Livro tem validade?

Analfabetismo Funcional quinta-feira, 07 de fevereiro de 2008 – 4 comentários

Vez ou outra, ouço me falarem “porque você comprou esse livro amarelo, caindo aos pedaços?” como se eu estivesse carregando um cadáver em meus braços, e o olho dele estivesse rolando perto dos pés da pessoa que me fala isso. Tá certo que são pessoas que chegam perto de um livro novo de vez em nunca, mas da maneira que falam, parece que estou com algo vencido em mãos.
O que me leva a pensar nisso: Livro tem validade? Um livro pode estar todo rasgado, fodido, com rasgos e dobras em praticamente todas as páginas, manchas de mofo e sangue espalhadas em toda sua superfície, mas mesmo assim, ele não pode ser considerado “vencido”, ao contrário de uma lata de ervilhas estragada no fundo do armário, que se passar de alguns dias, já era. Afinal, não é a aparência de um volume que prova o seu valor. E ervilha é uma coisa horrível.
Pra variar um pouco, vou soltar exemplos. Jack kerouac teve seu On the Road publicado em 1957. Com sua narrativa empolgante, seus personagens completamente diferentes de tudo o que tinha sido feito na época, o livro fez um relativo sucesso. Antes que me apedrejem pelo relativo, eu ia falar de algum outro livro que foi lançado no mesmo ano dele, mas como não teve nenhum interessante, deixarei esse exemplo de lado. Bom, On the Road foi um marco na literatura pelos motivos citados anteriormente, mas ele não é conhecido por praticamente o mundo inteiro, como aqueles livrinhos mais atuais que sempre me dão raiva. Pergunte pra um transeunte qualquer se ele já ouviu falar de Jack Kerouac, e ele pode cuspir na sua cara, achando que foi ofendido, mas se perguntar por James Redfield, é capaz que ele comece a falar sobre as teorias da profecia celestina, sobre os pergaminhos ou seja lá o que for. Tá certo que antes,lá pelos anos de 1980, um livro lançado fora do Brasil demorava anos pra ser lançado aqui, isso se era lançado, e a chance de ler algo realmente bom estava somente ao alcance de pessoas com vontade de encomendar o livro, conhecimento do idioma dele, e paciência, porque demorava meses pra chegar. Não sou dessa época, o máximo que tenho que esperar hoje em dia por um livro que encomendo é 3 semanas na pior das hipóteses, e isso porque onde moro o endereço é completamente maluco, mas isso não vem ao caso. Hoje em dia, que livros são lançados simultaneamente em todo o mundo, que prazos de encomenda diminuíram muito, a velocidade das entregas é extrema, e que temos centenas de livrarias por aí, temos diversos títulos que não chegam nem ao conhecimento do público. Podem falar que não são livros comerciais, que não tem apelo comercial, que não são pra ganhar dinheiro, mas eles tem que ficar escondidos no fundo de cada prateleira?
Mas voltando ao principal, antes que eu me perca,como sempre. Livros assim, escondidos são aqueles que só depois de um tempo (normalmente depois da morte do autor) é que se tornam conhecidos. Eles são velhos? Sim. Podem ter sua trama, clima de história, ambientação ultrapassados? Nunca. Um tema de um livro nunca fica velho, pois sempre pode ter seu contexto histórico, seu estilo de escrita singular,que pode marcar alguma época, e acima de tudo, sempre tem público pra qualquer tipo de livro. O livro amarelo que citei no inicio do texto, por exemplo, é o Três Portas para a Morte, de Rex Stout,edição de 1954, época que os telefones só tinham 4 digitos. Só essa tradução que tenho em mão tem 54 anos, uma época que meu pai nem era nascido ainda, não é por isso que deixei de comprar ele. Ele pode estar meio gasto nas bordas, e algumas páginas soltando, mas a história dele é o que vale. Apesar de sua idade, ele tem uma história que me faz pensar até hoje, e é só isso que importa. Não estou dizendo para só ler coisa velha, mas sim, para que, ao estar diante de um volume desses, dê uma olhada, pois não é a aparência dele o principal, e sim, seu conteúdo.
É claro, você pode pegar uma virose antiga, alguma doença já erradicada que ainda está entre as páginas dele, mas todo mundo tem que correr alguns riscos, não é verdade? Bien, sobrevivam até a próxima semana, se conseguirem…

Crônicas

Analfabetismo Funcional quinta-feira, 31 de janeiro de 2008 – 1 comentário

Ah, as crônicas, aquelas histórias curtas, que não exigem muito tempo de dedicação a elas, que podem ser lidas em poucos minutos, e que em seu pequeno conteúdo contam uma história completa…
Normalmente falando de fatos do cotidiano, a crônica é aquele tipo de literatura feita pra relaxar. As histórias com temática mais urbanas, além de serem mais fáceis de se imaginar por quem as lê, muitas vezes são as melhores para aquela pessoa que não é acostumada a ler volumes maiores. Só de saber que o final daquela situação apresentada a ele está a poucas páginas, ou ainda no final da mesma, faz com que a pessoa se dedique a leitura e aprecie melhor a história.
Se você é daqueles que só se dedica a leitura de jornais e revistas, como essas que vendem semanalmente por aí, já deve ter visto alguma escondida por entre as noticias de mortes, tão normais de se ver por aí. Com autores consagrados, ou conhecidos por suas histórias, muitas se revelam ótimas escolhas. Jornais regionais muitas vezes tem espaço aberto ao público para divulgação de textos que são enviados a eles, é a maneira que alguns promissores escritores tem de divulgar seu trabalho, se ele for realmente bom.
Como disse antes, situações do cotidiano são o principal mote de cada um desses textos. Onde mais você poderia conseguir ler uma história sobre um primeiro beijo, uma espera de ônibus, ou sobre simplesmente o nada, só constatações de pessoas, idéias que podem nunca ter passado pela sua cabeça? As crônicas existem de vários tipos, tantos quanto puder imaginar: cotidiano, nostalgia, fatos estranhos, ficção científica, mistério, enfim, o que quiser. É por elas que alguns leitores tem seu primeiro contato com o histórias de estilos diferentes, pois o tempo dedicado a cada uma delas é relativamente curto, e caso seja ruim a história, é só passar pra próxima, certo?
Depois de um pouco de enrolação e explicar qual é a desse texto, vou apresentar a vocês pobres leitores sem tempo pra se dedicar a livros por mais do que 20 minutos ao dia, uma lista de lugares pra ler algumas histórias. O primeiro lugar, é claro, não puxando a sardinha pro meu lado, é recomendar a leitura da coluna Culinária alternativa. lá as vezes aparecem histórias que merecem pelo menos uma leitura, como essa aqui.
Depois dessa propaganda interna, vamos a algumas recomendações que espero, sejam seguidas. Domingos pellegrini, do qual já devo ter citado aqui algumas vezes, mantém em seu site todas as crônicas e textos que publica em jornais. É um autor paranaense, e um dia, ainda tomo um café com ele, só pra discutir umas idéias. Bom, seu site, o Sítio Terra Vermelha é o lugar onde pode encontrar suas histórias. Não vou recomendar nenhuma, até porque, já fiz isso alguns parágrafos atrás.
outro site que tem uma ótima seção de textos, é o Rascunho, um Jornal literário que sempre que posso, pego um exemplar na biblioteca pública. Lá, autores brasileiros tem uma seção de contos, que são de diversos estilos. Muito bom, e ainda por cima, de graça. Eu disse contos, o próximo passo de um leitor, não liguem.
Poderia recomendar alguns outros sites, mas acho que as letras flutuando no monitor não tem o mesmo charme que o papel impresso, então, visitem as bibliotecas públicas. Muitas delas tem prateleiras dedicadas ao tema, onde você pode encontrar as histórias de Luiz Fernando Verissimo, Rubem Fonseca, João Ubaldo Ribeiro, só pra citar alguns. Fico por aqui, e semana que vem, espero que a sua vontade de continuar por aqui continue a mesma, pois a minha não se altera.

O Mundo das Fanfics

Analfabetismo Funcional quinta-feira, 24 de janeiro de 2008 – 6 comentários

Quando um livro acaba, ou tem um mundo criado pelo seu autor que é um pouco vasto, com tantas outras histórias que ele mesmo não poderia contar todas, os fãs ficam curiosos. E se é um fã que praticamente respira aquele mundo, ele se sente capaz de escrever sobre ele tão bem quanto o autor original da obra. Quando chega a ocorrer isso, eu considero o ápice de uma obra, ser tão complexa a ponto de seus próprios leitores criarem suas próprias lendas. Essas histórias que não são oficiais se chamam fanfics.
De acordo com a enciclopédia mais barata que você pode achar por ai, a definição de fanfic é a seguinte:

Fanfic é a abreviação do termo em inglês fan fiction, ou seja, “ficção criada por fãs”. Em outras palavras, trata-se de contos ou romances escritos por quem gosta de determinado filme, livro, história em quadrinhos ou quaisquer outros meios de comunicação.

Então, se você algum dia já pensou o que teria acontecido a certo personagem se ele tivesse feito tal coisa, pode ser que isso já tenha sido escrito por outra pessoa que se sentiu capaz de escrever sobre esse fato, o que não o torna um incapaz, talvez apenas um preguiçoso, o que não vem ao caso aqui.
Apesar de serem feitas por fãs, não quer dizer que elas sejam de má qualidade. Tem muitas aí que conseguem ser bem fiéis a história original, seja lá qual for a escolhida. Com o término da saga de potter & cia, a rede pipocou de histórias de fãs que ficaram decepcionados com o fim da série, e resolveram eles próprios escreverem o que eles queriam, apesar de não ser oficial. Mas como já citei, não é só fatos que aparecem nos livros que interessam aos escritores dessas histórias. Muitos dos personagens secundários, que não tem a atenção dada pelo autor suficiente, se tornam os protagonistas, fazendo muitas coisas que se fossem levadas a sério, poderiam superar a história do herói original.
E pra variar, como tudo o que é feito por fãs, tem as tretas com a justiça. Se o autor é meio mala, ele pode se sentir ofendido por seus personagens estarem sendo usados por outros, e resolver processar o seu próprio publico, mas isso não ocorre muito por aí, acho que autor nenhum processaria quem lê seus livros, não é?
Por ser histórias que podem ser baseadas em QUALQUER coisa, as fanfics tem muitos temas a serem abordados. em uma busca sobre o tema, dá pra conferir vários estilos diferentes, com as sobre filmes, como Kill Bill, centenas sobre quadrinhos, que sempre tem reclamações de fãs, com as de X-men, Super-Homem, Batman, e até de personagens que já passaram a muito tempo pro outro lado. Desenhos antigos também tem suas versões espalhadas por aí, ou vá me dizer que nunca foi atrás pra ver como que foi, ou teria sido o último episódio de caverna do dragão? As de potter são as mais fáceis de encontrar, até porque é uma série que chamou a atenção de muitas pessoas, e ainda está “quente”, com o público ainda na febre do lançamento do último livro, mas isso não impede de encontrar outras histórias sobre outros livros, é só procurar nos buracos certos.
Eu recomendaria algumas aqui, mas seria muito imbecil de minha parte recomendar histórias assim, sem base nenhuma em gostos alheios. Então, fico por aqui. Até a próxima semana, e não dobrem as páginas.

Literatura Infanto-Juvenil: Voltando á infância – Contos de fadas

Livros quinta-feira, 24 de janeiro de 2008 – 2 comentários

Este artigo faz parte de uma série Nostálgica. Veja a introdução aqui.

Não posso falar de voltar a infância aqui sem falar dos contos de fadas. Aposto que, pelo menos uma vez você já deve ter lido um desses, ou leram pra você, naquela idade em que sua única escolha era ouvir o que falavam pra você dormir. O que leva aos lugares mais inexplorados da mente, pois quase ninguém se lembra das histórias que eram contadas.
É claro, esse tipo de história são aquelas melosas que o bem sempre ganhava, o príncipe beijava a princesa e viviam felizes para sempre, a bruxa morria, voltavam pra casa salvos e agora eu percebi que eu soltei um monte de spoiler. Mas não faz mal com histórias que tem mais de 100 anos, não é?
Bom, essas histórias devem ser as primeiras que qualquer criança se lembra. A da Bela Adormecida que eu não lembro direito, assim como a da Branca de Neve, que só consigo agora perceber que não lembro nada, a não ser que o Dunga no filme da disney tinha cara de retardado, o que não em ao caso aqui.
15 minutos depois
depois de ir aos buracos mais grudentos e açucarados da internet, o que foi um pouco assustador, e ler novamente todas as histórias, percebi que elas eram (são) muito simples, e que era por isso que os pais as contavam. com poucas palavras, elas explicavam o cenário, os personagens, e tudo o mais que era necessário para que entendêssemos a história. e também, porque a história era simples, era a única que eles podiam decorar, sem esquecer de nenhum detalhe. se faltasse algum, era só inventar, o que tornava cada história unica para cada criança.
mas, pra variar, apesar de tudo, esses contos tinham lá seus atos de perversidade, como queimar pessoas, envenenar outras, e amaldiçoar sem ligar pra nada. na época, muitos nem ligavam, e só agora que reli todos, percebi que esse pessoal era o mal encarnado.
enfim, pra recomendações, dessa vez, só tenho poucos, que você pode conferir nesse site. A música é irritante, o layout dele é estranho, mas aguente tudo isso e leia a história sobre os sete corvos. aliás, aproveite e leia todos, os irmãos grimm são os que escreveram a maioria dessas histórias mesmo. não os do filme, os autores mesmo, passe longe do filme, ele não presta muito.

Literatura Infanto-Juvenil: Voltando á infância – Coleção Para Gostar de Ler

Livros quarta-feira, 23 de janeiro de 2008 – 2 comentários

Este artigo faz parte de uma série Nostálgica. Veja a introdução aqui.

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É, o cheiro de mofo está me afetando de alguma maneira, afinal, essa coleção é outra que é muito antiga. Pouco mais antiga que a vaga-lume, essa é com autores mais clássicos, que escreviam crônicas mais focadas em assuntos, que eram reunidos em cada edição temática.
Como disse, os autores dessas histórias são aqueles que eram já os bons da época. Nos volumes de crônicas, você podia encontrar desde Carlos Drummond de Andrade até Rubem Braga. De acordo com o site da Editora Ítica, a que publicava (publica) esses livros, essa coleção é outra que tem vários volumes, passando de 40 livros publicados. e no catálogo mesmo dá pra ver que, não importando o gênero, os autores que faziam cada volume eram os mais diferentes possíveis. Mas esse não é o caso. essa coleção é aquela que, em dia de chuva, e que não podia sair pro recreio comer a merenda, os professores como uns malas traziam da biblioteca pra sala, e obrigavam os alunos a ler pelo menos algumas páginas. Confesso que,se eu já não lesse antes de entrar no colégio, não seria lá que eu começaria, afinal, os próprios professores jogavam a caixa no meio da sala, e saiam pra fumar. Eram bons exemplos, por causa disso que não sou como eles. Enfim, chega de história por hoje. Pff, não sei nem mentir…
Lembro de ter lido todos os volumes de crônicas, e que elas eram as melhores que

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eu tinha lido na época, mas eu ainda não conhecia outros autores, e por lá, era o único lugar que eu podia ler aqueles livros, então era só eu que lia tudo, sem deixar nenhum de lado. Até que depois, roubei eles, e podia ler em casa,sem problema nenhum. mas olha só, vou parar com histórias por hoje.
Enfim, como li o de crônicas, recomendo fortemente, e como tem um volume sobre histórias de ficção cientifica e de detetives, só de ver o nome dos autores de cada um, já tô indo ali na biblioteca conferir se valem a pena mesmo.

Literatura Infanto-Juvenil: Voltando á infância – Coleção Vaga-Lume

Livros terça-feira, 22 de janeiro de 2008 – 3 comentários

Este artigo faz parte de uma série Nostálgica. Veja a introdução aqui.

Taí uma coleção que tem literalmente, história pra contar. Com seus primeiros volumes lançados em 1972, o que dá para a coleção 35 anos de vida, esses livros foram marcantes para muitas pessoas.

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Com suas histórias simples, que em pouco mais de 100 livros conseguiram cativar um grande público, esses livros são lançados até hoje. Apesar de suas capas serem diferentes de suas primeiras versões, o conteúdo que prendia o leitor a frente de cada volume,que raramente ultrapassava as 100 páginas, continua o mesmo.

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Muitos dos escritores que agora tem uma carreira e livros conhecidos por aí, começaram com algumas histórias publicadas na coleção Vaga-lume. Marcos Rey, por exemplo, com 8 livros na coleção, alguns que você possivelmente já tenha lido, como o O rapto do Garoto de Ouro , Um cadáver ouve rádio e O mistério do cinco estrelas, todos protagonizados pelos mesmos personagens, teve seu reconhecimento nessa coleção. pelo menos, o meu reconhecimento. infelizmente, ele morreu no dia 1º de abril de 1999, então, nunca pude mandar um e-mail pra ele pra falar o que eu achava de seus livros, como faço com outros autores.

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Mas é claro, entre tantos livros, muitos outros tiveram um grande sucesso, chegando a vender hoje em dia as novas edições com o mesmo fôlego de sua edição mais antiga. A ilha perdida, de Maria José Dupret, é um bom exemplo disso, com média de vendas de 10 mil exemplares.
E é claro, falar sobre uma coleção tão ampla assim é praticamente impossível, então, pra finalizar, algumas recomendações de livros essenciais para conhecer um pouco mais dessa coleção.

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Os que disse logo acima, escritos por Marcos Rey são bons, então não deixe de passar os olhos pelas páginas deles. A Írvore que Dava Dinheiro, de Domingos Pelegrinni, e o O Escaravelho do Diabo, de Lúcia Machado de Almeida, são alguns que você não deve esquecer de ver. E também, de relembrar o momento em que você o leu, se for o caso de já o ter lido, é sempre legal abrir livros clássicos assim…

Literatura Infanto-Juvenil: Voltando á infância

Livros terça-feira, 22 de janeiro de 2008 – 0 comentários

Muitos de vocês quando menores devem ter tido uma infância simples, daquelas que é igual a de todo mundo. mas, como nerd que sou desde criança, a minha foi um pouco diferente. eu era aquele que nunca saía de casa, ficava no meu canto lendo alguma coisa, cercado de coisas que eu gostava, praticamente trancado em meu próprio mundo. Então, presumindo que eu não sou o único que leu um livro antes dos 10 anos sozinho, vou falar sobre aqueles livros que nos acompanharam durante a nossa, ou quem sabe, só minha infância. portanto, vamos logo o que interessa, que é tentar recordar de todos os livros que podem ter formado o caráter de vocês, se é que vocês tem um. de clássicos da literatura até aqueles livros amarelos e podres que você era obrigado a pegar na sua biblioteca do colégio, vamos logo ao que interessa, antes que eu me sinta velho, e resolva cair aqui no chão.

nhá

Yéssica: tinha os livros do Marcos Rey, e eu lia muito uma coleção chamada “salve-se quem puder”, que você tinha que decifrar uns mistérios toscos antes de virar a página. E tinha “você escolhe o final”, que fica óbvio o que a gente tinha que fazer.

Coleção Vaga-Lume

Coleção Para Gostar de Ler

Contos de fadas

A assustadora literatura Cyberpunk

Livros segunda-feira, 21 de janeiro de 2008 – 2 comentários

SCI-FI
Então, você é um daqueles caras que acha ficção científica uma coisa muito chata. Toda aquela babaquice de Jornada nas Estrelas, ou aquelas histórias toscas com armas lasers e E.T’s. Uma puta viagem escrota, certo? Há mais de 30 anos, um certo grupo de escritores pensou a mesma coisa.

Como diria Hunter Thompson, o Sonho Americano estava morto. E alguém tinha que aproveitar a chance. Alguns loucos começaram a produzir algo completamente novo, nunca visto antes. A Ficção Científica era pano de fundo para as idéias mais bizarras e lunáticas, uma desculpa e uma arma para atacar com toda a força a chata realidade pós-anos 60.

O termo inventado foi cyberpunk. As histórias giravam em torno, geralmente, de ratos de computador drogados com todo o tipo de substância psicodélica conhecida e/ou inventada, envolvendo-se em pirações no meio de um mundo maluco demais para ser possível. Isso sem contar as invenções mais doentias sobre Implantes, Terroristas e Sexo. Vocês já leram sobre Transmetropolitan por aqui. E o espírito é Exatamente esse.

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Imaginem, por exemplo, um romance sobre a Fixação Mórbida e Sexual em Batidas de Carros. Era essa a trama que J.G. Ballard explorava em seu livro “porno-bizarre” Crash, lançado em 1973, aonde jatos de porra voavam enquanto seus personagens envolviam-se propositalmente em acidentes de trânsito. O metal dos carros penetrando-se, as fraturas expostas e os corpos fundindo-se com as latarias…tudo com um grande apelo erótico.

O Experimentalismo era a palavra de ordem. Com grande influência, mesmo que talvez inconsciente, das idéias lançadas pelo pensador/anarquista/instigador de confusões Hakim Bey em seu livro TAZ, nomes como William Burroughs (geração beat ou proto-cyberpunk? hmm), o próprio J.G. Ballard e William Gibson iniciam um desenfreado ataque á chatíssima Realidade.

No final da década de 80, a revista americana Semiotext(e), conhecida pelo seu conteúdo subversivo e, por que não?, Nocivo á Sociedade, lança uma edição especial dedicada á Ficção Científica. A idéia? Aceitar somente contos que tivessem sido Vetados em outras publicações, por seus conteúdo Subversivos, Obscenos e Doentios. O nome? Futuro Proibido.
Além de contar com textos do trio já citado, a edição especial ainda publica bizarrices de Denise Angela Shawl, Sol Yurick, Bruce Sterling e mais.
Destaque para os incríveis contos Relatório sobre uma Estação Espacial Não Identificada (Ballard), O Pênis Frankenstein (Ernest Hogan) e Êxtase no Espaço (Rudy Rucker).

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Mas o “sub-gênero” ficaria realmente famoso através do lançamento de Neuromancer, em 1984, de nosso amigo William Gibson. O romance ganha os famosos Nebula Award, Philip K. Dick Award e Hugo Award e torna-se um símbolo da nova geração de sci-fi.
É inclusive na trama de Gibson que é inaugurada a idéia da Matrix, que inspiraria a trilogia de filmes homônimos. A obra abria a Trilogia Sprawl, que contava ainda com os títulos Count Zero e Mona Lisa Overdrive.

Mas por que falar de tudo isso? Por que ficar resgatando essas velharias de quase trinta anos de idade? Simplesmente porque algumas dessas maravilhas ainda são publicadas. Você ainda os encontra em Livrarias e Sebos e você Deveria, caso curta a idéia de explodir a Realidade em pedacinhos e colar tudo de novo totalmente fora de Ordem, correr atrás e dar uma lida. Futuro Proibido ainda é publicado pela Conrad, Crash pela Companhia das Letras e Neuromancer através da Aleph.
E para Sua sorte, a Rocco acaba de relançar o incrível Caçador de Andróides, de Philip K. Dick, o romance que deu origem ao maravilhoso filme Blade Runner.

Agora vai, levanta, começa a comprar.

A Sombra do Vento (Carlos Ruiz Zafón)

Livros sexta-feira, 18 de janeiro de 2008 – 5 comentários

Eu confesso que tenho um tremendo pé atrás com essa nova literatura baseada no Oriente Médio ou em Segunda Guerra Mundial, sempre sendo bem-vendida nas livrarias, com as senhorinhas se emocionando enquanto lêem. Os Catadores de Concha é coisa do passado, nada é mais dramático do que O Caçador de Pipas.
De repente veio esse surto de novos escritores, falando sobre nazismo e/ou desgraças na Arábia. E isso tudo é muito chato e muito melodramático. Esse Caçador de Pipas é um dos livros mais Desgracentos que li na vida.

Mas aí começaram a me falar dA Sombra do Vento. Li a primeira página, enquanto esperava as 22 horas pra tomar cerveja e comecei a me interessar. Adoro essas Literaturas que falam sobre Literaturas. Livros falando sobre livros, brincadeiras entre linguagens e isso tudo. Putz, fiquei curioso, peguei o livro emprestado e levei pra casa. Quatro dias depois…

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A Sombra do Vento é um livro sobre um livro chamado A Sombra do Vento. Confuso? Na Barcelona pós-Guerra Civil, Daniel acorda ás vésperas de seu aniversário de 11 anos gritando ao perceber que não consegue mais lembrar o rosto de sua mãe morta. Ao acudí-lo, o pai o leva naquela fria manhã, no meio daquela neblina de carvão característica de Barcelona em 1945, ao Cemitério dos Livros Esquecidos. O lugar é uma gigantesca biblioteca, escondida em um casarão, que abriga todos os volumes esquecidos pelo resto do tempo. Livros Mortos.

Ao passear pelos labirintos de prateleiras gigantescas, o garoto instintivamente pousa aos mãos sobre A Sombra do Vento, um esquecido volume do desconhecido autor Julián Carax. A partir daí, começa toda a trama da tentativa de Daniel de desenterrar o passado de Carax e recuperar uma história que começa em 1900…

O mais interessante em A Sombra do Vento é a narrativa. Intrincada, com novos elementos sendo colocados na história o tempo todo, vai e volta no tempo, recuperando aos poucos o passado, a infância e o sumiço de Julián Carax. Numa mistura de gêneros típica do Bacanal do século XXI, o autor brinca com uma cidade cheia de cicatrizes deixadas pela Guerra Civil e a própria idéia de Livros dentro de Livros. Uma passagem em que Daniel descreve A Sombra do Vento parece servir perfeitamente para a obra física:

á medida que avançava, a estrutura do relato fez-me lembrar daquelas bonecas russas que contêm em si mesmas inúmeras miniaturas. Passo a passo, a narrativa se estilhaçava em mil histórias, como se o relato penetrasse numa galeria de espelhos, e sua identidade produzisse dezenas de reflexos díspares e ao mesmo tempo um só.

Sem sentir, enquanto cresce e investiga por conta própria certos passados proibidos, Daniel envolve-se com um ex-anarquista, um Inspetor psicopata e com a estranha figura de Alain Coubert, o homem sem rosto que fuma cigarros feitos com folhas de livros e dedica sua vida a perseguir todos as obras de Julián Carax e queimá-las.
O detalhe? Alain Coubert é o nome de um dos personagens do romance A Sombra do Vento de Carax. O personagem que representa o demônio.

Escrito por Carlos Ruiz Zafón, espanhol nascido em 1964 que vive atualmente em Los Angeles contribuindo para jornais, A Sombra do Vento é um romance de Reconhecimento, Auto-Conhecimento e Conhecimento dos Livros. Porque, no fim, tudo leva ao Rosto da Mãe.

Visitando sebos

Analfabetismo Funcional quinta-feira, 17 de janeiro de 2008 – 13 comentários

Ok, pensando no leitor pobre como eu, que as vezes não tem 4 reais no bolso pra pegar ônibus, resolvi escrever isso aqui pra apresentar a vocês a melhor maneira de arranjar livros baratos, e de procedência duvidosa. Duvidosa, porque você nunca sabe de onde ele realmente veio. Diversas vezes, ao chegar em casa com um livro na mão, via uma etiqueta de alguma biblioteca, o que quer dizer que o livro tinha sido roubado por algum drogado precisando de dinheiro pro pó, ou algo assim, use sua criatividade e invente sua história, me surpreenda.
Bom, nessas, resolvi fazer um pequeno guia de como que você pode arranjar ótimos descontos, livros em estado aceitável, e como disputar um livro com alguém que chegou a sua frente. Tudo o que escrevo é baseado nas livrarias e sebos que conheço aqui em Curitiba, a cidade que moro/me escondo.
Feita a introdução, vamos ao que interessa, pois você que nunca foi a uma sebo deve estar curioso, e esse parágrafo que estou fazendo aqui é só pra que sua expectativa aumente, que poderia ser facilmente ignorado por você, mas que tenho certeza continua a ler, pensando que irei escrever algo útil, mas desista foi só pra te enrolar mesmo. E essa parte poderia ser pra isso também, mas não sei enrolar os outros por muito por muito tempo.
1º: Descubra onde fica esses malditos lugares!
Nada pior do que ficar andando por aí, sem rumo, só olhando para os lados sem rumo, somente para achar essas livrarias. Use a lista telefônica, e um mapa de sua cidade. Se você não tem um, vá a um hotel qualquer e fale com o recepcionista, pergunte onde é tal rua, existe grandes chances de ele rabiscar um mapa de turismo, e o dar pra você. Pelo menos pra mim, sempre funciona. Nesse mapa, marque o endereço de cada uma das sebos e feiras de usados, e guarde para quando você for visitar tudo de uma vez. é bom pra caso você vá fazer uma rota, ajuda bastante. E se caso você se perder, pode aproveitar e fazer turismo pela cidade, pelo menos o mapa você já tem.
2º: Se prepare
É algo meio vago, nada relacionado a dinheiro, até porque, se tá comprando livros usados, você deve ter pouco… A preparação que digo é levar algo pra carregar os livros. As sacolas que eles dão são coisas bem fracas, e dependendo do volume, ela pode rasgar facilmente. E se for visitar mais de uma sebo em um dia, você deixa essas mesmas sacolas no guarda-volumes, coisas que não confio ainda. Então, carregue uma mochila, bolsa, saco de cadáveres, carrinho de mão, sei lá, mas não use em hipótese alguma as sacolas que eles dão. Quero ver sua cara de tacho se elas arrebentarem quando você fora atravessar uma rua. Se eu ver isso, eu vou rir. E depois iria catar os livros pra mim, se demorasse muito. :doido:
3º: Vá sozinho
Tá, não é lá algo muito importante, mas digo que ir com amigos, namorada ou irmão a esses lugares pode trazer um grande problema (entenda prejuízo). Se não fui muito claro, lá vai um exemplo. Certa vez, estava tudo preparado pra sair, e chega uma amiga minha, que resolve ir junto. Beleza, aceitei, na minha inocência, achando que ela ficaria no canto dela, mas ao chegar lá me arrependi. Normalmente não é só livros usados nessas lojas, revistas as vezes são a maioria. Pra encurtar a história, ele me pediu emprestado 10 reais, e voltei com minha mochila cheia de revistas capricho, atrevida, e outras que nem quero lembrar o nome. Aliás, não me pagou até hoje, o que é um grande prejuízo…
4º: esqueça seus compromissos
É sério, nunca vá se você tem mais o que fazer no dia. É que nem supermercado, chega um momento que você não sabe mais a quanto tempo está lá dentro. Já cansei receber ligações enquanto estava nesses lugares, perguntando que horas eu iria chegar, até olhar pro relógio e ver que já estava a mais de 40 minutos andando de um lado pra outro, sem comprar nada. Portanto, se tem que ir a algum banco, aula, curso, esqueça um dos dois, é melhor pra você.
5º Faça uma lista
Pegue uma folha sulfite, caderno de rascunhos ou algo pra anotar e escreva todos os títulos e autores dos livros que você quer procurar. Olhe bem pra ela, ache um lixo, faça outra versão, e no dia, esqueça. Pode ser que nunca chegue a procurar o que foi anotado nela. Tenho um caderno de rascunhos na mochila, com mais ou menos uns 80 livros anotados, que sempre vou buscar, mas quando chega na hora esqueço da lista, e só vou atrás do que me chama a atenção na hora. Agora que estava escrevendo isso, vi que nos 6 meses que fui escrevendo essa lista, só comprei 4 livros dela, o que é uma boa média contando que nesse tempo devo ter comprado uns 40 livros que não estavam nela. Enfim, faça uma lista pra não seguir, ela é só detalhe pra que não se esqueça de seu objetivo inicial, seja lá qual for.
se você seguiu todos esses passos, nesse momento, você deve estar na frente da loja, com uma mochila nas costas, esperando o próximo passo. vamos a ele:
6º: boa sorte
Sério, você vai precisar. Lá dentro, dependendo do lugar, você pode achar muita coisa estranha, então é melhor estar preparado. Se for alérgico a poeira, leve uma máscara, se tiver medo de aranhas ou ratos, leve uma arma, e se tem medo de pessoas, bom, grite na cara delas quando perguntarem algo.
e pra finalizar, tem a regra de ouro, que não pode ser esquecida nunca, as outras, comparadas a essa são opcionais.
Regra extra: Nunca deixe pra comprar depois
É uma coisa que é importante. Se você viu o livro, compre-o na hora. Sem essa de pedir pra reservar, esconder ele em algum lugar, ou deixar ali mesmo. Centenas de pessoas passam pelos livros durante o dia, e tem grandes chances de uma delas querer ele também. Então, NUNCA deixe ele pra depois. Até hoje me arrependo de ter deixado pra comprar mais tarde uma edição de contos inacabados por apenas 15 reais que nunca mais vi…
E nesse ponto, deve ter percebido que eu não falei nada do que propus logo no início, por um simples motivo, tão simples que só percebi agora: ninguém é tão fanático por livros a ponto de brigar por eles, acho que só eu mesmo, como daquela vez que eu… bom fica pra próxima. e tentem sobreviver até a próxima semana.

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