What Ever Happened to Baby Jane e outros clássicos imortais

Primeira Fila segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Não faz muito tempo, mas não sei dizer exatamente quando, parei para assistir pela 80ª vez, What Ever Happened to Baby Jane, thriller protagonizado pelas maravilhosas Bette Davis e Joan Crawford, que interpretam as irmãs Jane e Blanche. A primeira, uma estrela infantil que caiu no ostracismo. A segunda, uma grande atriz que sofreu um acidente que a deixou em uma cadeira de rodas, dependente daquela que um dia foi Baby Jane, mas se tornou uma senhora odiosa, invejosa e presa ao passado. Uma rivalidade misturada a um amor incompreensível para ambas, que rende grandes cenas e uma troca impressionante entre as atrizes que, na vida real, eram inimigas mortais.

Sou saudosista, esse é o meu maior defeito. Mas não sou velha o suficiente para dever minha obsessão por Baby Jane, Hitchcock ou Mel Brooks às memórias. Gosto de filmes antigos porque eles são mais autênticos e corajosos. Em uma década de remakes, prequels e sequências intermináveis até que os olhos mudem de cor, por incrível que pareça, é o velho que traz um sopro de novidade e a lembrança de que um bom cinema ainda é possível.

Semana passada conferi The Ones Below, que gritava da estética à trama o nome de Roman Polanski. Tudo o que eu queria era estar em casa para colocar um DVD de O Bebê de Rosemary, abrir uma cerveja e degustar uma boa história de tortura psicológica, para a personagem e para o público, e não uma tentativa mal-ajambrada de fazer algo que já foi feito. Uma sensação desconfortável e recorrente que, pasmem, não vem me tomando de assalto quando o assunto é cinema brasileiro. Mas esse é papo pra outro texto, porque hoje é dica de filme com cheiro de mofo. Obviamente não vou sugerir What Ever Happened to Baby Jane, porque já tá sugerido no título, tampouco o drama de Rosemary Woodhouse, esse todo mundo viu. Né?

#3 – A História do Mundo Pt. I (1981)

Mel Brooks é meu guru da comédia, do cinema, da vida. Desde que assisti O Jovem Frankenstein, a definição do fazer rir mudou completamente. Ele tem no currículo outras grandes comédias, como Os Produtores e Spaceballs, mas são desnecessárias apresentações.

É bem verdade que um filme da década de 80 ainda é novinho comparando com o que vem por aí, mas A História do Mundo Pt. I (Spoiler: Não existe a parte II) segue um pouco da premissa de A Vida de Brian, do Monty Python, de reconstituir alguns eventos históricos. Narrado por Orson fucking Welles, reconta desde a descoberta do fogo à Revolução Francesa sob o olhar brooksiano. Com altos e baixos, já que é todo segmentado, foi uma das comédias mais inteligentes que eu tive o prazer de assistir.

#2 – O Pássaro das Plumas de Cristal (1970)

Dario Argento é um dos maiores nomes do cinema e carrega no vasto currículo, seja como diretor ou roteirista, uma porrada de filme bom. Suspiria e Dois Olhos Satânicos já foram alçados ao patamar de clássicos. Porém, O Pássaro das Plumas de Cristal é bastante subestimado. Ele conta a história de Sam Dalmas (Tony Musante), um escritor em severo bloqueio criativo, que presencia uma tentativa de assassinato em uma galeria de arte e vira alvo do assassino.

Com uma trama simples, porém bem construída, e não poderia ser diferente se tratando de Argento, o artifício do “quem matou?” não cai no lugar comum e conta com uma narrativa tão surpreendente quanto o final. Se quiser engatar e assistir tudo assinado pelo italiano, recomendo também.

#1 – Repulsa ao Sexo (1965)

Vai chover Roman Polanski e, se reclamar, vai chover mais, porque não falta trabalho bom desse homem pra sugerir. É claro que eu tenho todas as reservas do mundo à ele, que está envolvido até hoje na polêmica sobre o abuso sexual de Samantha Gailey, que foi drogada e estuprada por ele aos 13 anos. Por causa disso, não pode pisar em solo americano, correndo o risco de ser preso.

Irônico o filme contar a história da bela Carol Ledoux, interpretada por Catherine Deneuve, que tem uma relação distante com homens. Após os avanços de um pretendente a quem despreza e ouvir através da parede o prazer sexual de sua irmã e o namorado, passa a alucinar, ter visões perturbadoras e age de forma que jamais imaginaria.

Ao mesmo tempo que, como mulher, Repulsa ao Sexo é um filme bem difícil de assistir, porque conta com imagens bastante doentias e uma temática delicada, é uma trama que prende e envolve. O que se passa na cabeça de Ledoux e seu histórico são uma interrogação constante, conforme a tensão cresce. A confusão entre realidade e imaginação também são muito bem trabalhadas. Não é muito fácil de digerir, mas vale a pena conferir.

Se tiver alguma sugestão de filme velho ou novo, dá uma comentada pra gente fazer uma resenha maneira.

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