Precisamos falar sobre o remake de It – A Coisa

Primeira Fila segunda-feira, 03 de abril de 2017

It sempre foi “o” livro do Stephen King para mim. Não foi o que me fez conhecê-lo, o que me fidelizou, tampouco meu favorito. Mas, de todos, é o mais assustador e atemporal, porque mexe com o imaginário infantil e com todo o processo que envolve ser gente grande. Aquele calhamaço de quase 800 páginas conta a história de sete adultos que encaram Pennywise, palhaço assassino que assombrou a cidade de Derry quando eram crianças. Em linhas gerais é, metaforicamente, uma timeline do amadurecimento dos protagonistas diante das adversidades quando estão finalmente prontos para combater aquilo que os aterroriza.

Eu sou refratária a remakes porque, enquanto replicam sucesso e lotam salas de cinema, existem centenas de bons roteiros engavetados que jamais verão a luz do dia. Mas a estética do novo It e o formato em duas partes pode dar outra cara para o clássico do terror. Se for bem executado, certamente terá o tempo necessário para desenrolar a narrativa, sendo mais fiel ao livro do que o original. Tenho esperanças e torço pelo sucesso da empreitada, embora tenha ficado com um pé atrás, já que a estrutura do trailer é praticamente idêntica à versão dos anos 90.

A questão das duas partes fez muita gente torcer o nariz, que isso é coisa de saga, mas o mesmo ocorreu na exibição do original que, na realidade, é uma minissérie made for tv. E não poderia ser diferente, a história é dividida em duas partes. Se tudo correr bem, a primeira parte do filme irá relatar detalhadamente o primeiro contato dos protagonistas, ainda pré-adolescentes, com a fúria assassina e tipicamente sádica de Pennywise, um dos vilões mais carismáticos do cinema/literatura. Já a segunda se passará 20 anos depois quando, adultos, percebem que o palhaço está de volta e se reúnem para cumprir a promessa de enfrentar e destruir, de uma vez por todas, a entidade. Exatamente como no livro, o espectador sentirá a incerteza que não some com o tempo, as mudanças nas características dos personagens e terá tempo de digerir os acontecimentos de forma individual. Porque It não é um blocão de informações. É exatamente sobre a perpetuação de uma dúvida, o medo dormente e a necessidade de estar pronto para, enfim, encerrar um capítulo na vida.

É claro que também pode ser uma bosta e se resumir a uma mera revisão do filme da década de 90 e não passar de um grande caça-níquel, engana trouxa. Mas prefiro confiar no frescor do relativamente novato Andrés Muschietti, também diretor de Mama, e em Bill Skarsgård – de Hemlock Grove – para encarnar o aterrorizante palhaço assassino criado por Stephen King e que, convenhamos, dá estofo à história e foi defendido brilhantemente pelo já naturalmente creepy guy que amamos, Tim Curry. Só o tempo dirá se o remake fará jus ao peso da, agora, franquia. Os fan boys vorazes de Stephen King já estão de olho, com a pipoca numa mão e o livro na outra. Parafraseando Fernando Vanucci: 8 de setembro é logo ali.

“Tenham medo! Vocês são muito mais saborosos quando estão com medo”.

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