Sexo nos Clássicos

Clássico é Clássico segunda-feira, 30 de março de 2009

A coluna de hoje aborda um assunto complicado: o que difere um filme clássico, mas que se utiliza de cenas de sexo explícito, o filme pornô clássico e os filmes que usam o sexo pra se vender de cults.
Isso porque sexo vende. E muito. Pergunta pra Bel.
Tanto é verdade que na 7a arte, se dá a existência de uma categoria praticamente separada dos filmes “normais” – o cinema independente pornô.
Apesar de relatos desses filmes em 1905, esse se definiu como gênero a partir de 1920, quando as mulheres não precisavam fingir orgasmo o cinema ainda era mudo, sendo geralmente rodado em bordéis. Aliás, o fator underground acompanhou o gênero durante muitos anos, ousaria dizer que até o ínicio da década de 70, não havia se consolidado como uma indústria de fato.

 O seu livro de ciências é mais erótico do que isso

Porém em abril de 1972, com o lançamento de Garganta Profunda, tudo mudou. O clássico dos clássicos revolucinou a indústria de entretenimento, ao se mostrar como uma das obras mais lucrativas já feitas. Com um custo de apenas 24 mil dólares e seis dias de gravação, o filme arrecadou 600 milhões de verdinhas no mundo inteiro. O que levou ao presidente da Paramount, chama-lo de O Poderoso Chefão do cinema pornô.

 A mãe da Emanuelle

Falando nisso, foi o protagonista do filme em questão (Poderoso Chefão, não Garganta Profunda, jegues), o eterno Marlon Brando que protagonizaria, no mesmo ano, um dos mais polêmicos clássicos do cinema: O Último Tango em Paris. Apesar do erotismo já ter sido tema de alguns filmes naquela época (principalmente da nouvelle vague japonesa), foi gerada uma polêmica gigantesca – que levou a censura, cortes e até proibição do filme em alguns países. Apenas os nomes de Brando, e do diretor Bertolucci (diretor italiano, extremamente conceituado) que evitaram que os problemas de aceitação fossem ainda maiores. O que há de tão bizarro nessa obra? Além de dois anônimos fazendo sexo casual não explícito, o filme não tem nada demais. Quer dizer, desconsiderando a famosa cena da manteiga (novamente, não explícita) que já virou até música dos Trapalhões.

Apesar de todos os obstáculos foi a partir desse clássico que o sexo passou a ter um elo real com a arte cinematográfica
Mas ninguém esperava que em 1976, a nouvelle vague japonesa mandasse tudo pra casa do caralho. Literalmente. Nagisa Oshima lança O Império dos Sentidos. Um dos filmes mais bizarros e chocantes já feitos, fazendo até a Silvia Saint ficar com vergonha de assistir. O roteiro se arma para nos apresentar duas pessoas que, mais do que se amam, são loucamente obcecadas uma pela outra. E se manifestam através do sexo. As cenas explícitas, expressam loucura, obsessão, amor, morte, podridão, pureza e o mais profundo desejo carnal, de uma forma única. Mas o que faz de um filme de roteiro aparentemente simples, e em que as cenas de sexo imperam, se tornar um clássico, mas não se encaixar como filme pornô?
Simples. O objetivo do filme não é a masturbação “o prazer sexual” de seu telespectador, mas retratar obsessão e o desejo doentio de dois seres humanos de sua forma mais crua. Durante toda a película ficamos-nos perguntado se eles “que sabem aproveitar a vida”, por estarem colocando em prática todos os seus mais sórdidos desejos, ou se são dois doentes. No final, a única certeza que se tem é que nunca mais um ovo cozido vai ser visto da mesma forma. Porém mais do que polêmico, se tratou de um filme com uma premissa que se mostrou premonitória: estava para chegar uma época em que o descrédito com a sociedade e a política, faria com que o ser humano só pudesse atingir a utopia sexual. O sexo passa a ser a única escapatória para colorir nosso espírito enquanto tudo mais é preto e branco, os escândalos políticos e problemas sociais não nos afetam mais, podemos ficar na cama, e esquecer de todas as preocupações.

 Uma das poucas cenas de sexo não explícito do filme

Tentando retratar novamente essa conexão de seres humanos estabelecida através do sexo, houve uma infestação de filmes com roteiro pífio, tentando se vender de cults por mostrar cenas chocantes/explícitas com uma falsa naturalidade.
Vou me utilizar de dois exemplos, desse começo de século, premiados e que chamaram a atenção da imprensa. São eles 9 Canções e Ken Park.
O primeiro basicamente consiste em alternar cenas de sexo com cenas de um show. É isso. O que seria uma ótima idéia para um filme pornô (rock + sexo), não vale para um pseudo cult, já que o casal de protagonistas é abordado de forma tão profunda quanto um pires.

 Nem como pornô serve… Tiverem a proeza de fazer até mesmo as cenas de sexo incrivelmente monótonas

Porém nada comparado a prepotência do segundo. Se utilizando de cenas de sexo explícito, suicídio e assassinatos, a “obra” tem a premissa de retratar a realidade dos jovens do subúrbio americano, que exprimem suas revoltas e frustrações através do, adivinhem? Sexo. Prato cheio para os pseudo-cults. Mas como eu disse os aspectos negativos são ainda mais desastrosos do que a de 9 Songs(no original): são vários pires personagens em uma ausência de trama que tenta inteligar todos (ou a maior parte deles). Mas os críticos metidos a cults (que não é uma espécie de institucionalização, pode ser qualquer um que busque em filmes pífios, defender como este é importante, mas ninguém se não eles, consegue compreender a beleza daquela merda).
Mas tornemos isto didático através de algumas críticas positivas, do filme em questão, no adoro cinema.

“É um filme perfeito, com certeza vai mexer com os sentimentos das pessoas que têm uma boa crítica sobre filmes bons, que falam da realidade do mundo de hoje.”

“Instigante, maravilhoso, desafiador! Este filme é obrigatório para quem ama a 7ª arte. Impróprio para os de mentes e corações fracos.”

Para ser justo, vamos ver o depoimento de duas pessoas que não gostaram tanto.

“Não passou de um filme marketeiro, decepcionei-me com o filme. As cenas de sexo explícito são demasiadamente exageradas, não dando importância suficiente ao diálogo em si.”

“Como alguem tem a ousadia de comparar esse lixo com transpointing e os filmes do Kubrick? Roteiro bom? Que roteiro…esse filme nao tem roteiro,nao tem direcao,nao tem nada e ele nao e forte, ele agride o publico, eh grotesco! Como o produtor executivo conseguiu grana pra filmar essa bomba?”

Hue, gostei desse negócio de confrontar críticas.
Com isso, acredito ter atingido meu objetivo: fazer uma análise descompromissada do sexo no cinema, falando um pouco de algumas de suas obras mais marcantes, e mostrar como a premissa de utilizar esse recurso de forma artística foi banalizado (aliás o sexo em todas as suas dimensões para falar a verdade) com o passar dos anos. Porém, independente da qualidade do filme, sempre haverá o debate entre aqueles que defendem a utilização de cenas explicítas para expressar sentimentos e naturalidade, e as tias cotinhas aqueles que as acham desnecessárias.
Mas é como dizem… gosto é que nem cu.
Uns têm manteiga e outros não.

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...os comentários são de responsabilidade de seus autores, e o Bacon Frito não se responsabiliza por nenhum deles. Se fode ae.

  • http://atoouefeito.com.br Bel

    adorei o texto (DUH!) e nem é porque fala de sexo. eu tava justamente conversando sobre o abuso de imagens e cenas fortes com um amigo outro dia. não só sexo, mas também violência e sangue e palavrões. até onde é pra dar o efeito e a partir de onde é o sexo só pela masturbação e o gore só pra dar nojo na platéia?
    eu já assisti “o império dos sentidos” e, na moral, esse não é filme que tem cena de sexo de dar tesão, não. as cenas são mais explícitas que as de “instinto selvagem”, por exemplo, mas muito menos apelativas (Q).

    enfim, curti. o povo gosta mesmo é de putaria.

  • Chico

    Faltou o clássico dos clássicos: Calígula. Filme mais no-sense q virou cult, que virou pornô, q virou referência, que virou sodomia q não virou mais nada…

  • natibriseis

    arrasou muito no texto! hahahaha
    eu ri alto

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