O bom, o ruim e o limbo de Nicolas Cage

Primeira Fila segunda-feira, 08 de agosto de 2016

Minha relação com Nicolas Cage é um caso a ser estudado. Não escondo de ninguém minha implicância sabendo que, algumas vezes, é injustificada. Não é mau ator, mas atua em filmes que o fazem parecer pior do que de fato é. Mais um megalomaníaco que precisa trabalhar em um volume absurdos para sustentar seus excessos econômicos do que qualquer outra coisa. Nada contra até ai. Muito pelo contrário. Até me identifico.

O fato é que de tempos em tempos fico kinda obcecada por ele. Tipo essa semana. Hoje. Agora. Então, como ele tá fresquinho na minha memória, vou dar uma segmentada e selecionar os filmes bons, para fazer justiça, e os tão ruins que são bons. Ou seja, eu estava errada desde o início: Ele é foda e só faz filme TOP. 100% de aproveitamento.

Comecemos pelos bons…

Dica #1 – O Senhor das Armas (Lord of War)


Yuri Orlov, um negociante de armas que nunca viu sua prática profissional olhar ético, apesar de fornecer armas para países pobres, imersos em conflitos civis, entre outros compradores. No entanto, começa a repensar sua vida quando é perseguido por um agente da Interpol.

No filme de 2005, Nicolas Cage interpreta Yuri Orlov, homem calculista que se envolve com o comércio de armas ao lado do irmão, Vitaly (Jared Leto), negócio que os deixa muito ricos, porém vulneráveis ao perigo e a justiça, personificada no filme pelo incansável agente da Interpol, Jack Valentine (Ethan Hawke).

Os pontos altos da trama são o confronto moral e a percepção de que, se não fosse a dupla, seriam outras pessoas fazendo o mesmo trabalho. Afinal, o que move o mercado é a demanda. Um recado e tanto para quem está sentado do outro lado da tela.

Cage segura a barra do personagem muito bem, confere humanidade ao seu vilão, que nada mais é mais um produto da violência talhado pela sociedade. O desempenho faz do ator um protagonista indispensável. Ethan Hawke também vai bem como Jack Valentine que, com seus ideais e bom caráter, estabelece um contraponto interessante com a ótica da família Orlov sobre seu ofício.

Dica #2 – Os Vigaristas (Matchstick Men)


Roy (Nicolas Cage) é um vigarista obsessivo que sofre uma série de fobias. Ao lado de seu comparsa Frank (Sam Rockwell) ele está planejando um novo golpe, mas tudo muda quando uma filha aparece em sua vida.

Bem humorado, ainda que um pouco triste, o longa de 2003 conta a história de Roy, um (durp) vigarista com várias patologias para chamar de suas. Hipocondríaco e com TOC, para dizer o mínimo, vive a base de remédios e consegue se estabilizar emocionalmente no divã da terapia. Com isso, recupera contato com a ex-namorada de longa data, Heather (Melora Walters) e com a filha que sequer sabia que tinha.

Encontrando, pela primeira vez, uma brisa de felicidade, o personagem se questiona sobre suas “manias” e estilo de vida. Recheado de reviravoltas e com um final agridoce, Os Vigaristas é um must see, coroado por uma boa trama e pela química entre Cage, Sam Rockwell e Alison Lohman em cena.

Dica #3 – Olhos de Serpente (Snake Eyes)


Policial corrupto (Nicolas Cage) presencia assassinato de político famoso em arena de boxe. Ele ajuda um velho amigo (Gary Sinise), que fazia a segurança do político, a tentar encontrar o responsável pelo crime.

Junto com A Outra Face, outro ótimo trabalho do sobrinho de Francis Ford Coppola, Olhos de Serpente era um clássico do Telecine Action, meu bote de salvação na era pré Netflix. Dirigido por Brian De Palma, conta a história do policial corrupto Rick Santoro, que se envolve em altas confusões depois de conhecer uma mulher misteriosa em meio a uma conspiração do barulho.

Acho que gosto dessa coisa meio bad-curious do Nicolas Cage porque, apesar de Olhos de Serpente não ser considerado um daqueles filmaços, em geral me agrada muito. Tanto ele enquanto Santoro, como a obra em si. Cai bem nele o papel do cara confuso sobre a vida, o próprio caráter e todo o resto. Acho que consigo relacionar essas inconsistências existenciais dos personagens com sua carreira que, de uns anos pra cá, teve mais baixos do que altos.

Caímos, então, nos filmes ruins. Que eu vou indicar, sim. Primeiramente fora Temer porque o ser humano é versátil e pode gostar daquilo o que eu não gosto. E também porque até o que é ruim tem sua malemolência e algum valor. Portanto, prosseguindo…

Dica #4 – O Sacrifício (The Wicker Man)

 Após anos sem notícias de sua ex-noiva, Edward Malus (Nicolas Cage) fica abalado ao receber uma carta da mulher que amou alertando-o para um grande perigo que ela e sua filha correm.

Esse é o pior filme da carreira do Cage, de longe. Enquanto o original, de 1973, estrelado por Edward Woodward quebra paradigmas e é um ícone do terror, o remake, rodado em 2006, é apenas uma caricatura mal diagramada e de péssimo gosto. É como se Romero Britto recriasse a Mona Lisa.

Deprimido após não conseguir salvar mãe e filha em um acidente na estrada, o policial Edward Malus (Nicolas Cage) vai com tudo para uma ilha remota com costumes pagãos quando sua ex-namorada avisa que a filha dos dois corre perigo. Ele acaba, então, caindo em uma sociedade matriarcal, onde é maltratado, enganado e oprimido.

Com um desenrolar patético e um final óbvio, O Sacrifício peca em absolutamente tudo. Para pessoas como eu, que admiram a arte de fazer um filme genuinamente ruim, é uma obra prima. É o cúmulo do absurdo, mas uma delícia para assistir acompanhado. De muita, mas muita Guinness, cerveja favorita da casa.

Dica #5 – Regresso do Mal (Pay the Ghost)

 Durante um desfile na noite de Halloween, um menino de oito anos desaparece misteriosamente. Depois de um ano sem qualquer pista, os pais do garoto começam a sentir presenças estranhas e decidem se unir para encontrar respostas.

Corre para a sua conta do Netflix A-GO-RA e coloca esse na lista porque, meu deus, eu preciso dividir meus sentimentos sobre essa pérola do cinema americano com alguém.

Nele, Nicolas Cage interpreta Mike Lawford, pai do ano que fica preso no trabalho e perde a oportunidade de curtir Halloween com a família. Para compensar, resolve dar uma esticada na festa das bruxas e leva o filho para um canto da cidade absurdamente cheio. O garoto começa a ter umas visões e a falar várias coisas sem sentido, como: Papai! Podemos pagar o fantasma?.

Em vez de perguntar do que o menino está falando, ele faz o que qualquer adulto faria e resolve ignorar. Só quando a criança desaparece misteriosamente e ele passa a ter visões, se toca de que talvez o pedido inusitado da criança fosse um sinal e começa uma busca implacável pelo paradeiro de seu fil…zzzzZZZZZzzzzzzzzzzzZZZZzz, numa trama que faz o total de zero sentidos.

Apesar de ser um lugar comum, com uma atuação preguiçosa de todos os envolvidos, dá pra rir bastante. De vergonha alheia e nervoso, mas dá.

Dica #6 – Adaptação (Adaptation)

 Charlie Kaufman (Nicolas Cage) precisa de qualquer maneira adaptar para o cinema o romance “The Orchid Thief”. Em meio a um bloqueio criativo, recorre ao irmão gêmeo em busca de mais detalhes sobre a história por trás do livro.

Chegou a torta de climão. Não é que esse filme seja exatamente ruim, ele só é chato. Bem monótono e, algumas vezes, confuso. Nele, Nicolas Cage interpreta os gêmeos Charlie e Donald Kaufman. O primeiro é um roteirista contratado para adaptar o livro The Orchid Thief para o cinema, mas se depara com um bloqueio criativo sem precedentes. Angustiado, procura o irmão, um wanna be roteirista, em busca de conselhos. Os dois, então, começam a devassar a vida da escritora, Susan Orlean (Meryl Streep), para compreender o que está por trás da história.

Em meio a busca por respostas, acabam também analisando seus medos, posturas e aparando as arestas da relação. Apesar de gêmeos, suas personalidades são bem diferentes. Enquanto um é brilhante na arte de criar, o outro tem uma mente aberta e sabe como viver. Nos longos diálogos, podemos encontrar um pouquinho de nós mesmos em Donald e Charlie.

Contudo, apesar de me identificar com algumas cenas e traços dos personagens, o tesão para por aí. A narrativa é arrastada e pretensiosa. Dirigido por Spike Jonze e escrito pelo Charlie Kaufman da vida real, é muito bem criticado e tem todos os elementos que poderiam fazer de Adaptação ótimo. Mas é uma trama que não prende atenção por, justamente, não ter muito foco. É um fan favorite em geral mas, para mim, é só fraco.

Ajudem a amiguinha com sugestões de temas para as dicas da semana que vem nos comentários aqui embaixo, no Twitter ou no Facebook. A cada comentário, um Pikachu e um Charmander te convidam para um threesome em Pokémon Go.

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