Béla Fleck and the Flecktones
Béla Anton LeoÅ¡ Fleck é um nova-iorquino nascido em 1958. Seu nome é uma homenagem ao compositor húngaro Béla Bartók, e foi aos quinze anos que ele recebeu seu primeiro banjo. Pois é, já era hora de mudar um pouco de estilo por aqui, não? Nada de rock ou blues, hoje. O assunto hoje é jazz instrumental.
Foi em 1988 que Béla Fleck se juntou ao baixista Victor Wooten, o percussionista Roy Wooten, conhecido por seu nome artístico, Future Man, e o gaitista Howard Levy. Estava então formado o grupo Béla Fleck and the Flecktones, uma das grandes maravilhas da música instrumental. O grupo só teve uma mudança na formação. Levy deixou o quarteto após o terceiro álbum, UFO Tofu. O trio remanescente lançou ainda dois álbuns, Three Flew Over the Cuckoo’s Nest, em 1993, e Live Art, em 1996, antes que Jeff Coffin adicionasse o som de seu saxofone ao grupo e eles voltassem a ser um quarteto.

O grupo, que toca uma mistura de jazz, funk e bluegrass – e hoje toca o que existe de mais livre na música, se desprendendo desse negócio de estilos -, tem, na minha opinião, o tipo de som indispensável para qualquer pessoa que realmente aprecie boa música, especialmente para os fãs da música instrumental. Todos os integrantes são ótimos instrumentistas e o conjunto funciona tão bem que é extasiante ouvir uma peça dos caras. Sendo música instrumental, a coisa toda é mais complexa do que boa parte das coisas que se ouve por aí, com fraseados em ritmos interessantes e mais swingados, que, claro, diversas vezes foge bastante do simples 4/4 do rock popular e ás vezes soa mais balançado e interessante que o 12/8 do blues. A qualidade do som faz com que a falta de voz seja simplesmente irrelevante. Aliás, melhor me corrigir, aqui: A excelente voz dos instrumentos faz com que voz humana seja completamente desnecessária.
Me soa mais interessante falar um pouco sobre cada integrante do grupo separadamente ao invés de encher o bando como um todo de elogios. Pois comecemos com Victor Wooten. Não que se precise falar muita coisa de alguém que toca baixo desde os dois anos. Um monstro, cara, um baita de um monstro. São os irmãos Wooten que ditam o ritmo dos Flecktones, e Victor geralmente leva a platéia ao delírio com sua excelência no baixo. Sua técnica é no mínimo respeitável. Ele usa desde slaps rápidos e sincopados a arpejos endemoniados e empolgantes pra cacete. Victor deixou o baixo mais próximo da guitarra, usando-o como instrumento solista, e não só como pano de fundo. Claro, antes dele gente como Jaco Pastorius também fez isso, mas não é só porque existe o monstrão supremo que o Victor vai ser menos monstruoso. O cara levou o prêmio de baixista do ano três vezes consecutivas pela Bass Player Magazine, e foi a primeira pessoa a ser premiada mais de uma vez. E não foi á toa. Ainda duvida? Pois bem, um vídeo vale mais que qualquer texto. O cara desce tanto cacete no baixo que arrebenta a corda. Não que isso atrapalhe, ó lá:
Repara em como ele é possuído por um espírito guerreiro africano no fim.
Ainda em família, vamos ao Future Man. Irmão de Victor – que, aliás, tocou com ele e seus outros três irmãos como “The Wooten Brothers”, uma maravilha – e percussionista do grupo, o cara toca drumitar. Uma maravilha de instrumento, aliás. Simplificando a coisa, o troço é mais ou menos uma bateria eletrônica num corpo de guitarra (pois é, NM, eu sinto destruir seus sonhos revelando que Tony da Gatôrra não foi o primeiro). E o cara desce o sarrafo na bagaça, também. Eu imagino jazz seja uma das coisas mais complicadas que os percussionistas e bateristas enfrentam por aí, e, bom, Future Man sabe enfrentar as coisas muito bem. ó o cara aí:
Pra que tocar um instrumento se você pode tocar TRÊS?
Jeff Coffin. Além do saxofone, o cara toca clarineta e flauta. E se tocar os dois tão bem quanto toca o saxofone o cara tá feito na vida, véi. Aliás, só com o saxofone ele já tá. Entrou pros Flecktones em 1997, e foi uma adição do carái pro bando. Como todos os outros integrantes do grupo, ele tem vários projetos solo, mas isso é assunto pra outra hora. Coffin é famoso por tocar dois saxofones (um alto e um tenor) ao mesmo tempo, e, claro, por pirar pra cacete. Por exemplo, ó aí ele pirando. Victor Wooten na base, uma maravilha:
É, eu sei que tem uns cortes no vídeo, mas é empolgante assim mesmo.
Por fim, o cara que dá nome á banda. Béla Fleck. Talvez você não preste muita atenção naquele gordinho curvado no meio do palco, tocando seu banjo quieto enquanto o resto da banda pula pra lá e pra cá espancando os instrumentos. Pois é, mas é exatamente ele o frontman da banda. E não se engane pelas aparências: Béla Fleck toca como o diabo. É só dar uma reparada no som do cara durante as músicas. Como eu sei que ao invés de fazê-lo vocês vão é se empolgar com as pirações do Wooten, tive o cuidado de escolher um vídeo de Béla Fleck sem os Flecktones. Aliás, o cara toca com o Steve Martin aí. É, esse Steve Martin, mesmo. E o Martin toca bem, aliás. Tá certo, o Fleck dá um banho em todo mundo ali, mas não é exatamente isso que vocês querem ver desde o começo? Quanto á menção a Yo-Yo Ma no começo do vídeo, conhecer o violoncelista chinês (que na verdade é americano) é o dever de casa de vocês.
“Se Yo-Yo Ma estivesse sentado aqui, você perguntaria a ele ‘e aí, você toca outra coisa, além do violoncelo’?”
Maravilha, não? E é aí que você pensa “e como esse troço fica juntando tudo?”. Eis a resposta. Várias delas, aliás:
Big Country. Bela música.
Scratch and Sniff.
The Sinister Minister, ainda da época do Howard. Meu vídeo preferido pra colocar aqui. Tem o tipo de melodia que não sai da cabeça.
Lover’s Leap. Gostei pra cacete dessa, nunca tinha ouvido. Outra melodia que fica na cabeça.
Tá aí. Um pouco de jazz pra vocês. Minha pesquisa foi um tanto apressada, admito, mas espero que vocês tenham curtido o som.
quinta-feira, 31 de janeiro de 2008 – 
Como vocês já devem ter reparado, cada sonho erótico do théo acaba virando um Overdose por aqui. Foi assim quando ele teve sonhos eróticos com
lançado em 1990. Não que vocês queiram saber disso, ces querem saber é de matança. Pois voltando ao que interessa, o maluco vai pra cadeia depois do incidente, e é quando ele é solto que a piração toda começ… digo, aumenta. Sailor e Lula Pace Fortune (a loira histérica da cena ali em cima, interpretada por Laura Dern) resolvem fugir da mãe psicopata e ditatorial da moça. Parece simples, não? Pois é, só parece. O fato da tal mãe, Marietta Fortune, namorar tanto um detetive particular quanto um gângster começa a embolar um pouco as coisas. Tudo isso recheado de uma porrada de referências a O Mágico de Oz e a Elvis Presley (não só na música e no jeito de Sailor. dá pra ver referências a filmes do Elvis, também). Agora já parece bizarro o suficiente? Espera então até você ver as cenas com o Bobby Peru, ou o show da banda Powermad. Do caralho as cenas. Aliás, o filme todo é do caralho.
“Bobby Peru não para pra pegar ar.”
Cá estou eu, entrando nessa onda de resenhar os bagulhos de 2007 que ainda faltavam. E, bom, já era pra eu ter resenhado esse álbum faz algum tempo. Acontece que eu só consegui ouví-lo semana passada. Agora chega de conversa fiada, vamos á review:
Talvez alguns de vocês se lembrem de 
O filme conta a história de John Dunbar, um oficial do exército da União durante a guerra civil americana. Logo no começo do filme, Dunbar se sente terrível por descobrir que terá que amputar a perna ferida. A idéia de viver sem uma perna mexe tanto com a cabeça do cidadão que ele resolve se suicidar, cavalgando abertamente no meio do fogo cruzado, atraindo os tiros do exército inimigo… mas Dunbar não morre. Inexplicavelmente, o homem escapa de todos os tiros, e acaba, sem querer, empolgando os homens de seu exército, que vencem a tropa confederada e tomam a posição inimiga. Depois da batalha, o cara é visto como um herói, e o cirurgião do próprio general cuida pra que a perna dele fique boa.
comida, peles e por aí vai. É claro que saber que mais homens brancos estão vindo para o forte incomoda bastante tatân… er, Dunbar, que teme um conflito entre os dois bandos, sabendo que os homens brancos estão melhor armados e em maior número. Claro que eu não vou dizer aqui no que isso vai dar. Tiraria toda a graça do filme.
No começo dos anos 50, o cara tocava com algumas bandas em Baton Rouge, capital de Louisiana. Mesmo assim, Buddy Guy nunca tinha saído do estado, quando, em 1957, um amigo seu disse “Ce devia trabalhar em Chicago, negão. Lá ce trabalha de dia, toca de noite e ganha tua grana, véi!”. E, claro, entre ganhar seus 28 dólares por semana trabalhando na Universidade Estadual de Louisiana e ganhar uns 70 por semana, tocar de noite e ainda ter a chance de conhecer nomes famosos como Muddy Waters e Howlin’ Wolf, que é que ce acha que o cara escolheu? Pois é, el… claro que não, sua BICHONA! Porra de faculdade o quê, véi! Ele foi tocar, porra! Ele era Buddy Guy, véi! Tinha o mundo pra conquistar! Eu nem sei por que eu ainda faço perguntas pra vocês. Buddy então se mudou para Chicago, onde arrumou um emprego e começou a tocar em bares, sendo bem aceito pela platéia. O cara era realmente carismático, empolgava a negada fácil fácil. E foi em 1958 que o cara conseguiu um contrato de gravação, numa competição com Magic Sam e Otis Rush. Uma beleza á primeira vista, mas ao contrário do que parece, Buddy não passou bons bocados com as gravadoras.
sons mais voltados pro soul, que tava estourando na época. Ou seja, lascaram legal o cara. Claro que eles não deixaram de aproveitar o cara: Buddy Guy era quem tocava a guitarra de acompanhamento para os grandes mestres do blues da Chess, e era sempre o primeiro nome a ser chamado. Enfim, quem quisesse ver Buddy Guy tocando guitarra de verdade tinha que ver seus shows ao vivo, já que a gravadora não ajudava. E foi assim que sua fama se espalhou pela Inglaterra: Foi no “American Folk Blues Festival”, festival inglês dos anos 60, que Buddy Guy foi ouvido por jovens músicos como Eric Clapton, Jeff Beck e os Rolling Stones. Buddy se espantou com o quanto sua guitarra influenciou os ingleses. O cara pirava o bagulho, jogava a guitarra pra lá e pra cá e levava o povo ao delírio. Mas, como ele próprio disse certo tempo depois, “(…)apesar de eu ter tocado em outro continente, em casa eu ainda não tinha uma gravação minha(…)”. O cara achava que o problema era por ele tocar muito alto ou por usar muito feedback, mas aí Hendrix e Clapton estouraram por aí com os mesmos “truques” dele.
Sempre com o sorrisão na cara, véi.
Pois é. Vou falar sobre blues aqui, mais uma vez. Agora que eu comecei essa bagaça, nada vai me impedir de prosseguir ad infinitum. Da última vez, falamos de 











