Charlie Hebdo, A Liberdade de Expressão e O Respeito

HQs quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Então, vamos lá… Vejo uma galera dizendo que estão confundindo liberdade de expressão com falta de respeito. Principalmente após o ocorrido na França. Bom, qualquer pesquisa rápida e você entende um pouco melhor o que é de fato a liberdade de expressão, até onde ela vai e todos os problemas que ela pode causar. Mas e o respeito, onde entra?

E o respeito?

Bom, o grande problema é que, aparentemente, uma galerinha resolveu dar uma pesquisada no Charlie Hebdo, viram mais alguma coisa que também os ofendeu e agora estão exigindo respeito no lugar de liberdade de expressão. Pois vejam bem, se eu sou ateu e não acredito em nenhuma religião ou Deus, eu não tenho a menor necessidade de respeitar nenhuma religião ou Deus. Inclusive, estou no direito de achar qualquer religioso um completo idiota. Isso é liberdade de expressão. Agora, se eu espanco um religioso e tento impedir que ele siga com a sua fé, pelo simples fato de discordar das sandices dele, isso é falta de respeito.

Eu não preciso gostar da sua fé, da sua música, do seu filme, do seu jogo, da sua cara, da cara da sua mãe, da cara do seu cachorro ou seja lá o que for. E eu tenho todo o direito do mundo de falar a merda que eu quiser do que eu não gosto ou até mesmo do que eu gosto. Você vai ficar chateadinho? Vai, mas foda-se você, meu amigo!

Entendam que eu gritar que Maomé é um cuzão não te impede de continuar matando em nome de Maomé. O problema é que querem que tudo e todos sejam respeitados, intocados, glorificados, o que, não sei se vocês perceberam, acaba com a liberdade de expressão! Mas sim, é claro que tem gente que usa a liberdade de expressão pra ser racista, homofóbico, machista e outras babaquices mais, mas é por isso que a liberdade de expressão não é tão livre quanto as pessoas acreditam que é. E sinceramente, eu não discordo disso. Se a liberdade de expressão te desse tanta liberdade assim, teríamos mais discursos de ódio do que já temos. Porque sempre tem um babaca pra fazer merda. É a vida.

“É difícil ser amado por idiotas…”

“Ah, mas o problema não é a piada, o problema é quem leva a piada a sério!” Bro, se todo mundo parar de fazer piada porque vai ter um retardado que vai levar aquilo como lição pra vida, acabou o humor no mundo! Como disseram antes, culpar o piadista por um babaca que levou aquilo a sério e fez merda é a mesma coisa de culpar a mulher que foi estuprada porque tava de roupa curta. Sim, culpar o piadista é culpar a vítima.

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  • K_

    A situação na França é bem menos rasa do que você escreveu. BEM mais. Você ficou estacionado no lugar comum, falando sobre a graça – ou a falta dela – de uma piada; não é simplesmente sobre uma piada levada a sério por alguém que não sabe brincar: é sobre um país completamente preconceituoso, em relação a qualquer costume (religião, música, idioma) estrangeiro que tente conviver com seu padrão de vida – e que o ridiculariza e promove diversas proibições (até em relação a culto religioso), e Charlie Hebdo possui grande responsabilidade sobre isso, sim.

    É muito inocente pensar que uma piada se resume simplesmente a achá-la engraçada ou não – e, no segundo caso, com a escolha entre se ofender ou seguir com a sua vida. Charges, textos, crônicas… qualquer espécie de meio de comunicação, sem responsabilidade alguma com suas ações, pode, sim, promover e encorajar o discurso de ódio em relação a minorias. E é o que acontece na França, onde 10% da população sofre preconceito (preconceito de verdade) devido a sua religião e seus hábitos, considerados nocivos e inferiores ao padrão estipulado. E isso ainda que a “maioria da minoria” vem de ex-colônias francesas: ou seja, convivem com discurso de ódio em relação a eles desde sempre, além de serem amplamente explorados.

    Sou ateu também, e, por ter consciência e convicção, creio que não me resta chegar ao ponto comum de dizer que toda religião é idiota. Isso é emular um raciocínio de um pré-adolescente de 12 anos, que tenta se auto-afirmar para mostrar-se maduro; mas se engana. A religião é muito presente e rege os costumes e hábitos de muitas sociedades ao redor do mundo. Charlie Hebdo usar a figura de Maomé (sendo que isso, por si só, já é um desrespeito ao Islã, já que Maomé não pode ser representado, segundo os dogmas) para inúmeras “brincadeiras”, generalizar o povo árabe como terrorista (já que é só assim que eles aparecem nas tiragens) e outros exemplos não são humor. Pelo menos não humor responsável.

    E isso não quer dizer que o humor incorreto deve deixar de existir. Apenas é necessário refletir: o que ele diz? Ele afronta a maioria da população, afronta o opressor? Ou o oprimido, a minoria que já possui menos direitos e – até – menos canais de resposta? Veja que não é um problema de liberdade de expressão, e sim falta de respeito e responsabilidade do editorial. Claro, o atentado foi uma coisa horrível, não pode-se julgá-lo aceitável a partir de nada; mas deve-se analisar o contexto inteiro. Humor politicamente incorreto é uma coisa; pisar nas minorias e promover ódio e preconceito em relação a elas é outro. E é só nisso que eles prestam.

    P.S.: aliás, já processaram o jornal, na tentativa de remover a figura de Maomé. Os tribunais da França, xenofóbicos, deram ganho de causa à Charlie Hebdo, incentivando ainda mais a intolerância das tiragens. Se hoje há movimentos anti-islã na Europa, pode ter certeza, não há diferença nenhuma entre ambos os extremistas.

    Ah, e não é só “um retardado” que leva a sério. Quando uma minoria inteira em um país é ridicularizada (e uma religião inteira também), dá pra se espantar muito se alguém chamar isso de humor.

  • ~GoodWood

    Sim, então eu devo me contentar se um gay matar um “piadista” por ter feito uma piada sem graça e que, para alguns, vai reforçar o preconceito existente ? A maioria das pessoas simplesmente vai rir da piada (se for boa, é claro).

    A questão da Europa (não só a França) não ir com a cara de mulçumanos é antiga, por causa do Cristianismo que domina a região e a relação de ódio entre as duas é tão nítida quanto qualquer outro tipo de conflito político. O problema é que fanáticos sempre vão fazer merda em nome daquilo que eles adoram.

    Além do mais, o planeta segue a linha de raciocinio da famigerada Democracia politica, no caso, se 51% de um povo não achar ofensivo, os outros 49% vão ter que aturar a decisão da maioria.

    P.S: Também sou ateista e não sei o porque de adicionar essa informação. ‘-‘

  • Loney

    K, seu filho da puta, some, volta e faz um comentário do tamanho de texto, se foder

  • K_

    Eu não falei de me contentar com nada. Só que, veja, o que é mais comum de acontecer, pra você: um gay matar alguém que fez uma piada, ou alguém preconceituoso (que é incentivado pela mídia, meios etc.) matar outra pessoa por causa da sexualidade da mesma? A maioria das pessoas vão rir porque elas SÃO a maioria, e é uma piada sobre uma MINORIA.

    E sim, fanáticos sempre vão fazer merda em nome de qualquer coisa. E isso inclui os franceses no baralho, já que eles são fanáticos a ponto de inferiorizarem e generalizarem uma cultura inteira – e ainda se acharem no direito disso.

    E democracia pressupõe que a maioria escolher o(s) governante(s), mas não que ele(s) tem o direito de ignorar parcelas em vulnerabilidade social. E eu falei de ser ateu porque também tava no texto, e tal.

  • K_

    Cara, tenho vontade de escrever de 5 em 5 anos. Mas eu sempre to lendo o Bacon, por mais triste que isso seja. Afinal, gente que perde tempo lendo as coisas que vocês escrevem não merece muita coisa de bom, haha

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