“TOP 100 FILMES BACON FRITO” 60 – 56

Cinema segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

60) Albergue Espanhol

(Cédric Klapisch, 2002)

Pedro: Albergue Espanhol não conta uma história de enredo complicado ou com personagens únicos. Muito pelo contrário: ele conta uma história “comum” com personagens prováveis – e ai está seu charme. É um filme sobre uma experiência que todo ser humano precisa ter na vida. Inclusive você.

Uiara: É um filme sobre minha temporada em Londres pessoas crescendo fora de casa. Ver que a louça da pia não vai desaparecer magicamente e aparecer limpinha no armário e que não dá pra viver de Mcdonalds é o melhor e mais eficaz amadurecimento que uma pessoa pode ter. Imagine ter que crescer junto com um monte de maluco que está no mesmo barco. E se esses malucos todos vêm cada um de um buraco do mundo? Claro que esse amadurecimento se torna muito mais divertido, bagunçado e cheio de pegação intelectualmente interessante.

Veredito Final:
PA diz:
Acho que a Uiara tem mais propriedade para falar o quão realista é a vida do albergue descrito em Albergue Espanhol.
Uiara diz:
assisti esse filme pela primeira vez enquanto morava no meu próprio albergue espanhol (que era um flat em Londres) e foi como olhar num espelho. Todo mundo dizia “olha ali o Alain! Aquela ali é a Jennie!”
PA diz:
Uma metáfora perfeita da União Européia onde cada personagem é uma representação cômica dos conceitos que temos de cada país e de suas políticas internacionais. E que embora tenhamos um apanhado de identidades conflitantes vemos que dos atritos surgem a convivência (indo pela ordem contrária do senso comum).
Uiara diz:
até o cartaz com as frases em várias línguas coladas acima do telefone nós tínhamos
Uiara diz:
a verdade é que todo mundo abre a mente e fica muito mais flexível longe de casa. Chega-se a um ponto que todos falam a mesma língua, ainda que seja uma mistura bizarra e cria-se uma identidade a parte de cada naturalidade. Não existem franceses, espanhóis ou ingleses nesses casos. Todos viram cidadãos do mundo
A identificação que ocorre quando tá todo mundo no mesmo barco, sem pai nem mãe, é a melhor forma de se conhecer
Uiara diz:
vale dizer que, apesar de ser um dos meus filmes favoritos, eu jurei não assistir mais a bagaça
PA diz:
E você poderia nos dizer por que?
Uiara diz:
porque, pra mim, é como olhar pra fotos antigas de um momento que fui muito feliz e que não pode voltar. Nostalgia é deprimente. E melancolia não dá ibope.

59) Alta Fidelidade

(Stephen Frears, 2000)

Pedro: Uma coisa que vocês podem cobrar de nosso top 100 é a presença de filmes realistas sobre relacionamentos. Os poucos que existem. Esse é o caso de Alta Fidelidade – e mesmo que você nunca tenha nem sonhado em pegar a Catherine Zeta-Jones, irá se identificar com o filme. Por um motivo muito simples até – o protagonista não só conversa com você, como te conta seus segredos e dramas. É como se deixássemos de ser simples espectadores e nos tornassemos comparsas de John Cusack.

Uiara: Rob Gordon é um cara que conversa com a câmera e é viciado em top 5. COMO ele não estaria aqui no nosso humilde top 100? Fora que é um cara com uma crise amorosa completamente acreditável, com tantas idas e vindas quanto seria normal escutar de um amigo seu. É um filme sobre relacionamentos com o pé no chão. Permitido pra diabéticos.

Veredito Final:
PA diz:
O filme em que John Cusack mostra que é bom ator, mas que tem um péssimo agente.
Uiara diz:
fato. Ele poderia ser uma grande estrela, mas é pouco aproveitado em Hollywood
Uiara diz:
numa dessas conversas aleatórias que tivemos antes concordamos que Rob Gordon é quase um Ferris Bueller adulto. Seria um inteiro se não fosse tão dramático. Afinal, pro Ferris não tem tempo ruim
PA diz:
E se você gostou daquele mimimi do protagonista de 500 dias com Ela, eu recomendo imensamente assistir a esse filme.
Uiara diz:
mas não se preocupe porque o Rob não sai na rua dançando “encantadamente” depois de uma bimbada
PA diz:
Na verdade ele vai ver problemas em tudo. Pra só então descobrir que o problema é ver problemas em tudo.

58) Luzes da Cidade

(Charles Chaplin, 1931)

Pedro: Luzes da Cidade não deve ser encarado como uma comédia romântica (como de fato é) – mas como uma comédia escancarada, circense e incrivelmente divertida. E quando falo que é do tipo de filme que nunca envelhece – apesar de ter quase 80 anos – não é apenas por ser Chaplin. Mas por ser aquele homem e mais diversos personagens hilários fazendo palhaçadas “no mute”, quando todos os outros começavam a brincar de fazer barulho.

Uiara: Chaplin era um palhaço, só que sem aquelas maquiagens ou roupas ridículas. E principalmente: era um palhaço que tinha graça. Em Luzes da Cidade, junto com um elenco tão inspirado quanto, o cara deu (mais um) show de como era possível fazer doer a barriga de rir sem emitir um único som. E ainda assim dá conta de arrancar “óuns” quando faz aquela cara ainda sem palavras pra definir (essa aí da fgura acima) ao entregar uma flor pra mocinha cega. Chaplin é absolutamente apaixonante.

Veredito Final:
PA diz:
Talvez o filme mudo mais lembrado de Chaplin. E não é a toa – não teve um momento assistindo que eu não estivesse com um sorriso estampado no rosto.
O amigo suicida que só lembra do Carlitos quando está bêbado é impagável.
Uiara diz:
Chaplin consegue arrancar risadas em cenas circenses como ninguém mais faria. É apaixonante a cara que ele faz quando a mocinha cega o vê pela primeira vez
Uiara diz:
o mordomo também é ótimo, diga-se de passagem
PA diz:
Acho que o fato de carregar uma série de personagens tão memoráveis quanto o próprio Chaplin que esse filme se destaca. Claro que ele rouba a cena, mas ninguém fica apagado em nenhum momento.
PA diz:
E olha que isso é uma missão quase impossível.

57) Magnólia

(Paul Thomas Anderson, 1999)

Pedro: Sabe aqueles filmes estilo Crash e Babel, em que acompanhamos dezenas de personagens cujas história se ligam? Saibam que até hoje ninguém conseguiu superar nesse sentido a obra de Paul Thomas Anderson. O cara reuniu dezenas de estrelas e tacou-lhes personagens peculiares e não tão peculiares, vivendo “seus cotidianos” e se relacionando. E enquanto você assiste “a vida” acontecendo, PTA se utiliza de alguns momentos poéticos para lembrar que aquilo também é arte.

Uiara: São poucos os filmes que juntam uma porrada de atores estelares, com dezenas de personagens e histórias que se encontram e não perde os espectadores. Magnólia é um desses e dura mais de 3 horas. Tempo esse que passa e nem dá pra ver. Ou só eu que não tinha percebido que entre as 1001 histórias e músicas geniais passava-se esse tempo todo? Tom Cruise da época em que não pulava em sofás, por sinal.

Veredito Final:
PA diz:
O que um filme de 3h10, sem clímax aparente (apenas com duas ou três cenas totalmente incompreensíveis) está fazendo aqui?
PA diz:
Magnólia é um filme sobre conexões, pessoas peculiares e dramas cotidianos. Todos ligados (ou não) por eventos aleatórios e coincidências. E ninguém fez isso melhor que PTA – esqueça os meia bocas Crash e Babel, nada supera um filme que consegue retirar uma boa atuação de Tom Cruise.
E com um elenco LOTADO de estrelas.
Uiara diz:
mesmo com tanta histórias sendo apresentadas juntas não dá pra se perder. É uma ótima forma de ilustrar a vida na cidade. A música que todos do elenco cantam faz parte de uma das melhores cenas que já vi no cinema. O “give up” no fim da letra dá mesmo uma sensação de derrota conformada e ainda assim todos seguem em frente
PA diz:
Ps. A cena em questão é uma daquelas que eu chamei de “totalmente incompreensíveis”. Mas o mais engraçado é que todas essas são marcantes e dão um toque de genialidade louca no filme.

56) Mary Poppins

(Robert Stevenson, 1964)

Pedro: Seja uma mulherzinha ou um metido a machão – não conheço uma pessoa que deixe de sorrir ao assistir Mary Poppins, justamente o alcance “universal” que a Disney vem perdendo a mão. Porque em meio a músicas, danças, lições de moral e personagens alegres, o filme excede a barreira da tela e te faz sentir feliz, e não só observando a “meiguice” alheia.

Uiara: Eu bem que tentei imaginar alguém que não sorrisse ao ver Mary Poppins, mas não consegui. Mesmo se fosse uma aidética com câncer, estuprada pelos DOIS pais, sem braços, vegetariana, torcedora do Gama, com mais chifres que os cantores do Los Hermanos e prestes a me alistar no exército afegão não deixaria de abrir um sorriso ao ouvir “just a spoon full of sugar”. É um filme que mostra o verdadeiro espírito da Disney: o lisérgico.

Veredito Final:
PA diz:
Possivelmente o musical mais divertido já feito. E responsável por um dos “remixes” mais legais de que se tem notícia.

Uiara diz:
Mary Poppins é um filme feliz. Deveria ser o carro chefe da Disney. Você pode até começar pensando que aquilo tudo é uma merda alegre DEMAIS, mas não leva muito tempo até que você mesmo esteja tentando dizer supercalifragilistecexpialidocious
Uiara diz:
o mesmo tipo de opiáceo que é espalhado nos parques da Disney deve ser exalado pelos aparelhos de DVD’s porque a sensação de “iupiii, tomara que o mundo acabe num barranco pra eu poder pegar um papelão e descer” é a mesma
PA diz:
A Disney de vez em nunca acerta a mão… mas quando acerta só faz filmaço. E geralmente isso acontece quando o roteiro parece ter sido escrito por um viciado em LSD.
Uiara diz:
nunca tinha visto por esse ângulo… Mas é bem verdade

Este texto faz parte de um TOP 100. Veja o índice aqui.

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