Do Que Os Super Herois Precisam – parte 2

Cinema quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Caso você seja preguiçoso demais pra ir ler a conversa da semana passada, o resumo é o seguinte: Desde que super herois surgiram do modo como conhecemos hoje, eles existem em mais de uma mídia, seja os quadrinhos, tirinhas, jornais e, pouco mais tarde, os especiais pra TV e finalmente o cinema. Porém, entre altos e baixos, foi só em 2000, com X-Men, que começou essa leva de filmes que temos hoje: Pode não parecer, mas já tem uma década e meia, e o cinema das cuecas por cima das calças tá fraquejando.

Na década de 80, o bagulho tava feio pros quadrinhos e as adaptações pro cinema estavam ainda pior: Não só a grande maioria dos filmes foram porcarias como também tinham abraçado o farofismo da década que achava mullets muito bacanudos. Enquanto os quadrinhos se preocupavam em fazer sagas gigantescas (Cujas crias temos que lidar até hoje) e perdia espaço pros mangás, o cinema tentava replicar o que o primeiro Superman fez mais de uma década atrás: Batman fez a melhor tentativa, mas todos sabemos onde isso terminou… E aí vieram os anos 90.

Os anos 90 podem ser cult hoje, mas se você nunca se deu conta de que quem viveu na década de 80 não suporta a de 90, dá pra se ter noção da parada: A Marvel tava em crise, a DC tava em crise, até a Disney tava em crise. Foi entre a década de 80 e 90 que começaram a surgir outras editoras de quadrinhos que hoje conhecemos, como a Dark Horse, Image, Avatar Press, Bongo Comics, Mirage Studios e a Valiant Comics (Além das muitas que ficaram pelo caminho) e foi também o momento em que o cinema de super herois ficou pra escanteio, mais sendo aquele investimento que não te derruba mas que também não te ajuda em nada: Até o Bátima tava perdendo pro Máscara.

 É de 2000, mas é claro que existe.

Curiosamente (Ou não), a resposta tinha vindo ainda em 1983, apesar de só ser o que é hoje desde 1990. No início da década de 80, os Jovens Titãs ganharam a cara que ficou famosa graças à animação (Com o Robin, Estelar, Ravena, Cyborg e Mutano), o Lanterna Verde fazia sucesso e a Action Comics ainda não tinha sido tão bagunçada, o que deu surgimento à equipe Omega Men, que uns anos depois teria sua própria série, muito criativamente chamada de Omega Men. E foi aí, na terceira edição, em Junho de 83, que surgiu ele: O Maioral, Lobo.

Só que não era o Lobo, tal qual o Wolverine não era o Wolverine no começo: A primeira versão não só surgiu na Omega Men como também era membro da L.E.G.I.Ã.O e da continuação RBD R.E.B.E.L.D.E.S.. (Esse último ponto foi ponto final). Em 1990, resolveram tocar o foda-se pra quase uma década de histórias e aí refizeram a porra toda: O personagem mudou, sua história mudou, poderes, aparência… Aí sim é o Lobo que todos conhecemos.

E bem, olha pra ele: Joelheiras, corrente com gancho, lapelas gigantes, faixa desnecessária na perna. É claro que isso é tudo muito anos 90, mas o Lobo tem algo que, diferente de todas essas porcariadas que hoje a galera vangloria não tem:

 Uma jaqueta apropriada.

Quando jogaram fora primeira versão do personagem e “nova” surgiu, Lobo era muito obviamente uma zoada geral com o que rolava nos outros quadrinhos: Poderes absurdos, violência exagerada, design de personagem ridículo, histórias completamente sem sentido… Lobo virou a hipérbole máxima de uma década que amava cintos com bolsos e cabeças minúsculas em corpos gigantes. Nenhum personagem de quadrinhos fez isso melhor que o Lobo, e ainda mais simultaneamente à essa zona toda. Claro que é fácil sacanear esse monte de coisa hoje, mas numa época em que tudo era extremamente grandioso e alegórico, Lobo fazia exatamente o contrário de todos os outros: Não se levava à sério. Ou melhor, se levava à sério até dar a volta.

Lobo era ridículo, sabia disso e fazia de questão de dizer à todos os outros que eles eram também. Se você ainda não descobriu onde estou indo com isso, toma aí de lambuja: Alguém precisa dizer pros super herois do cinema que eles são um bando de doidos de colante fazendo merda por aí. E nem adianta me falar de Deadpool: Lobo é uma sátira, Deadpool é o bobo da corte.

Claro que com o tempo o personagem ganhou novos ares, fazendo crossover com meio mundo de gente, participando de várias das grandes sagas babacas da DC e, de forma geral, virando um coadjuvante e alívio cômico tosco: Os anos 90 acabaram e os anos 2000 chegaram mostrando que tudo pode ser reaproveitado de forma pior. Com os Novos 52, então veio o segundo reboot do personagem que terminou de cimentar o que o fez digno de nota pra início de conversa, mas deixemos isso de lado pra falar do que importa aqui: O cinema de super herois está indo pro buraco, as editoras de quadrinhos já mostraram que não sabem fazer porra nenhuma nessas situações e muito em breve o tipo de filme que já chegou a ser chamado de “a salvação de Hollywood” será o mais novo Transformers do cinema.

 O QUÃO MERDA VOCÊ TEM QUE SER PRA DAR DINHEIRO PRA ESSA GENTE – Uma palestra de Jopes Luiz.

No fundo disso tudo o problema é meu, que sou um otário (Pelo menos não um otário pobre) e perco meu tempo com isso, mas né, dizem que chafurdar na lama faz bem pra pele.

Então a Marvel precisa do Lobo. E a DC precisa do Lobo. E a Disney bem que precisa de uma piroca bem grande no cu dois ou três clones do Lobo além do Lobo. Porque vez após vez essa gente toda prova pra qualquer um que quiser ver que eles não sabem fazer quadrinhos, não sabem lidar com crises e, a cada filme que passa, têm menos e menos noção do que fazer com os próprios personagens: Cê já parou pra pensar que essa gente realmente acha o Downey Jr. e o Ben Affleck bons exemplos de “escolha de sucesso”? Porque o Downey Jr. pode sapatear na fuça da Marvel que ela tem que ficar de boca fechada e o Ben Affleck literalmente é tido como um bom Batman porque o do Nolan é “mais realista” e “menos parecido com o do quadrinho”. É agradecer um tiro no pé por ser no pé e não no coração.

Enquanto os filmes de super herois tentarem ser mais do que filmes de super herois vai ser só ladeira abaixo. Olha pro filme do Homem Formiga e me diz sinceramente que, se tivesse sido feito no lugar do primeiro Homem de Ferro, ele teria dado início ao Universo Marvel do cinema. Alguém acha que Esquadrão Suicida substituiria Batman Begins?

Há boatos de que um filme do Lobo já está sendo escrito (Após já ter sido pego e descartado várias vezes por anos), aparentemente por Jason Fuchs, que provou com Peter Pan (Filme de 2015) e A Era Do Gelo 4: Deriva Continental que é um roteirista de merda. Creio que seja de conhecimento geral que ninguém na indústria do cinema tem bolas pra bancar um filme do Lobo como ele deve ser… Jogam fora até a única salvação que têm.

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