Operações Especiais

Cinema sexta-feira, 11 de novembro de 2016

 Rio de Janeiro, 2010. Formada em turismo e trabalhando como atendente em um hotel, Francis (Cléo Pires) se anima com a possibilidade de entrar para a polícia civil. Ela presta o concurso e, após ser aprovada, passa a frequentar o curso de habilitação para policial. Trata-se do mesmo período em que ocorreu a invasão no Complexo do Alemão, com traficantes de vários morros cariocas fugindo para cidades periféricas. É o que acontece em São Judas do Livramento, cidade no interior do estado do Rio de Janeiro, que passa a lidar com uma onda de crimes sem precedentes. Para combatê-los é enviada a unidade liderada pelo incorruptível delegado Paulo Froes (Marcos Caruso), que conta com a presença da ainda iniciante Francis. No batalhão ela precisa lidar com a desconfiança dos demais policiais, especialmente Roni (Thiago Martins), e também com as dificuldades da profissão, dos perigos inerentes ao ofício até a corrupção existente ao seu redor.

Cinema nacional ou é filme de playboy achando que sabe porque pobre vira bandido ou filme de playboy achando que sabe porque a polícia age como age. Ah é, tem as comédias também. =/

Após as 5 horas de logos de patrocínio que antecede todo e qualquer filme nacional, Operações Especiais começa com Cléo Pires quase tendo um treco durante uma, adivinhem só, operação especial. Depois desse breve momento, que automaticamente me fez lembrar das crises de ansiedade do Capitão Nascimento, o filme volta para a vida de Francis (Cléo Pires) antes de ser aceita pela polícia civil, (que você deve ter lido na sinopse que tá alí óh ^) e nos revela os motivos que levaram a jovem Francis a se interessar pela polícia civil. Primeiro porque paga melhor que seu antigo emprego e segundo porque o ex-namorado machista ia ficar puto da vida pelo fato da ex ter mais moral que ele. Quem nunca, né? O problema é que agora Francis ganha mais do que o ex-namorado machista babaca, só que tá no meio dum monte de babaca machista.

Francis acaba ficando no principal grupo responsável por acabar com uma milícia que vem tocando o terror numa cidade periférica do Rio de Janeiro e que matou duas crianças, gerando terror na população e pressionando a polícia a prender os responsáveis o mais rápido possível. O problema é que policial trabalhando sobre pressão pública e milícia protegida por políticos costuma resultar em merda. Muita merda, Capitão. E tava tudo muito bom, tava tudo muito bem, até eu descobrir que o chefe da milícia era ninguém mais e ninguém menos que Antonio Tabet, mais conhecido pelas bandas da internet como Kibe Loko, e não conseguir mais levar o filme a sério, esperando inclusive a musiquinha do Porta dos Fundos tocar ao final do mesmo.

Embora muitos chamem o estilo do filme de lavagem cerebral a favor da polícia, eu chamo apenas de um bom filme de ação. É só um filme, eu não assisto os filmes do Charles Bronson e saio por aí gritando que bandido bom é bandido morto e tampouco acreditando em justiça com as próprias mãos. E afinal de contas, se podem fazer filme romantizando bandido, por que não podem fazer filmes romantizando a polícia também? Sejem menas, amiguinhos.

Mas acho interessante que o filme tenha tocado nesse ponto de bandido rainha vs polícia nadinha. O filme mostra que a população não quer polícia honesta, a população sequer sabe o que é justiça. Matar alguém é um crime, roubar um pão também. O trabalho da polícia é prender os dois criminosos, mas quando a polícia prende o primeiro é diva lacradora, quando prende o segundo é fascista opressora. Não to aqui pra defender polícia nem bandido, sei da corrupção, sei do abuso de poder, mas por que todo bandido é um coitado que não teve oportunidades na vida e todo policial é um porco fedido que merece morrer? Aliás, acho que quem pensa assim teve a cabeça bem mal formada pelos filmes e séries de favelas que o Brasil adora produzir.

Operações Especiais

Operações Especiais (90 minutos – Ação)
Lançamento: Brasil, 2015
Direção: Tomás Portella
Roteiro: Tomás Portella, Martina Rupp
Elenco: Cléo Pires, Fabrício Boliveira, Marcos Caruso, Thiago Martins, Antônio Tabet, Fabiula Nascimento, Fábio Lago, Augusto Madeira

Leia mais em: , ,

Antes de comentar, tenha em mente que...

...os comentários são de responsabilidade de seus autores, e o Bacon Frito não se responsabiliza por nenhum deles. Se fode ae.

  • Ricardo

    Boa resenha! Brasil ultimamente é um país de valores invertidos!!!

busca

confira

quem?

baconfrito