‘Amazon should stop selling Holocaust denial books’ or: How I learned to stop worrying and love the bomb

Livros terça-feira, 07 de março de 2017

Dr. Robert Rozett, diretor da biblioteca Yad Vashem (Coleção de textos sobre o Holocausto, em Jerusalém), escreveu uma carta diretamente para o CEO da Amazon pedindo para que livros que negam o Holocausto sejam removidos da loja online. Aqui o link (Não que espero que alguém vá lê-lo). Rozett é autor de alguns livros, niqui você lê sobre essa notícia e se pergunta, o que é pior, o fato de ele odiar livros ou ter zero conhecimento sobre o funcionamento da internet? Esse é um texto sobre livros, censura, internet, pessoas com baixo QI e fotos que caíram na internet.

 Curiosamente (?), esse texto não tem nada a ver com Kubrick.

It has been clear for many years now that Holocaust denial literature is freely available for purchase over Amazon. Many of the items appear with glowing readers’ reviews and recommendations for further reading in the same vein.

Aqui, Rozett não está fazendo uma crítica à Amazon, ele está simplesmente descrevendo como o site funciona. Se você for na página do Crepúsculo você verá gente falando bem e recomendando livros similares, independente do fato do livro não ser mais do que uma fantasia de uma mulher de meia-idade e sua insatisfação sexual devido a sua criação e ambiente conservadores. Divago. Livros desse tipo atraem pessoas que já estão interessadas no assunto. Eu e você (Assumindo que você passaria um teste de sanidade mental) nunca pararíamos para pensar “hm, será que o Holocausto ocorreu mesmo? 6 milhões parece um número muito grande, cadê os fatos?”, porque eu e você tivemos o mínimo de educação que o Brasil está disposto a nos dar e não odiamos judeus.

Mas ele está fazendo uma crítica à Amazon. Ele quer que o site trate esses livros de forma diferente. Até aí você já tinha entendido, você leu o artigo (Digo, o título). Mas por que ele acha que a melhor forma de não chamar atenção para livros sobre negação do Holocausto seria gritando sobre eles?

Open discussion of ideas is certainly essential to pluralistic and democratic systems, but facilitating the spread of such hate-filled ideas is irresponsible, to say the least.

Rozett não argumenta contra os “sistemas democráticos” ou discussões de ideias. Na verdade, ele não argumenta contra nada. Ele admite que a discussão de ideias é essencial para uma sociedade funcional (Leia-se, uma sociedade que não a de 1984, ou de Brave New World, ou dos EUA de 2017-2020 (Ou 2017-2024 se você quiser ser pessimista (Realista(?)))), ele simplesmente afirma que a censura (Essa censura) é mais importante.

 Talvez se a gente fingir que antissemitas não existem eles desapareçam. Tipo quando você se acaba em Itaipava pra fingir que seus problemas não existem.

Em 2013, Beyoncé tentou tirar uma certa foto dela da internet. Dois problemas com isso. Caiu na internet, vai existir pra sempre (Ou até as ogivas caírem, o que acontecer primeiro). Segundo, se você não quiser que alguém olhe pra algo que você fez, por exemplo, derramar ketchup na sua camisa porque você tava com muita pressa pra comer aquele Burger King que você ficou fantasiando o dia todo (Spoiler, a realidade nunca é tão boa quanto a fantasia), a última coisa que você quer é apontar pra mancha de ketchup e gritar “NÃO OLHA PRA ISSO”.

Rozett é diretor de uma das bibliotecas mais importantes do mundo (Não que isso queira dizer muita coisa na “Era da Informação”), ele deve ser inteligente. Certo? Então por que ele está cometendo o mesmo erro que a Beyoncé (Sem ofensa à inteligência dela)? Pessoas normais continuarão a não procurar sobre livros antissemitas e pessoas com inclinação antissemita verão essa notícia e pensarão “a Amazon tem livros sobre a mentira do Holocausto? Obrigado por avisar!” Na mesa do bar a gente chama isso de Streisand effect.

Mas e se a Amazon realmente banisse livros desse tipo? Bem, pra pessoa acessar a Amazon ela precisa de duas coisas, uma conexão com a internet e a habilidade mínima de usar o Google. Um pequeno furo na estratégia de Rozett, jogar “Holocaust is a lie” no Google com a janela de navegação anônima dá menos trabalho do que digitar o número do cartão de crédito na Amazon.

 Conclusão, muito mais gente viu a foto, todo mundo reparou na mancha de ketchup e antissemitas acharam mais um lugar pra masturbação mental.

Se você ainda tá se perguntando porque Rozett fez esse estardalhaço todo pra algo que só vai atrapalhar sua causa, você não tá prestando atenção. É o mesmo motivo que quando é pra investir na educação, o prefeito escolhe passar uma mão de tinta na escola e não aumentar os salários dos professores: escola colorida dá voto, salário de professor ninguém vê. O pessoal que realmente quer censurar esses livros vai ficar feliz com a carta do Rozett. Se ele acha que essa carta vai funcionar ou não, se ele acha que censura é justificável ou não, nada disso importa, porque nada disso é causa, é consequência.

E é por isso que estamos onde estamos. A apatia e interesses secundários do Brave New World permite a censura de 1984, que permite… Bem, você lê as notícias. Lê por Facebook, mas lê mesmo assim.

“You’re gonna have to answer to the Coca-Cola company.”

Aparentemente o Smith tá inspirado. Cê também tem um texto mas não sabe onde publicar? Eu tenho a solução!

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