O Segredo do Grão (La Graine et le Mulet)

Cinema quinta-feira, 10 de julho de 2008 – 1 comentário

 O Segredo do Grão fala sobre derrota, superação e união. Clichêzão, hein? Mas o filme não é “menos bom” por isso.

Confesso que fui esperando um filme pra dormir, roncar e babar de boca aberta. Me enganei. O filme é melhor do que parece, apesar da sinopse não ajudar muito:

Slimane Beiji tem 60 anos de idade e divorcia-se após anos de casamento. Sem emprego e sem salário, ele é obrigado a continuar próximo da família, sempre precisando de ajuda. Isso o faz sentir-se um homem inútil e fracassado. Sua vontade é abrir um restaurante, o que parece ser um sonho muito distante. Mas, pouco a pouco, a família se une em torno desse projeto, que se torna para todos o símbolo da busca de uma vida melhor. Graças a seu senso de “como se virar” e a seus esforços, o sonho deles vai em breve se tornar realidade… Ou quase…

Tudo começa nas docas, onde Slimane Beiji trabalhou toda a sua vida, arrumando barcos. Até ser demitido. Separado da mulher, sem emprego, ele se sente um bosta. A única pessoa que lhe dá apoio é sua jovem enteada, Rym, que é filha da dona do hotel que Slimane tá comendo.
Ele é um daqueles homens honestos, que não aceita ser sustentado por uma mulher, e por isso quer realizar seu antigo sonho: Um restaurante em um barco. E pra isso ele conta com toda a sua familia, até mesmo a ex-mulher, que é quem vai levar o restaurante no braço com sua comida.
Com a ajuda de Rym, ele vai atrás da papelada pra abrir seu restaurante. Se fode lindamente e não consegue tudo. Mas dá pra fazer uma festa de inauguração, onde tudo acontece.

 E que bela ajuda! [Não, ela não usa dança do ventre pra ajudar, imagem meramente ilustrativa]

Os problemas são que a familia de verdade de Slimane na verdade são um bando de filhos da puta. Apesar de ajudarem, eles fodem tudo. Nem é por querer, mas você pega uma raiva da familia dele. [Mesmo rindo em muitas cenas de familia] E do próprio Slimane, que deixou tudo chegar á esse ponto. Ele não reage como você espera diante de determinadas adversidades. E isso te emputece. E as vezes o povo fode tudo sem nem mesmo saberem que tá fodendo, como você vai descobrindo, junto com o véio. Boa parte do elenco não é ator de verdade, o que faz o filme fluir muito mais. Você nota que há uma química ali mesmo, porque eles estavam mesmo convivendo. E a confluência de eventos termina num final abrupto, a primeira vista. Mas se você reparar bem, vai ver que tudo se encaixa… Não como devia ou as pessoas gostariam, mas se encaixa. Por que a vida continua, não para pra esperar. Filme cabeça é foda… Além de praticamente tudo ser spoiler.

 Familia ê, familia á, familia!

Recomendo com força. Leis de Murphy até o talo, além de um “A vida como ela é” bem no meio da sua orelha. E semana que vem vocês nem vão lembrar mesmo, seus aborígenes!

O Segredo do Grão

La Graine et le Mulet (151 minutos, Drama)
Lançamento: França, 2007
Direção: Abdel Kechiche
Roteiro: Abdel Kechiche
Elenco: Habib Boufares, Hafsia Herzi, Farida Benkhetache, Abdelhamid Aktouche, Bouraouïa Marzouk, Alice Houri, Leila D’Issernio, Abelkader Djeloulli, Olivier Loustau, Sabrina Ouazani

Overdose Adaptações: Clube da Luta (Fight Club)

Cinema quinta-feira, 10 de julho de 2008 – 7 comentários

 Sabe tudo o que sua mãe te ensinou sobre bons modos? ESQUEÇA TUDO. Ok, você já esqueceu, dá pra perceber isso tendo em vista que você está lendo este texto.

Esqueçam que o Brad Pitt (Entrevista com o Vampiro, GAH!) está no elenco de Clube da Luta (Fight Club), e esqueçam que a Helena Bonham Carter (Peixe Grande e suas Histórias Maravilhosas) não é nada sensual, não sei se é só por causa do cigarro. Lembrem-se que Edward Norton, o MESMO que esteve ao lado de Anthony Hopkins em Dragão Vermelho, é O CARA. Vamos falar sobre O FILME, então. A primeira pergunta é: Você sabe quais são as regras do Clube da Luta?

A primeira regra é: Você não fala sobre o Clube da Luta. A segunda regra é: Você não fala sobre o Clube da Luta. O cara sem nome, mais conhecido como “narrador” (Edward Norton) está á beira de um ataque com sua insônia, então decide fazer sessões de terapia grupal, com uma galera com câncer nos testículos, outra com tuberculose, e por aí vai. Após desabafar ao lado desse pessoal e, enfim, conseguir dormir, começa a freqüentar assiduamente os grupos, até conhecer Marla Singer (Helena Bonham Carter), que, assim como ele, estava freqüentando os grupos sem ser doente. Isso só aumenta sua paranóia, então ele volta a ter insônia e decide dar um basta nisso. Após dividir os dias com Marla e partir pra mais uma viagem de negócios como investigador de seguros, ele conhece Tyler Durden (Brad Pitt), um cara que… faz sabonetes, e é do tipo de cara que pararia você na rua pra falar algo do tipo “Só não sou seu pai porque sua mãe não tinha troco pra dez”. Os dois têm uma conversa curta, o bastante pra Tyler dar um de seus cartões pra ele, afinal, até a equipe desse site compra sabonetes.

Quando ele (cansativo citar um cara… sem nome) volta de sua viagem, uma surpresa: seu apartamento está em chamas. Ele não vê muita escolha, então faz duas ligações: A primeira é pra Marla, mas ele desliga logo após ela atender. A segunda é pra Tyler, que não atende ao telefone, mas liga logo em seguida. Os dois marcam um chopp e acabam indo morar juntos, numa mansão semi-destruída. É aí que a diversão começa, quando os dois vêem que um pouco de porrada é uma terapia muito melhor do que chorar junto com um bando de gente problemática. E, mais tarde, Tyler está certo de que deve ir em frente com seu “Projeto Caos”.

 Fabricando sabonetes.

Nem preciso falar que este filme é um dos melhores da geração, e porque não o MELHOR. Eu não li o livro, não sei se é extremamente fiel, estou completamente por fora. Porém, o filme empolga. Bastante.

No fundo, o filme em si não é só porrada. Ele tem um plano de fundo no mínimo interessante, há um conteúdo ali. É razoavelmente difícil de explicar, creio que muita gente aqui já viu o filme e sabe o que eu quero dizer. Ou não, se vocês DESLIGARAM o cérebro para ver o filme.

Algumas horas após o filme, você ainda pensa nele. Você vê uma genialidade rondando a bagaça, vê sentido no Projeto Caos, até. Clube da Luta, definitivamente, é um dos melhores filmes desses de LOUCO que já fizeram. Recomendo até a última, David Fincher (Seven – Os sete crimes capitais) mandou muito bem na direção. Agora pare de tirar catota do nariz e vá ver o filme. Peraí, você comeu isso?

 Perturbador.

Clube da Luta

Fight Club (140 minutos – Drama)
Lançamento: EUA, 1999
Direção: David Fincher
Roteiro: Jim Uhls, baseado em livro de Chuck Palahniuk
Elenco: Edward Norton, Brad Pitt, Helena Borham Carter, Meat Loaf, Jared Leto, Zach Grenier, Richmond Arquette

Hancock (Hancock)

Cinema sexta-feira, 04 de julho de 2008 – 9 comentários

 Primeiro eu gostaria de derrubar todas as expectativas que criaram do filme. Hancock é um filme engraçado em alguns momentos, e só.

[UPDATE]
Alguns não entenderam que eu passei o link acima para mais informações do filme e pãnz, ENTÃO, da-lhe sinopse:

O super-herói John Hancock (Will Smith) é alcoólatra, mulherengo, desastrado e tem superpoderes que só o levaram a cometer absurdos e desastres. Tentando melhorar sua imagem, Hancock cai em uma cidade balneário e começa a namorar uma dona de casa (Charlize Theron), cujo marido é salvo pelo herói e decide ser seu relações-públicas.
[/UPDATE]

Bom, obviamente eu queimei a língua, tendo em vista que eu ajudei com essa expectativa toda. O que era esperado? Um filme engraçado PRA CARÍI e também empolgante, com uma história original e tudo mais. Eu diria que Hancock falha miseravelmente no quesito “roteiro original” (afinal, o Homem de Ferro passa por problemas com álcool em uma fase de sua vida), deixando bem claro que, por mais que as adaptações estão enchendo o saco, elas têm um apelo mais… EMPOLGANTE da coisa, elas ENCARNAM o que um bom fã de blockbusters quer. Hancock só quis pegar carona nisso, e por isso se torna um filme descartável. Resenha por partes, então?

EFEITOS VISUAIS / SONOROS

São ótimos, fato. Boas cenas de destruição, assim como som bem balanceado. Não tenho nada mais a falar sobre esta parte, afinal, não há nada muito abusivo ou que peça por uma citação.

ENREDO

É aqui que a casa cai. Eu diria que os roteiristas pararam na parte onde Hancock é chamado pelos policiais para resolver pepinos (isso tá nos trailers, não é spoiler), foram assistir á trilogia O Rei Leão e voltaram ao trabalho. Sério, se você quer pegar o melhor do filme, saia do cinema na cena do banco.

Eu explico: Aparentemente criaram uma boa história e um bom personagem, mas perceberam que um filme de 40 minutos não estava nos planos da empresa. Então, precisaram arranjar uma desculpa RÍPIDA para poderem preencher o filme com mais 52 minutos, e foi quando pensaram na desculpa mais desesperada DO ANO para continuarem com o filme. Você é socado por clichês INCRÍVEIS e histórias mal, mas MUITO mal explicadas, além de se perguntar qual foi a parte do filme que você perdeu.

Hollywood precisa diminuir o álcool dos roteiristas.

 QUÊ?

PERSONAGENS

Will Smith se saiu MUITO BEM na primeira parte do filme. Depois, se encontrou completamente perdido. Charlize Theron estava perdida o filme inteiro. Jason Bateman se esforçou pra carái, mas infelizmente ele fez parte da segunda parte do filme, então… sinto muito. O resto do elenco é apenas o resto do elenco na maior parte do filme, tendo em vista que o foco é Só em Hancock e seus problemas, pelo menos na primeira parte do filme. Na segunda, eu não sei explicar qual é o foco. Sei que o roteiro foi encontrado no meio de um filme de faroeste, após um tiroteio decisivo. Sim, isso quis dizer que o roteiro está cheio de BURACOS, noob.

EXPECTATIVA BLOCKBUSTERIANA PóS HANCOCK

Pior blockbuster do ano, podendo perder apenas para Batman – O Cavaleiro das Trevas.

 Isso é quase um spoiler, véi.

É isso. Se o filme fosse um curta, seria muito bom. Mas infelizmente não é, então é só mais um clichê enorme em forma de caça-níquel. Hollywood, shame on you.

Hancock

Hancock (92 minutos – Ação / Comédia / Drama)
Lançamento: EUA, 2008
Direção: Peter Berg
Roteiro: Vincent Ngo, Vince Gilligan
Elenco: Will Smith, Charlize Theron, Jason Bateman

A Questão Humana (La Question Humaine)

Cinema quinta-feira, 19 de junho de 2008 – 3 comentários

 Simon Kessler (Mathieu Amalric) é um psicólogo no departamento de recursos humanos de uma corporação petroquímica franco-alemã. A gerência solicita que ele investigue o diretor geral da instituição, Mathias Jüst (Michael Lonsdale), que tem apresentado sinais de perturbação. A percepção de Simon fica caótica com a companhia de Mathias. A experiência afeta seu corpo, mente, sensibilidade e vida pessoal. Com isso, a calma que fez dele um respeitado profissional, começa a desaparecer.

Essa é a premissa de A Questão Humana, que estréia nessa sexta. Parece chato, não?
E é. Mas só um pouco. As duas horas e vinte e três minutos não se arrastaram, como eu pensava. O tempo correu como… uma tartaruga. Manca.

 Foi você que peidou?

Filme médio, mostra as peripécias do psicólogo Simon Kessler na empresa petroquímica em que trabalha. Ele, encarregado do departamento de recursos humanos, é chamado por um superior, Karl Rose, para investigar o estado mental do diretor geral Matthias Jüst. Simon se aproxima do diretor, usando a desculpa de que quer refazer um grupo musical, já que Jüst fez parte de um quarteto anos atrás. O psicólogo inicialmente acha que é apenas cansaço mental do seu superior. Mas quando se dá conta, está envolvido em uma trama maior do que conseguia imaginar.

 Ainda pego o corno que transferiu meu escritório pra cá.

O filme se perde em alguns momentos, ao mesmo tempo em que o protagonista se perde em si mesmo, e tenta passar a confusão, o que ocorre na mente de Kessler. O problema é que faz isso de um modo muito radical, com cenas sendo cortadas ao meio sem um desfecho, e idéias perdidas. Não é um filme ruim, mas também não é bom.
Gosta de quebra cabeças e enigmas? Vai lá, campeão.

A Questão Humana

La Question Humaine (143 minutos – Drama)
Lançamento: França, 2007
Direção: Nicolas Klotz
Roteiro: Elisabeth Perceval
Elenco: Mathieu Amalric, Michael Lonsdale, Edith Scob, Lou Castel e Jean-Pierre Kalfon

Um Homem Perdido (Un Homme Perdu)

Cinema quinta-feira, 12 de junho de 2008 – 0 comentários


Como eu posso começar a falar de O Homem Perdido? É uma produção francesa de 2007, inspirada no fotógrafo Antoine D’Agata. Conta com Melvil Poupaud (de O Tempo que Resta) no papel de Thomas Koré e Alexander Siddig (de Syriana – A Indústria do Petróleo) vivendo Fouad Saleh.

O filme mostra Koré, fotógrafo francês em viagem pelo Oriente Médio á procura de experiências extremas. Cruza o seu caminho Saleh, um homem solitário com problemas de memória. Intrigado, o fotógrafo tenta descobrir a história desse homem, e acaba se envolvendo em uma experiência que vai mudá-lo para sempre.

Com essa sinopse, eu já achei meio nhé, mas fui conferir.
O filme começa bizonhamente, com Fouad fugindo de uma Beirute em guerra. Corta.
Depois, Fouad aparece num carro, junto com alguns outros passageiros, entre eles uma mulher [Boa, até]. Do nada, ele começa a bulinar ela, que não gosta muito. Numa parada, o biruta [Beirute, biruta, sacou?] segue a gostosa até o banheiro feminino, e quando ela sai, ele começa a dar uns pegas nela, que entra na dança. Ai, olhando pelo canto da parede, Koré começa a tirar fotos da cena, o que atrai a atenção de alguns policiais, que também pegam o casal no flagra [Pra quem não sabe, em países islâmicos, esse tipo de coisa é proibida em público]. Até ai tudo ok. Os dois então pegam o mesmo carro e vão parar em Amã, capital da Jordânia.

 Como esse povo fuma, cara!

E ai começa a putaria [Literalmente]: Koré, que é um serelepe, começa a cair na noite, com Fouad na função de tradutor. E levar moças da vida pra trepar e fotografar. Vouyerismo total, mas quem liga? Até aparecem uns peitinhos e uma puta pelada [Boa também]. Depois de se envolver com uma das piranhas, o francês tenta descobrir sobre o passado de Fouad, que perdeu a memória, e se fecha totalmente. O fotógrafo vai se afundando pra descobrir sobre o passado do cara sem permissão, o que causa conflitos. E eu não vou contar o final do filme, quem quiser que veja.

 ORRÔ!

O problema é o enredo, totalmente confuso. E com milhões de viradas animais, assim, do nada! Eu ainda mastiguei bem pra vocês aqui. Então, a não ser que você seja um metido a besta querendo passar por blasè, pule fora desse filme.

Um Homem Perdido

Un Homme Perdu (94 minutos, Drama)
Lançamento: França, 2007
Direção: Danielle Arbid
Roteiro: Danielle Arbid e Antoine D’Agata
Elenco: Melvil Poupaud, Alexander Siddig, Darina Al Joundi e Yasmine Lafitte

A Outra (The Other Boleyn Girl)

Cinema quinta-feira, 12 de junho de 2008 – 1 comentário

 O filme é baseado no best-seller A Irmã de Ana Bolena, de Philippa Gregory, e conta com um elenco e tanto – tirando, é claro, Eric Bana.

Bom, é basicamente isso: O rei da Inglaterra (Eric Bana) não consegue ter um herdeiro, e é nessas horas que o cara precisa pular a cerca e tentar… ter um herdeiro com uma gordinha qualquer, mas não tão qualquer assim. É quando o tio e o pai de Anne (Natalie Portman) Bolena planejam oferecê-la ao rei, mas o cara se mostra realmente interessado em Mary (Scarlett Johansson) Bolena, irmã de Anne, recém casada. A ambição da família passa por cima do casamento e, Eric Bana, se fosse o Borbs, diria “É tudo nosso =D”.

Obviamente Anne fica revoltada e, após uma viagem (ou após ter sido mandada pra LONGE dali pelos pais), ela volta querendo ter o que era dela (ou o que era prometido para ela). É quando a confusão começa e, as duas irmãs, antes rivais, precisam se unir… enquanto a Inglaterra se divide.

 Só faltava serem gordinhas.

Vou ser sincero: um Chow-Chow se sairia melhor do que Eric Bana, mas beleza, agora já foi. O que compensa é a produção FODA da bagaça e o resto do elenco, que é realmente muito bom. Tirando o cara já citado, como dito aqui pela TERCEIRA vez e, bem, as cenas de ansiedade de Scarlett Johansson. Sério, por muitas vezes eu achei que ela iria vomitar no meio do filme.

O enredo é dos melhores, talvez com algumas passagens cansativas e alguns furos (personagens “esquecidos” de vez em quando, por exemplo). Podemos considerar a história como batida, é claro, então os clichês podem ser ignorados quando a qualidade do filme é alta. Bom, a qualidade desse filme é bem alta, mas já a execução…

 Olha que cenário DO CARÍI.

Difícil falar sobre um tema batido, mas considero A Outra como um filme “na média” de seu gênero. Se você gosta do gênero, você vai curtir. Agora, me desculpem por ser repetitivo, mas… se fosse outro ator no lugar de Eric Bana, talvez minha opinião mudaria. Não é só por não gostar do cara, mas é pelo fato de que ele é MUITO RUIM, véi. Natalie Portman roubou a cena, óbvio.

A Outra

The Other Boleyn Girl (115 min minutos – Drama / Romance)
Lançamento: Inglaterra, 2008
Direção: Justin Chadwick
Roteiro: Peter Morgan, baseado em obra de Philippa Gregory
Elenco: Natalie Portman, Scarlett Johansson, Kristin Scott Thomas, Eric Bana

Um Amor Para Toda a Vida (Closing the Ring)

Cinema quinta-feira, 29 de maio de 2008 – 1 comentário
 Se deu bem.

Vocês têm o DIREITO de me zoar: Sim, eu assisti a um filme mimimi. Mas olhem pelo lado bom: Desde quando eu venho trazer filme RUIM pra vocês?

Primeiramente, o filme é inspirado em um fato real. Tudo acontece em 1941, em Branagan, Michigan, mas o filme começa já em 1991, em um enterro. Aí começam as lembranças e os jogos de tempo, que são sempre sensacionais. Enfim, Ethel Ann Roberts (Mischa Barton em 41 e Shirley MacLaine em 91) é uma belezinha cobiçada por TODOS da cidade, mas apenas Teddy Gordon conseguiu, de fato, TOCAR (heh) a moça. Tudo é lindo até uns japoneses decidirem atacar Pearl Harbor, e é quando Teddy e seus companheiros Jack Etty (Gregory Smith / Christopher Plummer) e Chuck Harris (David Alpay) são chamados para a guerra. Teddy e Ethel Ann fazem um casamento secreto, com apenas uma aliança, e o cara parte com a velha promessa de amor eterno e algo bizarro: Faz um pacto com Chuck para que ele fique com Ethel Ann caso o pior acontecesse. E, é claro, a aliança vai com ele.

E sim, o pior acontece, dois anos depois. O avião de Teddy bate em uma montanha de Belfast e… o pacto, sem o conhecimento de Ethel Ann, é colocado em prática. E é em 1991 que Chuck morre e a velha Ethel Ann começa a ter uma overdose de nostalgia – afinal, nesse tempo todo ela AINDA pensava em Teddy – que aumenta ainda mais quando um moleque completamente estranho de Belfast encontra a aliança dos dois. Então ela parte para Belfast para decidir o rumo de sua vida, e é quando as coisas começam a ficarem mais… claras.

 A cantada foi fraca, deu pra perceber.

Bom, temos aí um romance épico, uma mistura de dois gêneros que não são a minha praia. Mas o enredo, o “jogo de tempos”, o elenco e a Mischa Barton nua chamaram e MUITO a minha atenção. Não quero convencer ninguém do contrário, o filme é realmente “mulherzinha” e conta uma história que você já deve ter visto numa novela da Globo, mas a diferença está BEM na EXECUÇÃO da bagaça.

Citar clichês em um romance épico seria sacanagem, mas apesar do nome, o filme não é tão brega quanto você imagina. Eu pensei que veria algo como Titanic, mas não, o romance é… sóbrio. Melancólico, porém sóbrio. É realmente complicado explicar a sensação, mas a dica é: Chama a sua gordinha pra ver o filme, ela vai gostar. Mas se você é do tipo que ODEIA romances, como eu, passe longe. Mas aí entra a contradição: Eu ASSUMO ter gostado do filme, mas como cinéfilo. Não vi um filme bonitinho, com um final feliz e coisas do tipo. Eu vi uma PUTA fotografia, o jogo de tempos que eu acho do carái, um elenco que fez a lição de casa e MUITO bem – destaque pro novato Martin McCann, que mandou MUITO BEM no papel de adolescente ingênuo e bobão – e um desenrolar de trama que não deixa de ser envolvente MESMO sendo um romance épico.

 Quem não fica esperto leva porrada, mesmo.

Um Amor Para Toda a Vida

Closing the Ring (118 minutos – Drama / Romance)
Lançamento: Reino Unido / Canadá, 2007
Direção: Richard Attenborough
Roteiro: Peter Woodward
Elenco: Shirley MacLaine, Christopher Plummer, Mischa Barton, Stephen Amell, Neve Campbell, Pete Postlethwaite, Brenda Fricker, Gregory Smith, Martin McCann

Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto (Before the Devil Knows You’re Dead)

Cinema sexta-feira, 04 de abril de 2008 – 0 comentários

 Andy e Hank são dois irmãos que passam por dificuldades. Andy, querendo se mudar para o Brasil com sua mulher e precisa de dinheiro pra isso e Hank, divorciado que deve alguns meses de pensão para sua esposa e filha. A solução para todos seus problemas com dinheiro é fazer um roubo. Até esse momento, eu achava que esse filme seria mais um sobre assalto, que teria perseguições e tudo o mais, mas me enganei bonito. Depois disso, o filme começa a mostrar porque prende tanto a atenção. O roubo que eles pretendem fazer é em uma joalheria, um negócio pequeno, mais de famíliaque os dois já haviam trabalhado a algum tempo atrás. Eles tinham tudo para se dar bem: combinações do cofre, horário de abertura, posição das câmeras, e tudo o que é necessário para um roubo. Seria um roubo perfeito, se não fosse por um pequeno detalhe, a joalheria na realidade é o negócio dos pais deles, Charles e Nannete Hanson.
O filme é dividido em diversas passagens, cada uma focada em um dos protagonistas, mostrando as atitudes de cada um 3 dias antes do roubo, no dia do roubo, e uma semana após tudo.
O roubo, que tinha tudo para ser perfeito, começa a se tornar um desastre completo depois que certas atitudes de Hank colocam todo o plano por água abaixo, atitudes essas que não falarei aqui pra não estragar o suspense do filme que consegue prender a atenção desde a primeira cena, que é de Andy dando uns tratos em sua esposa até o final, que mostra Charles saindo de um hospital (não é spoiler, acreditem)

 Andy e Hank

O filme, como disse antes, mostra cada um dos protagonistas em momentos diferentes antes, durante e depois do roubo. A montagem de cada uma das partes do filme, que pelo que contei são 6, são muito bem feitas, fazendo com que cada um dos personagens tenha seu momento, desde Hank desesperado após o roubo, Andy, fazendo uma visita a um traficante de luxo, até Charles, deprimido em sua casa. Logo no começo, rola um diálogo muito sem sentido, que quase me fez desistir do filme, mas que logo depois se tornou a razão de Andy precisar de dinheiro. A maneira que o filme mostra as relações dos dois irmãos é bem interessante, indo de momentos de extremo afeto até o extremo ódio. Eu poderia falar algo sobre a trilha sonora do filme, mas ele quase não tem músicas, somente algumas que tocam na cena que mostra o roubo e em algumas cenas aleatórias. O elenco do filme foi bem escolhido, indo desde atores conhecidos, como Ethan Hawke (assalto ao 13º DP), Marisa Tomei (alfie) e outros que não me recordo agora, e estou com preguiça de pesquisar.
Agora, umas considerações finais. É um filme bom, se ele está em exibição em algum cinema de sua cidade, vale cada centavo do preço do ingresso, e se isso ainda não é motivo suficiente, acho que falar que Marisa Tomei Mostra os peitos em 6 das 8 cenas que ela aparece pode te convencer a ver o filme.

Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto

Before the Devil Knows You’re Dead ( 123 minutos – drama )
Lançamento: 04/04/08(Brasil)
Direção:Sidney Lumet
Roteiro: Kelly Masterson
Elenco:Philip Seymour Hoffman, Ethan Hawke, Albert Finney, Marisa Tomei, Rosemary Harris, Aleksa Palladino, Michael Shannon…

Traídos pelo Destino (Reservation Road)

Cinema quinta-feira, 27 de março de 2008 – 2 comentários

 O filme é baseado na obra Reservation Road de John Burnham Schwartz, mas não espere por uma crítica comparativa.

Ethan Learner (Joaquin Phoenix), um professor universitário, está assistindo com sua família ao recital de violoncelo de seu filho de 10 anos em uma noite de Setembro – até aí tudo bem. O fato é que, na volta para casa, ao pararem em um posto de gasolina, seu filho é atropelado e morto na hora. Nessa mesma noite, o advogado Dwight Arno (Mark Ruffalo) e seu filho de 11 anos estavam em um jogo de baseball de seu time favorito, o Red Sox. Voltando para a casa, em um pequeno momento de distração, Dwight atropela uma criança. Sem reação e ao ver que seu filho nem havia se dado conta do acidente, o cara foge. Mais pra frente, os dois pais se encontram, mas Ethan ainda não sabe da verdade. Ainda. E é aí que um certo suspense toma conta do filme.

Olha, uma boa definição para o filme é: Clichê. Nos primeiros 15 ou 20 minutos de filme após o acidente, é só aquela choradeira de pais desesperados após a morte do filho. Achei realismo demais, até porque a atora Jennifer Connelly, que vive Grace (a mulher de Ethan), chora alto demais. Por um momento você se encontra surdo na sala do cinema, e até mesmo distraído – o filme perde relativamente o foco logo no início, voltando a se estabilizar mais tarde. Como assim? Bom, são duas histórias paralelas, cada uma envolvendo cada pai e sua família. Eu diria que não souberam administrar isso muito bem, tendo em vista alguns furos – que podem passar despercebidos – no roteiro em alguns momentos do filme.

 Momentos previsíveis tomam conta de boa parte do filme.

A história não é inovadora e os personagens também não contribuem muito. Porém, o filme conta com pontos positivos também.

Enredo

Como eu disse, a história não é inovadora e o desenrolar da trama é levemente confuso em uma pequena distração. Você sabe o que vai acontecer, algumas cenas são exageradas, mas uma coisa é certa: por muitos momentos a história é envolvente. O final é totalmente inesperado, mas também não deixa de ser o auge do clichê.

Personagens

 Joaquin Phoenix (O Johnny Cash de Johnny e June) e Mark Ruffalo (O Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças) fizeram papéis sensacionais, ou pelo menos na medida certa. Basicamente o filme inteiro é focado nos dois, e isso é uma vantagem – Jennifer Connelly (em um papel… infeliz, e também em Diamante de Sangue) e cia. se encontram em papéis quase que completamente secundários. O ator mirim Eddie Alderson (Lucas, filho de Dwight) também merece congratulações e é o terceiro personagem que recebe maior atenção no filme. Já sua mãe, a atriz Mira Sorvino (Ruth Wheldon, ex-mulher de Dwight), foi quase uma figurante.

Bom, esse é um filme para quem gosta de Dramas com um toque de suspense. Eu não confiaria na minha resenha se gostasse de filmes assim. Então, assistam; vai ver eu estou errado.

Traídos pelo Destino


Reservation Road (102 minutos – Drama)
Lançamento: EUA, 2007
Direção: Terry George
Roteiro: Terry George, John Burnham Schwartz
Elenco: Joaquin Phoenix, Mark Ruffalo, Jennifer Connelly, Mira Sorvino

Onde os Fracos Não Têm Vez (No Country for Old Men)

Cinema segunda-feira, 24 de março de 2008 – 0 comentários

Apesar de gostar da filmografia dos irmãos Coen, nunca “morri de amores” por seus filmes. Considero Fargo ainda sua melhor obra, até porque o que mais admiro no cinema dos cineastas/roteiristas é o humor negro espontâneo quase sempre presente nos seus filmes ou em, pelo menos, alguns de seus personagens.

ondeosfracosnao.jpg

Mesmo não sendo meu favorito são inegáveis as qualidades de ONDE OS FRACOS NÃO TÊM VEZ – grande vencedor do Oscar 2008. Com uma trama a princípio simples, um homem comum (Josh Brolin, inegavelmente num bom momento) encontra no meio do deserto uma mala com muito dinheiro e passa a ser perseguido por um frio assassino e, no encalço dos dois, um xerife já cansado da vida.

ondeosfortesnao_2.jpg

Mais simples impossível, mas a trama que se passa nos anos 80 retrata o clima árido e seco do Texas assim como de seus personagens. Sem contar com trilha sonora alguma, sobram momentos de tensão e muito sangue, como na cena do confronto dos personagens no hotel, em contraste com o silêncio das paisagens desérticas (mérito de Roger Deakins, diretor de fotografia) ou mesmo os diálogos introspectivos do xerife Tom Bell (Tommy Lee Jones, em papel ideal).

No entanto, a criação do psicopata assassino Anton Chigurgh pelo ator Javier Bardem é, para mim, o grande trunfo do filme. A personificação fria e calculista, os olhares demoníacos e o tanque de ar comprimido como arma são desde já ícones do cinema moderno; poucas vezes o cinema criou um personagem tão marcante. Mérito, também, do roteiro dos Coen.

ondeosfortesnao_1.jpgImpecável a criação de Bardem

Claro que, privando os espectadores de verem o confronto final dos personagens e sendo o final do filme interrompido abruptamente sem clímax algum, ONDE OS FRACOS NÃO TÊM VEZ possa desagradar á maioria; no entanto, quem já apreciava o filme somente dará falta do universo rico e de personagens tão interessantes e instigantes.

Curiosidade: além de dividir com O Assassinato de Jesse James pelo covarde Robert Ford, o gênero e o diretor de fotografia, Roger Deakins (indicado por ambos os filmes ao Oscar 2008), há a presença do ator Garret Dillahunt em ambos os filmes, aqui como ajudante de Tommy Lee Jones e em Jesse James como comparsa do bandido. Além disso, Dillahunt foi figurinha fácil na telinha americana nesta temporada, estando presente em diversos episódios de séries como Damages, Life e, atualmente, em The Sarah Connor Chronicles.

Onde os Fracos Não Têm Vez

No Country for Old Men (122 minutos – Drama/Faroeste)
Lançamento: EUA, 2007
Direção: Joel e Ethan Coen
Roteiro: Joel e Ethan Coen
Elenco: Josh Brolin, Javier Bardem, Tommy Lee Jones, Woody Harrelson, Kelly MacDonald, Garret Dillahunt

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