade, na hora de enfrentar o chefão, ao invés dele invadir o covil do cara com uma pistolinha e se foder como os outros, o grande mestre Charles fica de longe com uma bazuca, mira no covilzinho do vilão e manda tudo pras cucuias. E é assim que um cara inteligente resolve seus problemas. Bronson só se consagrou como astro de ação após Desejo de Matar, de 1974, onde interpreta um arquiteto que, após ter a mulher morta e a filha estuprada, passa a matar os vagabundos que encontra pelas ruas.

Porém, no Brasil, Bronson viria a ficar ainda mais conhecido por causa de Escadinha. Sim, ele mesmo, o bandido. Em 1975, Bronson atuou na famosa cena de Fuga Audaciosa, onde pousa um helicóptero no pátio de uma prisão e resgata Robert Duvall. Pois é, em 1985, Escadinha usou da mesma malandragem pra fugir da prisão de Ilha Grande. Claro que o helicóptero do Escadinha não era pilotado pelo Bronson, né. Mas enfim, foi por causa disso que os filmes de Charles Bronson se tornaram obrigatórios no Domingo Maior. Bem, o sucesso de Bronson aumentou ainda mais com as sequências de Desejo de Matar.

Como desgraça pouca é bobagem, em Desejo de Matar 2, de 1982, a filha de Kersey, personagem de Bronson, é novamente estuprada, e dessa vez também é assassinada. Sendo assim, Kersey faz o que todo pai que já foi vigilante faria: Pega sua arma e começa a caçar os vagabundos que arruinaram sua vida. Em Desejo de Matar 3, de 1985, Kersey vai visitar um amigo em Nova York e o encontra morto, a polícia chega e prende Kersey como suspeito. Só que o delegado conhece Kersey das antigas e diz que o inocentará se ele se livrar da gangue que aterroriza o bairro onde morava seu amigo assassinado. Sem ter nada pra perder e com a benção da polícia, Kersey volta a fazer o que mais gosta, chutar bundas de vagabundos.

Desejo de Matar 4, de 1987, é de longe o mais fraco da série, onde Kersey apenas quer vingar a morte de sua enteada, que teve uma overdose por causa do crack. Já em Desejo de Matar 5, de 1994, encontramos um Kersey velho e aposentado dos seus dias de vigilante. Porém, como sempre, a vida é uma caixinha de surpresas. A nova noiva de Kersey é também assassinada e sua filha sequestrada pelo pai, um chefe da máfia irlandesa. E assim, Kersey retorna a vida de vigilante pela última vez, em um desfecho digno de um vigilante. Chupa Batman.

Mas é claro que Bronson não vive apenas de Desejo de Matar. Ele é o Gaita/Harmônica em Era uma vez no oeste, Bernardo O’Reilly de Sete Homens e um Destino, John Strock em Robur, O Conquistador do Mundo e mais um monte de personagens secundários fodões em pelo menos mais uns 20 filmes pra macho. Bronson foi casado 3 vezes, teve 4 filhos e morreu em 2003 com 81 anos, devido a uma pneumonia. Infelizmente ele já estava afastado dos filmes a anos pois sofria de Mal de Alzheimer. Pois é, o último macho de verdade dos cinemas morreu e foi assim que teve início a geração leite com pera. Deus salve Charles Bronson, porque Chuck Norris é meu ovo esquerdo fantasiado de irlandês.

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  • ClaytonSlayer

    Cara, Charles Bronson era quase que material didático para mim. Na minha infância assistia pracarai com meu velho. Os “mercenários” não limpam a fuligem da boca do AK-47 do Bronson.

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