Sweet/Vicious é o poder

Televisão sexta-feira, 03 de fevereiro de 2017

Sweet/Vicious me proporcionou algo que eu não sentia há anos, aquela sensação de quando você descobre um herói completamente novo e mergulha de cabeça nesse novo e incrível universo do qual você não sabe absolutamente nada. A série tem tudo que os quadrinhos já tiveram de melhor há muito tempo atrás. Crises de identidade, motivações reais, injustiça, uma vida dupla realmente necessária e complicada e um sidekick carismático como nunca vi um sidekick antes. Em tempos de quadrinhos fracos, Sweet/Vicious acabou sendo a melhor coisa que “li” esse ano.

Aceita porque dói menos.

A história é mais ou menos a seguinte, Jules é, aparentemente, uma dessas patricinhas perfeitinhas e nojentinhas clássicas de seriados teen membro de uma Irmandade com outras patricinhas perfeitinhas e nojentinhas. Só que isso faz parte do disfarce de Jules, que é na verdade uma vigilante levando justiça ao campus universitário, principalmente às vítimas de abuso sexual que são negligenciadas, muitas vezes porque o estuprador é de uma família rica, outras porque não querem que tal escândalo suje a reputação da faculdade e em grande parte só porque são mulheres mesmo. Eu sei, parece exagero, mas acredite, não é.

Do outro lado, quer dizer, do mesmo lado, mas com uma vida completamente diferente, temos Ophelia, a traficante maconheira que trabalha na loja de discos, é negligenciada pelos pais e é um super gênio. Ela acaba descobrindo a identidade secreta do justiceiro do campus e passa a ajudar Jules em sua missão. E sim, Ophelia é a melhor personagem da série. Aliás, melhor personagem de muitas séries por aí.

Enquanto espancam babacas e apoiam vítimas, as vigilantes ainda precisam lidar com os problemas da vida mundana e seus relacionamentos. E é aí que entram Harris, patrão e melhor amigo de Ophelia, que está estudando pra ser advogado e está investigando os ataques no campus e Kennedy, melhor amiga de Jules e namorada de Nate, o sujeito que estuprou Jules. Pois é. Ah, e tem o Tyler, crush da Jules e irmão de um estuprador que ela e Ophelia mataram acidentalmente. Cês acham que ter vida dupla é brincadeira, parça?

Mas calma, antes de sacar sua carteirinha do Bolsonaro e começar a chamar a série de feminazi, saiba que Sweet/Vicious trabalha muito bem no limite do aceitável. Bom, aceitável porque é ficção, né. Se fantasiar e dar porrada nas pessoas nunca é a melhor solução. Na Guerra Civil da vida real, quem tava certo era o Homem de Ferro, parça. Enfim, a série não tem discurso de ódio, não rola aquele lance de homem bom é homem morto. A série trabalha muito bem o lado da vítima, mas explora também o lado do abusador, que muitas vezes não acha que é um estuprador, que foi apenas um erro, que não merece ser punido, que não vai acontecer de novo. E é isso que as vigilantes estão garantindo, que abusadores nunca mais abusem de ninguém.

O final do segundo episódio, mermão, putaquemepariu!

A série lida com um assunto delicado de uma forma simples e natural, não nos deixando com aquela aura de pesar e aquele olhar de pena que lançamos sobre vítimas dos mais diversos traumas. Sweet/Vicious, além de denunciar a negligenciação com casos de abuso sexual nas universidades, quer mostrar a todos que as vítimas de abuso sexual podem e devem seguir em frente e levar uma vida normal. Enfim, Sweet/Vicious não é só o dedo que aponta, Sweet/Vicious é também o braço que acolhe, a boca que aconselha e o punho que espanca. Sweet/Vicious é foda!

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Antes de comentar, tenha em mente que...

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  • André Madeira

    Boa tarde, está disponivel em algum canal fechado aqui no Brasil, ou só assistindo online?

  • Jopes Luiz

    Deve estrear em breve na MTV.

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