O Paradoxo do Humor

Televisão sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Eu to cansado. De verdade. Eu acho que eu já defendi o humor umas 3 ou 4 vezes por aqui e finalmente cheguei a maldita conclusão de que estou perdendo meu tempo. Cada vez mais o mundo torna-se um lugar maravilhoso com gente chata morando nele. Levar o humor a sério é um paradoxo ou só burrice mesmo? Eu não sei se me importo mais o suficiente pra descobrir, eu só sei que reclamar é o novo preto. Calma, leiam a frase com atenção e pesquem a referência antes de começarem a gritar por nada.

Eu já falei da ascensão do politicamente correto e a queda do humor, do medo que as pessoas tem da TV e quase morri do coração quando vocês defenderam o ataque ao Charlie Hebdo mas eu finalmente desisti. Sim, eu desisti. Seja lá o que vocês chamam de humor, eu não quero conhecer, porque deve ser muito chato pra caralho.

Existe um enorme preconceito sobre a televisão brasileira e seus humorísticos. Tudo bem que durante muito tempo a coisa ficou preta, se é que esse termo ainda pode ser utilizado, mas de certo tempo pra cá melhorou muito. O programa Pânico, real motivo desse texto, é um dos mais antigos humorísticos ainda no ar na TV brasileira, e tudo bem que ficar “trollando” artista em porta de boate é um saco e que o programa é bem sexista com aquele monte de bunda esfregando na câmera, mas cês já pararam pra assistir o programa ou vocês dão suas opiniões baseadas nas opiniões de outros? Porque se existe uma lista de bons humoristas brasileiros hoje, Eduardo Sterblich e Márvio Lúcio estão no top 5. E qual foi o problema dessa vez? O problema, meu querido amigo, é que encrencaram com esse personagem aí:

O personagem é de uma tribo africana, onde, perdoem minha ignorância, eu nunca vi um branco, que foi cozinhar na paródia do Master Chef no Pânico. Antes desse personagem, Eduardo Sterblich interpretou um maconheiro e Carlinhos, mais conhecido como Mendigo, interpretou uma japonesa que troca o R pelo L e que faz comidas nojentas. O problema aqui é que não há nada de mais na imitação. Ele apenas “fala” numa língua engraçada e dança de forma cômica, como a gente vê em alguns documentários por aí. E há muito mimimi por causa do personagem? Pra caralho, mas recentemente eu li uma frase que me doeu a alma:

Se um negro diz que há racismo em tudo é porque há!

Eu tentei interpretar isso de várias formas possíveis antes de sair por aí falando merda, mas eu realmente não consegui. Como assim há racismo em tudo? Cê tá me dizendo que eu sou automaticamente racista só porque eu não sou negro? Provavelmente sim, mas calma lá. E se isso já não fosse o suficiente, eu ainda encontrei uma lista com algumas palavras e termos “racistas” que precisam deixar de existir. E entre muitas frases que realmente não deveriam mais ser ditas, como amanhã é dia de branco, serviço de preto, da cor do pecado, nasceu com um pé na cozinha, entre outros absurdos mais, estavam outras frases que são tão racistas quanto eu sou magro. A coisa tá preta, denegrir e inveja branca estavam na lista e eu me perguntei, onde diabos isto é racismo? Luz versus escuridão é a maior representação de bem versus mal, mas isso não tem nada a ver com a cor das pessoas, seus surtados. Há racismo em tudo sim, principalmente pra quem vê racismo em tudo.

O lápis preto serve pra pintar de preto e o lápis branco serve pra pintar de branco. Alguém vai ver problema nisso em breve? Claro que sim. A nossa raça é humana, não é negra, asiática, caucasiana ou o que for. E sim, eu sei que infelizmente o preconceito existe e sempre existirá, se é que vocês entendem o que é pré-conceito. Eu só queria que vocês entendessem que o humor não é pra ser levado a sério, indiferente se você achou graça ou não. E a tal da dívida histórica só será resolvida daqui umas 3 gerações SE o governo começar a se preocupar mais com educação e menos com esmola.

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  • Vitor Piovezam

    “O lápis preto serve pra pintar de preto e o lápis branco serve pra pintar de branco. Alguém vai ver problema nisso em breve?” Perfeito, e sim, vivemos na geração mais cuzão da história, onde tudo pode ser interpretado erradamente como algum tipo de preconceito

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