VENDE-SE, Único Dono

Contos quarta-feira, 22 de março de 2017 – 0 comentários

Oswaldo estava aproveitando seu horário de almoço para fazer um favor à esposa: Passar no shopping e retirar uma encomenda feita há algumas semanas. Oswaldo não sabia o que era, só sabia que era importante. Ele, analista financeiro e ela publicitária, eram casados há 12 anos, mas não tinham filhos, e viviam uma vida confortável, preferindo viajar à ter móveis caros e carros do ano. Oswaldo tinha um Corolla 1999. continue lendo »

Alcides Viaja (Pereira Neves)

Contos quarta-feira, 21 de dezembro de 2016 – 0 comentários

Semana passada falei da morte do Pereira Neves, um dos muitos autores pós-modernos que ganharam certa fama, e que pra mim foi particularmente importante. Aproveitando então a morte do cara resolvi reler a que provavelmente é sua obra mais famosa, Alcides Viaja.

 Não sei quem é, só sei que já sou fã.

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Salve, Salve, jovem Mestre

Contos quarta-feira, 14 de dezembro de 2016 – 0 comentários

Era noite dum dia chuvoso na capital paulista quando, do apartamento no quinto andar ouvi-se um som diferente no andar de cima. Apenas três dias depois seria encontrado o corpo de Genivaldo Antunes Magalhães, fulminado por um derrame cerebral extenso. Mesmo que os moradores do andar abaixo houvessem chamado por uma ambulância não haveria chances de um resgate: Pereira Neves estava morto.

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Não.

Contos quarta-feira, 30 de novembro de 2016 – 0 comentários

Esta é uma história sobre lobisomens e aranhas gigantes. E aí entra um dragão.

 Contrata-se loiros e loiras porque tá foda.

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A Terapia da Perda

Contos quarta-feira, 12 de outubro de 2016 – 0 comentários

É a primeira vez em muito tempo que uso isto aqui, e é por isso que as coisas saem escritas erradas. É falta de costume, mas acertá-las é apenas uma questão de prática e memória. E reconfigurar as travas da máquina. Isto é, se eu lembrar como se faz isso. E parece que deu certo. continue lendo »

O Fracasso e o Triunfo de Rei Nicolau I

Contos sexta-feira, 29 de janeiro de 2016 – 0 comentários

Era um daqueles dias em que o mundo inteiro parece estar triste. O céu estava fechado e uma fina e persistente chuva insistia em molhar os pedestres, que apertavam-se debaixo de marquises como se o que estive caindo do céu fosse DST e não apenas água. Nicolau olhava para esta cena pela janela quase que completamente embaçada de seu apartamento no quinto andar do edifício Klaus 46, mas não estava prestando atenção no que acontecia diante de seus olhos. Nicolau estava perdido em pensamentos, planejava o futuro e tentava em vão não lembrar dos lamentáveis acontecimentos da noite anterior. Nicolau era um jovem adulto de 26, cabelos pretos, barba curta, olhos castanhos, enfim, era um rapaz bonito e elegante, apesar de naquele momento estar trajando apenas uma cueca frouxa azul. Tomava um café preto com pouco açúcar e esperava suas torradas ficarem prontas, coisa que já tinha acontecido cerca de cinco minutos atrás. Para a sorte de Nicolau, a torradeira que sua mãe havia dado de presente era daquelas que desliga após cuspir as torradas. Se tem uma característica que todos percebem em Nicolau é que ele é bastante distraído. O apartamento de Nicolau era um apartamento completamente comum, meio tedioso e desinteressante, do tipo que se tivesse que conviver em sociedade com outros apartamentos seria completamente rejeitado até mesmo pelas kitnets. Paredes brancas, carpete preto na sala e no quarto e azulejos azuis na cozinha e no banheiro. Era como uma viagem no tempo para 1982.

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Um dia na vida

Contos terça-feira, 07 de abril de 2015 – 0 comentários

Era sábado à noite, a luz azulada sozinha da TV iluminava a sala, lançando sombras suspeitas nos móveis e almofadas. Mudei de canal, a tela piscou por um segundo, e fixou na nova imagem. De novo e de novo. Nada. Nada minimamente digno de ser assistido, nem mesmo o que eu já tinha assistido antes… Era sábado pós feriado, é claro que não teria nada. Por acidente, acabei parando na fatídica MTV. Mas o canal não tinha acabado? continue lendo »

A incrível geração das pessoas sem problemas intestinais

Contos sexta-feira, 04 de julho de 2014 – 1 comentário

Hoje eu vou contar pra vocês a história da Janaína. Janaína era uma pessoa muito amarga e gastava horas da sua vida no Facebook falando mal de tudo e de todos. Da mãe, do pai, do irmãozinho, do trabalho, de Nosso Senhor Jesus Cristo, dos homens e das amigas. Ela tinha muito ódio dentro de seu coraçãozinho pois, aparentemente, era a única do seu círculo social que sofria de um grave problema: Prisão de ventre.

Elas vão salvar a sua vida

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O Deus do Amor

Contos segunda-feira, 02 de junho de 2014 – 0 comentários

O Deus do Amor é um homenzinho, já velho, com cabelo só nas laterais da cabeça, completamente brancos, tal qual sua curta barba. Ele é um deus. Claro, ele pode tomar a forma que quiser, mas esta é sua favorita. Ele flutua por aí, a mais ou menos um metro do chão, fazendo o que gosta de fazer. Ele não tem asas, usa apenas uma toga branca (Não translúcida – isso é coisa de outro deus) e está sempre descalço. Alguns dizem até que ele é meio narigudo. continue lendo »

A Piada Mortal

Contos terça-feira, 22 de abril de 2014 – 1 comentário

A maior piada do mundo se chamava Augusto Matraga Pinto. Augusto Matraga – o Pinto ele escondia – era uma pessoa normal – ou quase – mas ganhava a vida mexendo na internet. Fundou com uns amigos um blog de piadas e ficou o que se pode chamar de equivalente hipster de rico. Publieditorial disfarçado de comédia mal feita rende muita grana, vocês nem imaginam. O que acontece é que Augusto Matraga – Ou Matagrão, sua assinatura virtual – traduzia posts de sites americanos e fazia um sucesso besta. Também pagava de artista no deviantART e até mesmo se arriscava em algumas tirinhas de autoria própria. À primeira vista suas obras pareciam bem transgressoras e geniais, e conseguia até mesmo rapar umas cocotinhas pagando de pensador profundo, de gente que tem uma galáxia crescendo dentro de si e nunca vai dormir antes das cinco da manhã por que a cabeça tá ocupada por pensamentos suicidas. Como a boa criança forjada na rede mundial de computadores que era, Augusto passou de blogger a vlogger, de vlogger a VJ e de VJ a formador de opinião virtual. Sua palavra era lei na cidade dos 140 Caracteres.

Mas Augusto é uma pessoa bem comum até, não é? Por que seria ele a maior piada do mundo? Por que morreu. Sim, me perdoem, mas o texto é meu e dou spoiler se quiser, e quando bem entender. Se quisesse ter dado já no título, assim teria feito e ninguém teria nada a ver com isso. Peço desculpas, só que a gente precisa entrar no clima do assunto desde já e prefiro ser pau no cu de cara, pra acostumar cedo. continue lendo »

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