Overdose Adaptações: V de Vingança (Vertigo)

HQs terça-feira, 15 de julho de 2008 – 4 comentários

Com suas primeiras edições lançadas em 1982, V de Vingança foi um dos primeiros – e um dos melhores, na minha humilde opinião de bucaneiro – trabalhos da carreira de Alan Moore. A série de dez capítulos começou a ser lançada em preto e branco na revista Warrior, mas a revista foi cancelada em 1985, quando V de Vingança, dividida internamente em três livros, estava no fim de seu segundo.

A história se passa numa inglaterra futurista – pra época, pelo menos – governada pela Nórdica Chama (Norsefire, no original), um partido fascista que chegou ao poder após uma catástrofe mundial causada por uma guerra nuclear, da qual o Reino Unido foi poupado graças á derrota dos conservadores em 1983 (o próprio Alan Moore depois se declarou ingênuo por acreditar numa óbvia derrota de Thatcher, na época). Londres é constantemente vigiada por um sistema policial dividido em departamentos com tarefas específicas: O Olho vigia a cidade através de inúmeras câmeras, a Boca é responsável pela propaganda e comunicação (aparentemente unilateral) entre o partido e o povo, o Nariz é o departamento de investigação, o Dedo se encarrega das prisões e execuções e a Cabeça administra e coordena os outros departamentos. Todo o aparato policial e político se baseia em Destino, um supercomputador ligado a todos os órgãos do partido, e teoricamente capaz de avaliar qualquer situação e encontrar a solução adequada.

Em 5 de novembro de 1997, um terrorista fantasiado de Guy Fawkes explode as casas do parlamento inglês. É o início de uma elaborada vingança contra abusos provocados em nome da ordem. Durante a noite das explosões, o criminoso, que passa a ser conhecido simplesmente pela inicial V, encontra Evey Hammond, uma órfã desesperada, abatida e inexperiente que tenta, sem sucesso, entrar para a prostituição. A garota acaba se insinuando, sem saber, para um dos homens do Dedo, e é salva por V e levada por ele para a Galeria Sombria, onde o terrorista guarda toda a arte que ele conseguiu juntar antes que fosse destruída ou censurada pelo governo.

A HQ traz o conflito entre a Anarquia, a paixão de V – destaque para o diálogo entre V e a Madame Justiça -, e o fascismo, tendo Adam Susan, chefe da Cabeça, como seu representante máximo. Um ponto interessante é que Moore nunca chega a apresentar heróis ou vilões. V, sendo ou não bem-intencionado, é um terrorista e um lunático, matando quem quer que se ponha no caminho de sua vendeta; e Susan é um homem afogado em seu desespero solitário, incapaz de interagir socialmente, que acredita estar sozinho no mundo com seu ‘deus’, Destino. Sem conhecer a ternura humana, o ditador anseia pelo amor frio e, segundo ele, perfeito, de sua máquina.

A idéia é aplicar a anarquia na própria HQ, deixando o leitor pensar por si próprio e decidir se dá razão á ordem restritiva da Nórdica Chama ou ao caos libertário de V. Somos levados a ver a história através dos olhos confusos de vários personagens secundários, como a própria Evey, que vai gradualmente se transformando em algo diferente; Rose Almond, viúva do falecido Derek (ex-chefe do Dedo), que percebe que era amparada apenas pela alta posição de seu marido, e se torna completamente desprezada e largada após a sua morte; e Eric Finch, investigador do Nariz, que vê V como um monstro, mas, sendo obrigado a tentar pensar como o terrorista para pegá-lo, começa a questionar sua própria conduta, tendo aceitado e se tornado parte de um sistema fascista do qual ele discorda. Ao contrário da versão cinematográfica, Finch nunca chega a admirar V ou o que ele faz: ele o considera um monstro até o último momento. A humanidade de cada personagem é outro traço marcante da HQ.

V de Vingança é o tipo de HQ que se torna um clássico pra quem lê. E foi a HQ que me fez ver que histórias fechadas geralmente tem potencial pra ser muito melhores do que as inacabáveis histórias de super-heróis.

Recomendo que a HQ e o filme sejam vistos como duas obras separadas. Os dois foram feitos em épocas diferentes, e enquanto a Graphic Novel era uma resposta ao Thatcherismo inglês dos anos 80, o filme tentou se adaptar á briga entre conservadores e liberais e á guerra ao terrorismo americana. Isso, claro, sem contar que o filme não foi nem um pouco encorajado por Moore, que já tinha ficado insatisfeito com outras adaptações, como A Liga Extraordinária.

Ave atque vale, marujos!

V de Vingança


V for Vendetta
Lançamento: 1982/1988
Arte: David Lloyd
Roteiro: Alan Moore
Número de Páginas: Varia
Editora:Vertigo (EUA), Quality Comics (Reino Unido)

Overdose Adaptações: A Liga Extraordinária (Vertigo)

HQs terça-feira, 15 de julho de 2008 – 3 comentários
 ISSO lhe parece um grupo de heróis?

Histórinha pra ilustrar: Há uns anos eu participei de uma promoção de um certo site de entretenimento por aí e ganhei quatro convites para ver A Liga Extraordinária no cinema. Três motivos pra me entusiasmar: Era uma adaptação de uma HQ do ALAN MOORE (Fãs de quadrinhos, uni-vos!), os personagens do filme vinham de LIVROS clássicos estrangeiros (Tom Sawyer, Mina Harker, Dr. Jekyll/Mr. Hide, etc.) e que iria com mais três amigos pra ver o filme DE GRAÇA. Vi o filme, sentado no corredor do cinema (Porque as cadeiras eram nojentas) e gostei do que vi, não ótimo, mas empolgante. E pra que dizer tudo isso? Só pra considerar que o filme, hoje, é UMA DROGA pra mim e os quadrinhos são FENOMENAIS.

 Pois é… O cartaz promete… Mas o filme mesmo… Heh!

Pausa para os mooristas pararem de ovacionar… Obrigado. Se fosse para recomendar neste momento cinco quadrinhos com características literárias para quem quisesse uma boa leitura, os dois volumes de A Liga Extraordinária ocupariam duas indicações, obrigatório o primeiro. Ao contrário do filme, a graphic novel (Nome bonito para HQ´s de “grande porte”) é bem menos voltada para a ação e mais para criar toda uma mitologia de uma equipe secreta que funcionaria como uma equipe de “super-heróis”. Nesta história, porém, os heróis não são pessoas com super-poderes, mas sim personagens da literatura mundial com habilidades estranhas, maldições macabras e perfis nada heróicos. Novamente ao contrário do filme é Mina Harker, da obra Drácula, quem viaja pelo mundo recrutando homens excepcionais para formar A Liga e defender a Europa de uma conspiração.

 Sente só QUEM está no meio. Viu quem manda na budega?

Se para você Tom Sawyer, o personagem mais enjoadinho do filme, era dispensável e totalmente sem graça, fique feliz que, ao lado de Dorian Grey, ele não ocupa as páginas do trabalho de Alan Moore. Aliás, praticamente todas as personalidades e trama são diferentes de uma versão para a outra, excluindo Nemo, igualmente “soberbo” nos quadrinhos. Mina Harker é contida e feminista, bem menos oferecida e poderosa. Aliás, em nenhum momento chegamos a ver ela apresentar forças das trevas como na telona. Alain Quartermann é um velho quase caduco que demora a sentir vontade de assumir o cargo e tem bem mais a condizer com a real idade que tem. Quando o encontramos nos quadrinhos ele está em uma situação bem constrangedora. A dupla Jekyll e Hyde é muito mais bizarra, sendo que o doutor faz uma participação bem menor, ficando a maior parte do tempo na pele do gigantesco monstro que parece inspirado no Hulk. Por fim, Griffin, o Homem-Invisível, é um sujeito mesquinho, que prefere ficar atrás dos panos, aproveitando das sobras e esgueirando dos combates.

 “Querida! Olha o que eu trouxe pro jantar!?!”

Outro adjetivo para os quadrinhos de A Liga Extraordinária seria ousado. Durante a leitura encontramos um teor adulto, bem diferente das, em geral, alegorias e estapafúrdias de quadrinhos que tratem de uma “liga”, se é que me entende. Sexo, violência exagerada, citações complicadas da cultura inglesa e personagens extremamente profundos povoam a página de A Liga Extraordinária. O terceiro volume, inclusive, veio cheio de “easter eggs”, ovos de páscoa para os fãs, incluindo um disco anexo. Eu ainda espero para ler em português.

 Essa coisa traria um caderno de pornografia dentro. Empolgou?

A Liga Extraordinária Vol. 1


The League of Extraordinary Gentlemen
Lançamento: 2003
Arte: Kevin O’Neill
Roteiro: Allan Moore
Número de Páginas: 191
Editora:Devir

Overdose Zumbis: Toe Tags (DC Comics)

HQs quarta-feira, 19 de março de 2008 – 2 comentários

ZUMBIS

Que George A. Romero é o grande nome dos filmes de zumbis, acho que todo mundo aqui já sabe. O que talvez poucos saibam é que em 2004, pouco antes de transformar sua trilogia em uma quadrilogia (com o filme Terra dos Mortos, de 2005), o cara resolveu se aventurar no mundo das HQs. Foi assim que nasceu Toe Tags, série em 6 capítulos lançada pela DC.

Seguindo os filmes do próprio Romero, a história provavelmente se desenrola durante os acontecimentos de Dia dos Mortos ou depois. O estado de apodrecimento dos zumbis e o próprio estado completamente devastado do mundo aponta pra isso. Apesar de ser ótimo pros fãs dos filmes de Romero, que ganham mais um pedaço da história, isso acaba sendo um dos pontos fracos da HQ. Um leitor casual sentiria a falta de informações, já que o apocalipse zumbi já tomou conta desde o início da história. A coisa faz um pouco mais de sentido se os acontecimentos da revista forem encaixados no mesmo universo dos filmes. Por exemplo, a inteligência crescente dos zumbis (alguns certamente pensam mais do que os montes de carne sem cérebro de A Noite dos Mortos-Vivos ou de Despertar dos Mortos) parece dar continuidade á idéia – iniciada em Dia dos Mortos com o carismático Bub e aprofundado em Terra dos Mortos com Big Daddy, o frentista – de que os zumbis também aprendem as coisas.

[Botem alguma imagem aqui, cães imundos]

Um ponto interessante de Toe Tags é que a história é mostrada pelo ponto de vista dos mortos-vivos pela primeira vez. De um lado, acompanhamos o protagonista Damien, que, após ser mordido, se tornou um zumbi consciente, e quer entender o motivo. A explicação parece estar nas mãos do Professor Hoffman (talvez uma referência a Os Contos de Hoffman, um dos filmes favoritos de Romero), que desenvolveu uma vacina que age nos zumbis. De outro, está Atila, the Hungry (eu PRECISAVA manter o original em inglês pra manter o trocadilho ridículo), um zumbi com capacidade de se comunicar, que lidera uma legião de mortos-vivos prontos para devorar tudo que estiver vivo pela frente. Como um terceiro ponto de vista, temos o exército, mostrado aqui como um grupo autoritário liderado por um homem ainda mais ditatorial, e, por fim, grupos de humanos sobreviventes, que se recusam a se unir ao exército, sabendo que vai terminar em merda. Toe Tags, como as outras obras de Romero, mostra a humanidade como a principal inimiga de si mesma, se destruindo em disputas pessoais enquanto os zumbis devoram a todos. A mesquinhez humana parece fazer com que os vivos fiquem cada vez mais estúpidos, contrastando ironicamente com a união dos mortos-vivos e a habilidade de aprender.

Talvez, para os críticos, o maior erro da HQ seja a falta de personagens que sejam realmente carismáticos. As pessoas geralmente esperam encontrar nas histórias personagens que atraiam o leitor a ponto deste desejar sua sobrevivência. A grande impressão que se tem ao ler a história é que Romero está completamente do lado dos mortos-vivos. O que pra mim não tem problema nenhum, claro, mas é o alvo da crítica de muitos leitores. De qualquer jeito, mesmo não sendo o melhor trabalho do diretor, nem sendo a melhor HQ existente sobre zumbis (eu sugeriria The Walking Dead), acho que vale á pena dar uma olhada em Toe Tags.

Toe Tags

Toe Tags featuring George A. Romero
Lançamento: 2004
Arte: Tommy Castillo
Roteiro: George Romero
Número de Páginas: 22
Editora:DC Comics

Os Invisíveis (Vertigo)

HQs quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008 – 5 comentários

Provavelmente a obra-prima de Grant Morrison, Os Invisíveis age como uma pedrada na nuca, estilhaçando sua cabeça como uma vidraça velha. Infestada de contra-cultura e rebeldia por todos os lados, a HQ ataca a falta de vida da sociedade morna dos dias de hoje. Agora, oito anos após o fim de sua publicação, a idéia parece fazer ainda mais sentido do que quando essa maravilha foi lançada.

Pois bem, vamos á sinopse. Começamos conhecendo a vida de Dane McGowan (isso simplesmente não pode ser coincidência), um hooligan de liverpool com o espírito cheio da genuína rebeldia adolescente. Após incendiar sua escola e espancar seu professor, o garoto é levado para a Casa da Harmonia, uma instituição de correção de menores, preocupada em transformar garotos rebeldes em verdadeiros zumbis sociais que aceitam a ordem sem graça do mundo. A coisa toda soa como uma bela referência á Laranja Mecânica de Anthony Burgess, aliás. Especialmente a sala da “realidade virtual”.

É King Mob quem salva Dane da cruel transformação em “zumbi”. E é aí que a HQ começa a mostrar suas garras, e vemos que a coisa toda é muito maior que uma simples ode á rebeldia. É uma ode do caralho á rebeldia, ao Caos e á sensação de se estar realmente vivo. Aos poucos, somos libertos das amarras do mundo cinza, junto com o próprio Dane, que descobre um mundo completamente novo, acima desse mundo de prédios e fumaça e cidades. Um mundo de simbolismos e mitologias. De Loucura e de magia. E, mesmo assim, um mundo Verdadeiro. Idéias sobre a realidade, sonhos, metafísica e aquele bla bla bla todo são lançadas através da revista como tiros tentando destruir a casca que criamos e deixar o nosso “self” escapar. Ou qualquer porcaria assim.

Provavelmente a coisa toda vai te soar quase como Matrix lá pelo terceiro ou quarto volume, com todo aquele negócio do Tom sobre abrir os olhos e ver o mundo e pular de prédios. Bom, surpresa, você acaba de encontrar uma das grandes “inspirações” pros irmãos Wachowski. A idéia tá toda lá. Pelo menos a idéia interessante, a do primeiro filme, antes da coisa virar só aquela porcaria de robôs atirando em robôs. E… bom, deixa Matrix pra lá.

Ce tá de olho na loiraça carioca ali do meio, né? Bichona!

O centro das atenções é uma célula da Universidade Invisível formada por Dane McGowan (que ganha o apelido de Jack Frost ao ingressar na bagaça); King Mob, o líder careca, sarcástico e bon-vivant da equipe; Lord Fanny, um xamã transsexual carioca; Menino, uma ex-policial do departamento de polícia de Nova York e Ragged Robin, uma feiticeira. Se você esperava os X-Men, talvez se desaponte.

Definir os Invisíveis seria um bocado complicado. Eles estão por aí, invisíveis para todos aqueles que não querem ver, participando de uma longa e secreta guerra contra a opressão, não só física quanto mental. Você vai ver cabeças proféticas decepadas, a vida através dos olhos de pombos, conversas entre deuses mortos e deuses inventados, granadas, perversão sexual e a mais pura violência. Acho que o próprio Morrison ficou realmente puto quando começaram a censurar alguns pedaços da HQ. E, claro, do outro lado estão… não, melhor deixar você descobrir sozinho.

Só lendo essa pérola das HQs você pode ter uma noção da grandiosidade da coisa toda. Infelizmente, nosso editor-chefe e resmungão oficial nos proíbe de passar links ilegais por aqui. Assim sendo, eu espero que vocês acabem encontrando o caminho. Vocês saberão que seguem a trilha certa se passarem por um bocado de Vertigem. Sobre a HQ, acho que a única coisa que eu posso realmente dizer é bota pra foder!

Título da HQ


Título original: The Invisibles
Lançamento: 1994
Arte: Vários, um para cada arco da HQ
Roteiro: Grant Morrison
Número de Páginas: 24
Editora:Vertigo

Crítica – Thunderbolts

Bíblia Nerd segunda-feira, 17 de dezembro de 2007 – 6 comentários
Thunderbolts“Let your plans be as dark and impenetratable as night, and when you move, fall like a thunderbolt”

Me sinto nostálgico ao lembrar do meu primeiro contato com esta hq criada por Kurt Busiek e Mark Bagley. Foi no início de 1999, logo após o fim do evento Massacre Marvel. Lembro que na época não me agradou muito, e só virei leitor alguns anos depois, quando o Gavião Arqueiro se tornou o novo líder do grupo.

A idéia não era tão nova, mas era incomum. No fim do Massacre, os Vingadores e o Quarteto Fantástico foram dados como mortos. Entram então os Thunderbolts, um grupo totalmente “novo” e a população americana passa a se sentir segura novamente. Mas com a volta dos heróis, o grupo revela seu verdadeiro objetivo: Os integrantes dos Thunderbolts eram, na verdade, vilões disfarçados, que pretendiam matar seus velhos inimigos e tomar conta do país. Travado o combate, o líder deles, o nazista chamado Helmut Zemo, se sacrifica para salvar o Capitão América, após ver que tudo aquilo não era certo. O grupo ainda teve um clube de luta entre vilões e mais duas formações, sendo estas bem intencionadas. Ou quase isso.

Mas nada disso nos importa, pois os Thunderbolts que irei resenhar são muito mais violentos, psicóticos e cruelmente engraçados. A partir da edição 110, a revista é assumida pelo desenhista (brasileiro!) Mike Deodato e o brilhante roteirista Warren Ellis, ambos bem conceituados.

Thunderbolts formaçãoDa esquerda para a direita: Penance, Songbird, Radioactive-Man, Swordsman e Venom

Como resultado dos estrondosos eventos da Civil War (altamente recomendável), uma nova equipe foi formada, desta vez completamente controlada pelo governo. Mac Gargan, anets o patético Escorpião, agora o temível Venom! Chen Lu, cidadão chinês, mais conhecido como o Homem Radioativo! o alemão mutante Swordsman, mestre com espadas! A ex-líder da formação original, Songbird! A enigmática e ambiciosa Moonstone! O conflituoso e incrivelmente forte, Penance! Bullseye, o homem que nunca erra! E todos eles sob a direção de ninguém mais, ninguém menos que o maior inimigo do Homem-Aranha, Norman Osborn, o Duende Verde!

Com exceção de Bullseye, que opera como membro secreto, a equipe se torna incrivelmente popular, uma verdadeira celebridade. Sua missão? Capturar os super-humanos que se recusam a assinar o registro imposto pelo governo e agora agem secretamente. Tudo isso para fazer do mundo um local mais seguro para as pessoas comuns. Ou pelo menos é isso que eles afirmam. Warren Ellis e Mike Deodato apresentam uma escura e perturbante tomada na lista dos mais procurados da Marvel, onde a linha entre herói e vilão é difícil de se encontrar. Se é que ela existe…

Venom“I’m no man, i am dynamite, at a height where i speak not in words but in thunderbolts. My fervent will to create impels me thus as the hammer impelled toward the stone”

Sinceramente, esta é a melhor coisa que resultou da Civil War. Confesso que já estava empolgado mesmo antes de ler, mas a empolgação foi ainda maior quando terminei a primeira edição desta nova e brilhante fase. As batalhas são bastante intensas e se desenvolvem de um modo que você não consegue decidir para quem você está torcendo ou com quem você simpatiza mais. A violência é constante, como num filme de ação.

Mas Thunderbolts não é apenas pancadaria gratuita. Por trás das lutas existem também as partes política e estratégica, que vai desde as reuniões com Norman Osborn até comercias de tv, mostrando cenas da propaganda das figuras de ação dos “heróis” e também do Who Wants to be a Thuderbolt, paródia do Who Wants to be a Superhero, de Stan Lee. Propositalmente, Stan Lee se mantém como apresentador na revista também.

E então vem minha parte predileta: Conflito pessoal. É fato que a equipe não se dá muito bem. Mac Gargan mostra os problemas de sua convivência com o simbionte Venom. Songbird e Chen Lu tramam para fazer com que a equipe volte a ser o que era antes. Moonstone trama para tomar a diretoria dos Thunderbolts das mãos de Osborn. Bullseye quer apenas matar todos eles. Norman Osborn se mostra vítima de uma obcessão incomum pelo Homem-Aranha, seu antigo arquiinimigo.

Mas o mais problemático certamente é Penance, antes o herói conhecido como Speedball. Ele passou por muita merda durante a Civil War, até chegar a um ponto que simplesmente não aguentava mais. Possuidor de um grande poder que cresce com a dor, Robert Baldwin usa uma roupa estilo “dama de ferro”, para que se mantenha em dor constante. Como ele obteve esse poder e a extensão do mesmo ainda é um mistério. Ele não é oficialmente um membro da equipe, logo não pode ser atingido por Osborn. Juntando isto com seu poder e personalidade fria e algumas vezes assustadora, Penance é ao mesmo tempo o membro que Osborn mais teme e mais admira.

More Thunderbolts“None are happy, none are good, none are respectable, that are gyved like us. And i must tell you, besides, it is very dangerous talk. If you grumble of your iron, you will have no luck; If you ever take it off, you be instantly smitten by a thunderbolt”

A arte está entre as melhores. Mike Deodato está caprichando bastante. Os personagens são bem detalhados, assim como o cenário, facilitando as cenas de ação. Assim como nas atuais revistas do Moon Knight e boa parte de Ultimate Fantastic Four, os efeitos especiais (explosões, a rajada de Penance, etc) são retocados no computador, dando um pouco de “luz” ao movimento, fazendo com que fique ainda mais bem feito.

Esta revista vale MUITO a pena e eu recomendo com todas as minhas forças. Não é por pouca coisa que ela é a minha revista predileta atualmente. Mesmo quem não é fã de coolant deveria dar uma olhada. Esses Thuderbolts não apenas mais um grupo da Marvel. Eles são a “justiça, como um relâmpago”.

Crítica – All Star Batman & Robin the Boy Wonder

Bíblia Nerd sábado, 08 de dezembro de 2007 – 4 comentários

Capa edição 1

Se você se considera fã do morcegão ou leitor de hqs, imagino que já tenha colocado as mãos num exemplar de The Dark Knight Returns, escrito e desenhado pelo grande Frank Miller. O clima sombrio e violência com qual Miller retrata o Cavaleiro das Trevas fez dessa revista um Must Read. E agora, anos depois do lançamento de TDR, aliado ao famoso desenhista Jim Lee, Miller nos bombardeia com mais uma dose de violência de qualidade, com All Star Batman & Robin. Prepare-se para entender o significado da palavra “COLHÕES”.

Antes de mais nada, tenha em mente que a história não se passa no Universo Mainstream, e sim no All Star. “Nip, que porra é essa?”. Simples, é a resposta da DC para o Universo Ultimate da Marvel. Atualmente, este Universo é composto por apenas duas revistas: All Star Superman e All Star Batman & Robin. Eu dei uma folheada na revista do Homem de Aço, e gostei, mas Batman & Robin já tem testosterona suficiente para sustentar sua masculinidade pelos próximos 20 anos.

robinisqueer

Noite na escura e corrupta Gotham City. A conceituada jornalista Vicki Vale, também famosa por ser a ruiva mais gostosa do pedaço, recebe uma ligação. Era Alfred, mordomo do magnata Bruce Wayne, avisando que seu patrão iria levá-la para sair. Sim, é isso mesmo. Esqueça diálogos chatos e romances babacas, o Bruce Wayne de Miller é um exemplo de macho alpha. Estonteada pela notícia, a ruiva corre até seu armário para escolher uma roupa adequada. Ela desce as escadas e entra no carro, então Alfred a leva até o circo, onde Wayne a esperava. Os dois iam assistir o show dos “Flying Graysons”.

Tudo vai bem, até que o casal Grayson é assassinato na frente da platéia e de seu único filho, Dick. Bruce sai correndo do local, o que indica que está na hora do Batman chutar umas bundas. Os assassinos capturam Dick e fogem com ele, mas logo são alcançados pelo Batmóvel. Começa então uma sequência capaz de excitar até os mais heteros. Batman coloca o garoto no banco de carona e se dirige até a Batcaverna, DESTRUINDO BARREIRAS POLICIAS QUE OUSARAM FICAR EM SEU CAMINHO. Isso marca o ínicio de uma história de vingança e a relação entre um homem louco e um garoto traumatizado.

“Caralho, ele bagaçou os policiais?”. Exatamente. O Batman All Star não tolera policiais, pois eles são baratas corruptas que precisam ser ESMAGADAS. O único portador de distintivo que ele respeita é o Comissário Gordon. Bom, de fato, Alfred e Gordon são os únicos seres humanos que Batman respeita. “Nossa, o pessoal deve odiar ele então, né?”. Errado. O Batman tem um bom número de fãs e imitadores, sendo a maioria deles do sexo feminino. Uma palavra, duas sílabas: MACHO.

batmobile

Outra coisa que eu achei deveras atrativa no roteiro de Miller, é a personalidade doentia que ele dá aos seus personagens, heróis ou não. Isso é bem representado na “cena” da reunião da Liga da Justiça (Mulher-Maravilha, Superman, Lanterna Verde e Homem Borracha), em que a Mulher-Maravilha sugere que eles cacem o tal Batman, arranquem sua cabeça e enfiem numa estaca para mostrar ao mundo quem é que manda. O Superman então grita com ela, falando que ela não sabe PORRA NENHUMA, e que se ela ousar sacanear com seu mundo, seu povo, suas regras, ela irá pagar com seu sangue. E depois dessa discussão os dois SE BEIJAM, por que é assim que dois adultos fazem as pazes.

“E por que eles iriam querer caçar o Batman?”. Um: Ele está tocando terror em Gotham City, espancando geral mesmo. Dois: Ele sabe que Clark Kent é o Superman. Três: Ele sabe que o Superman pode voar, mas o próprio Super ainda não sabe disso. MELHOR. DETETIVE. DO. MUNDO. Cara, eu adoro essa revista. E se vocês já estão empolgados agora, imagino como estarão na hora que o CORINGA aparecer. Foda cara, simplesmente foda.

Joker

Agora que você já sentiu o gostinho do roteiro de Miller, vamos falar um pouco dos desenhos de Jim Lee. O que posso dizer? Combinação perfeita. Desde a sombria Gotham até a barba por fazer da Wayne, tudo está muito bom. Mulheres sexys, homens marrentos cenas bem retratadas de pancadaria. A dupla Miller/Lee devia trabalhar mais vezes juntos.

Eu poderia continuar a dar exemplos de por que você deve ler esta obra-prima do cromossomo Y, mas acho que já falei o suficiente. Curte Batman? Curte Hqs? Tem duas bolas no saco? Então tá esperando o quê para ir até a banca adquirir seus exemplares? Aqui no Brasil, a publicação é pela Panini Comics. A revista atualmente está em sua oitava edição, nos EUA. Não sei do preço.

Crítica – Ultimate X-men

Bíblia Nerd sexta-feira, 07 de dezembro de 2007 – 3 comentários

Ultimate X-Menr

Tudo começou em 2000, com o lançamento de Ultimate Spider-man. A revista era o ponto de partida para um novo universo na Marvel, e recontava as histórias do personagem de uma forma divertida e inovadora. Um ano depois, veio Ultimate X-Men. Inicialmente, Joe Quesada e Bill Jemas, os homens por trás do Ultiverso, chamaram Brian Michael Bendis para escrever os roteiros de Ultimate X-Men, mas ele recusou, e só foi assumir a revista na edição 34. A Marvel contratou então o escocês Mark Millar, que não sabia absolutamente NADA sobre os X-Men. Bom, fora o que ele tinha visto nos filmes.

Millar não teve escolha a não ser RECRIAR os X-Men, junto ao desenhista Adam kubert. A sua primeira formação foi composta por Charles Xavier,o telepata mais poderoso do mundo e fundador dos X-Men; Ciclope, pupilo de Xavier, cujas rajadas concussivas podem partir montanhas; Jean Grey, a segunda maior telepata e possuidora de telecinese; Tempestade, manipuladora de climas; Fera, cuja agilidade só é superada pelo seu intelecto; Homem de Gelo, dotado de poderes criocinéticos; e o russo Colossus, capaz de transformar sua pele em um metal tão duro quanto o adamantium, e possuidor de grande força.

A versão Ultimate a 616 (o universo mainstream) tem uma série de diferenças. Uma delas é que no Ultiverso, os mutantes são uma minoria racial reconhecida, o que fortalece a idéia de “vítimas do preconceito”. Outra diferença é que a identidade dos Ultimate X-Men é completamente pública, chegando a ter até alguns fã-clubes pelo mundo. Mas não se iluda, eles possuem muitos inimigos humanos, parte deles membros da elite governamental.

World Tour

A revista já começa mostrando o maior ato de repressão mutante já usado pelos humanos, os Sentinelas. Capazes de identificar possuidores do gene mutante, e programados para matar, eles são os soldados nazistas do século 21. Magneto, visando acabar com essa perseguição, sequestra a filha do presidente dos Estados Unidos, e como resgate ele pede a desativação dos robôs. Obviamente, isso não foi bem visto pelos humanos. Para evitar que a situação piore, Xavier manda seus X-Men numa missão de resgate, mesmo com a discordância de alguns membros. Com o início de uma rivalidade com a Irmandade de Mutantes e seu líder, Magneto, a primeira missão dos X-Men pode ser a sua última…

E está é a trama do primeiro arco (Povo do Amanhã, edições 1 á 6) de uma forma resumida. Eu queria falar dos outros, mas não é minha intenção acabar com a surpresa. O que nos leva a outro ponto forte da revista, as surpresas. Não pense que os personagens mudaram apenas em aparência do uniforme. Muitos deles agem de forma diferente de suas contrapartes do universo 616, o que torna a leitura mais empolgante. É como se todos os personagens fossem Wolverine. E com isso eu quero dizer que são misteriosos, não que são peludos e nervosinhos.

Em certos momentos, a equipe sofre alterações na formação, seja a saída de um mebro ou a entrada de novos membros. Mas não se acostume demais com formação alguma, pois chega um momento que a equipe passa por uma alteração drástica.

Ultimate X-Mene você só saberá na hora certa

A revista, que acaba de chegar á edição 88 nos EUA, passou por vários roteiristas e desenhistas de qualidade, e agora está nas mãos de Robert Kirkman (Marvel Zombies, Walking Dead) e Yanick Paquette (Civil War: X-Men). A qualidade da revista se manteve de alto nível durante todas as 88 edições e 2 anuais, e digo isso sem exageros. A única coisa que eu poderia criticar são os desenhos do arco “Tour Mundial” (edições 15 á 20), mas tudo isso é superado pelo brilhante roteiro.

“Ahn, Nip, porque você disse ‘manteve’?”. Porque tudo indica que em 2008, Jeph Loeb irá assumir a revista, como consequência do evento “Ultimatum”, que dará fim ao Ultiverso. Eu espero com todas minhas forças que seja apenas um boato ou que a Marvel mude de idéia, pois se ele conseguiu foder The Ultimates… Tenho medo do que fará com Ultimate X-Men.

Ultimate X-Men é uma excelente hq, e recomendo á todos que ainda não leram que ao menos dêem uma olhada. É uma prato cheio para quem curte as aventuras da equipe mutante, e para leitores novos, que desconhecem os personagens. Enfim, Ultimate X-Men faz jus ao Ultiverso. Aqui no Brasil, a publicação é em “Marvel Millenium Homem Aranha”, pela Panini. Loeb, morra de câncer.

Cable?você PENSA que sabe quem é ele

Crítica – The Ultimates 3

Bíblia Nerd quinta-feira, 06 de dezembro de 2007 – 8 comentários

Boas lembranças de quando a Marvel iniciou a publicação de um novo universo, o Ultimate (Marvel millenium no Brasil). Composto por novas versões de personagens e arcos já contados, com algumas novidades e inovações pelo meio, o universo Ultimate sempre manteve um ótimo nível de qualidade.

O Ultiverso é formado principalmente por três revistas; Ultimate Spider-Man, Ultimate X-Men e Ultimate Fantastic Four. Mas é unânimidade que a melhor das revistas publicadas com o selo Ultimate é The Ultimates. Versão alternativa dos Vingadores, The ultimates era tudo e mais um pouco. Humor negro, excelente roteiro e diálogos, desenhos impecáveis. Tudo isso graças ao roteirista Mark millar e o desenhista Bryan Hitch que tornaram esta uma das melhores revistas da editora em 2 volumes (de 13 edições cada).

UltiverseBons tempos…

Mas alegria de pobre dura pouco. Quando a Marvel anunciou que Jeph Loeb e Joe Madureira assumiriam a revista no volume 3, muitos fãs (da revista, não deles) se desesperaram. Nas comunidades do orkut e fóruns de hqs, o pessoal se preparava para o pior. Não foi suficiente. The Ultimates 3 é tão ruim que eu não sei se consigo expressar minha decepção. Acho que pode ser comparada ao HOLOCAUSTO. Sério, não vale nem 1% dos 15mb que ocupou no meu HD.

Os desenhos de Madureira estão fora de foco, deixando as cenas de ação… sem ação. Parece até que voltamos ao início dos anos 90. Os personagens, antes muito bem trabalhados, foram descaracterizados. Hawkeye virou uma cópia do BULLSEYE, tem até a mira na testa. E eu que pensei que ele mudaria pra melhor após Ultimates 2. Lembram-se daquele relacionamento estranho entre a Feiticeira Escarlate e Mercúrio? Foi levado ao exagero, e virou INCESTO. Quem leu os últimos volumes deve ter percebido que no fim das contas, não passava de superproteção. Mas Loeb achou que seria legal transformar isso em algo repugnante. Imagino que depois de escrever o roteiro, ele tenha pensado “Eu sou polêmico, LOLOLOL!” e aí começou a se masturbar com vídeos do Bangbros.

Ultimates 3vou ali limpar o sangue dos meus olhos

O roteiro é basicamente um clichê; Um membro da equipe é assassinado e os heróis devem descobrir quem é o assassino. Duvido muito que isso desemboque na conspiração que ocorreu em Ultimates 2. Mencionei que Venom invade a base deles sem explicação alguma?

Eu poderia continuar xingando e reclamando por mais umas dez páginas, mas estou desanimado até para isso. Mas fiquem calmos, nem tudo está perdido. O volume 3 terá apenas 6 edições, e as outras revistas continuam boas. “E o volume 4?”. Bom, olhe o lado bom; Pior que isso, só com o Rob Liefeld.

Capitão LiefeldMeu Deus

The Boys: HQ pra macho.

HQs terça-feira, 30 de outubro de 2007 – 7 comentários

Pois bem. Só por eu ter falado sobre Transmetropolitan aqui, eu já deveria poder tirar minha aposentadoria com todo o luxo incluso, mas como eu sou benevolente, farei mais um favor a vocês, baitolas, trazendo mais uma HQ que pode talvez transformá-los em pessoas decentes.

The Boys é uma HQ do irlandês Garth Ennis (de Preacher), ilustrada por Darick Robertson (co-criador de Transmetropoli… porra, eu já devia poder parar esse texto por aqui. Só esses dois parênteses já deviam ser o bastante pra ces saberem que a HQ é do caralho). O cenário é quase como o mundo de hoje, mas existem pessoas com super-poderes nele. Ou seja: Tinha tudo pra ser uma HQ padrão de super-heróis com cuecas por cima das calças. E de um certo modo, ela é. A diferença mais notável é que os super-caras não são o centro da história. Quem manda na bagaça toda são os caras de um grupo especial da CIA criado pra manter os heróis na linha. Uma espécie de BOPE dos super-heróis. E a coisa toda é comandada pelo intimidante Açougueiro.

RÍ!Com um cachorro desses, até eu seria marrento.

A idéia não é necessariamente nova. Nas próprias revistas famosas de heróis da Marvel e da DC já se viu alguma coisa sobre isso, e a idéia chegou a aparecer até em Liga da Justiça. O grande problema é que nenhum desses caras foi PIRATA o suficiente pra levar a idéia mais a fundo, e mais: Nenhum deles foi pirata o bastante a ponto de mostrar o ponto de vista dos heróis como algo ERRADO. E é aí que o Garth entra. O cara chuta a porta, mesmo, descendo o SARRAFO nos caras com a cueca por cima da calça sem remorso nenhum.

Criar The Boys foi como dar uma botinada na cara do Superman. Literalmente.Heróis são TANGAS! Logo na primeira HQ, onde alguns dos personagens são apresentados, uma cena clássica é mostrada: O vilão é arremessado num muro, em um parque de diversões, que, logicamente, está cheio de gente. Até aí, tudo normal, a não ser por pequenos detalhes. Detalhes, aliás, que são precisamente os pontos essenciais da HQ, e que são omitidos em toda HQ, desenho ou filme de super heróis: Pessoas morrem em explosões, prédios demolidos e terremotos. No caso, a vítima é Robin, namorada de Hughie Mijão, um dos personagens principais da revista. O vilão, arremessado no muro, acaba acertando a garota em pleno ar, deixando apenas as mãos mutiladas da pobre vítima ainda seguradas pelas mãos de Hughie. Uma bela cena, devo dizer. Sem o menor arrependimento – aliás, sem nem sequer parar pra prestar atenção na cena -, o super-herói, Trem-A, diz uma frase de efeito imbecil e sai de cena, deixando o homem traumatizado pra polícia cuidar. Como qualquer super-herói faria, aliás.

Claro que o cara fica puto com isso, e é aí que o Açougueiro entra. O cara também parece detestar os super-heróis, e tá tentando montar de volta o grupo de “anti-heróis” dele. Além de chamar o Hughes Mijão, que, claro, ficou muito puto com a brigada da cueca em cima da calça depois do “acidente”, temos a psicopata Mulher, que sabe-se lá como explode a negada, deixando rostos arrancados e destruição pra todo lado, o Filhinho Da Mamãe, que é praticamente um segundo em comando no grupo, necessário pro Açougueiro, e o Francês, que tem uma entrada ao estilo Zinedine Zidane, e, e… porra, onde é que eu já vi esse cara, mesmo?

Théo é TANGASpider? É você?

The Boys foi publicada até o sexto volume pela Wildstorm, até que a série foi cancelada, em 24 de janeiro deste ano(é, véi, ainda se fazem HQs boas hoje em dia), sem mais nem menos. Pois é, FODERAM com o cu da ÉGUA, mesmo. Isso tudo porque a DC não gostou do “tom anti-heróico” da HQ. Rá, ficaram PUTINHOS, véi. Mas pelo menos os caras liberaram o Robertson, que tem contrato exclusivo com eles, pra continuar publicando a HQ junto do Garth, se arranjassem quem o fizesse. E em fevereiro os caras arrumaram: a Dynamite Entertainment resolveu continuar essa maravilha de idéia. A HQ então voltou á ativa em maio, e hoje temos até a décima quarta edição dessa pérola das HQs.

Enfim, se você gosta de humor negro, sanguinolência, herói tomando porrada no olho, humor negro, estupros caninos, matança, destruição, morte, sadismo, Preacher, Transmetropolitan e humor negro, essa é a HQ que vai te satisfazer, marujo!

Agora, se vocês querem link pra bagaça, que tal perguntar pro JÃO MATADOR?

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