Desproblematizando as marchinhas de carnaval (ou quase isso)

Música terça-feira, 14 de Fevereiro de 2017

Vivemos em uma época complicada onde o politicamente correto impera. A época não é errada por causa do politicamente correto, afinal de contas, o politicamente correto tá correto, errado tá você que é babaca. O grande problema dessa época é o politicamente correto incorreto. “Ah, , o que diabos é o politicamente correto incorreto?” É simples meu querido amigo meio idiota, é quando você pega algo, na maioria das vezes voltado pro humor, e não entende que aquilo é uma crítica e não um incentivo. Foi mais ou menos o que aconteceu com a UDR
tá de volta todos chora, com o Eu Sou o Gabe e com muitos outros comediantes por aí. Falta aquela interpretação de texto que te faz entender que aquilo não é um incentivo, mas uma bela duma crítica. Embora seja aí que voltamos ao caso do politicamente correto estar correto e o errado ser você, que é um babaca.

Eu não lembro se eu de fato já postei isso em algum outro texto, se sim, peço desculpas, mas o que as pessoas precisam entender é que uma piada é sempre uma piada. Culpar o comediante pela galera babaca que absorve as piadas como bons conselhos pra vida é como culpar os jogos de vídeo game por causa do idiota que jogou Call of Duty e metralhou uma galera no shopping. O problema é que a mídia apoia os comediantes como “formadores de opinião”, coisa que eles nunca foram e nunca deverão ser. Mas enfim, não é pra falar disso que eu fiz esse texto. Eu fiz esse texto pra jogar confete, ver umas tetas, dançar com os dedinhos pra cima e curtir um blocão de festa da despedida da carne.

Os famigerados bloquinhos estão sendo alvos do politicamente correto e embora eu concorde com o politicamente correto na maioria desses casos, afinal, as marchinhas derivam de uma outra época, pode ser que algumas comecem a ser enxergadas de forma diferente. Ou não. Mas o que importa aqui é a interpretação das mesmas. Mas antes de começar com marchinhas de sentido dúbio, gostaria de abordar uma que, pra mim, recentemente tomou um sentido completamente diferente, mesmo que, muito provavelmente, não tenha sido o objetivo de quem a compôs.

Maria Sapatão, uma das mais conhecidas e tocadas marchinhas de carnaval conta a história de uma mulher, Maria, que pra conseguir ter uma vida nessa sociedade opressora, ou naquela sociedade de décadas atrás ainda mais opressora, precisava passar-se por hétero durante o dia pra agradar familiares e empregadores e somente durante a noite, quando sozinha com seus trutas, podia ser quem ela realmente era. Maria sapatão, sapatão, sapatão. De dia é Maria e de noite é João!

Daqui Não Saio faz alusão às ocupações e como o governo opressor, mesmo durante a festa do Carnaval, continua querendo judiar dos oprimidos. Se a Canoa Não Virar também é um grito de socorro das pessoas que vivem em regiões mais afastadas e não tem estrutura alguma pra atravessar rios e chegar até seus trabalhos e escolas. Já quem escreveu Aurora é alguém que luta por um relacionamento sincero, afinal de contas, se Aurora tivesse sido sincera estaria numa melhor agora. Ah, Aurora! Jardineira, por sua vez, mostra o amor de uma mulher que trabalha cuidando de jardins alheios que está completamente arrasada pelo fato de uma de suas plantas ter morrido e seu amigo tenta animá-la.

Porém, devemos agora alertar pra algo muito importante. O escracho com os alcoólatras e ex-alcoólatras durante o Carnaval. Se não uma, mas duas marchinhas muito conhecidas zombam e ao mesmo tempo influenciam os bebuns e ex-bebuns a enxerem o pote. Enquanto As Águas Vão Rolar praticamente obriga os adeptos ao álcool a esvaziarem todas as garrafas com bebidas alcoólicas que estiverem por perto, Cachaça tenta fazer a galera pegar leve e dá uma de Telecurso 2000, explicando de onde vem a cachaça e quais são as diferenças entre a mesma e a famigerada água, embora termine dizendo que cachaça é mais importante que amor, feijão e pão. O que de fato é.

Cabeleira do Zezé é um pouco mais complicada de ser analisada, mas talvez seja sobre o livre arbítrio de você achar o que você quiser das outras pessoas, mas não desrespeitá-las. Afinal, o compositor tem dúvidas se o tal do Zezé é curtidor de Bossa Nova ou se é fã de Maomé, mas quando duvida da sexualidade do mesmo faz questão de deixar bem claro que não sabe se ele é. Ou seja, ninguém tá acusando ninguém de nada, são apenas dúvidas, embora alguém mais alterado na multidão grite pra que cortem o cabelo do rapaz. E acho que Me Dá Um Dinheiro Aí não precisa de explicação no atual momento que vivemos. Enfim, o que é válido aqui é lembrar que politicamente correto ou não, a melhor marchinha de carnaval do Universo é a do Vovô Ampulheteiro.

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