Pontes Indestrutíveis. Ou não.

Games quarta-feira, 10 de Maio de 2017

Tão ligados nos joguinhos de construir pontes, né? Então, cê tem que construir pontes. E eu sou péssimo construindo pontes.

Como todo mundo, minha primeira experiência foi com o primeiro grande jogo do estilo: Bridge Builder. Naquela época console era coisa de gente rica e internet era discada, o que significava que se você quisesse jogar alguma coisa sem os seus pais abrirem falência cê tinha que comprar uma revista que vinha com um CD.

Felizmente essa desgraça faz parte do passado, mas também é bem verdade que se não fosse por elas eu não teria jogado tanta coisa quanto já joguei, e Bridge Builder tava lá no meio. Tendo sido lançado lá no finalzinho de 2000, o treco era bem básico: Cê tinha que construir a ponte pro trem passar, nada de material diferente, gráficos chiques, jogabilidade divertida e nem nada disso. Bridge Builder era legal porque te dava o mínimo pra você conseguir jogar: Te mostrava que parte da tua ponte era muito frágil e te deixava jogar ad infinitum (Ou seja, até você ficar puto e desligar o computador).

Bridge Builder viria a ter seis continuações, sendo a última de 2013, Bridge Project. Muita coisa mudou entre os dois, e por incrível que pareça eu nunca joguei além do primeiro… Joguei tudo que é jogo do tipo, seja no computador, navegador, celular, videogame, mas nunca mais a série “original”, e na boa? Nenhum ainda bateu Bridge Builder.

É verdade que a gigantesca maioria dos jogos desde então melhoraram em muito a coisa: Novos desafios, novas topografias, materiais diferentes, novas ferramentas pra te mostrar o que está errado, novos veículos, novos tipos de ponte… O jogo era legal porque você tinha que se virar pra fazer a ponte funcionar, não pelo que ele oferecia em mecânicas. O mérito era seu, saca?

A grande maioria dos jogos desde então (E há dezenas) se preocupa demais em fazer demais e esquece que o legal de construir alguma coisa é construir alguma coisa.

Os jogos se preocupam demais em ter gráficos legais e pontes malucas mas te barram na hora de você fazer o que quiser. O desafio de concluir um nível dentro do orçamento está lá, mas o redor é a mesma ladainha que tira a graça de tantos e tantos jogos: Veja este anúncio pra prosseguir. Compre a season pass pra ter acesso à ferramentas essenciais. Dificuldade que se baseia em limitar o que você pode fazer ao invés de tornar o jogo mais desafiador. Mecânicas que são alteradas pra te fazer falhar (Como, por exemplo, subitamente tornar os materiais mais frágeis do que eram antes). É o tipo de coisa que te faz questionar seriamente se quem fez o jogo sabe fazer um jogo. É a fatídica roubalheira.

O mais novo que estou jogando é o Build a Bridge! no Android. Dos que já joguei no celular é o melhorzinho, e ainda assim é recheado de microtransações, anúncios e desafios impossíveis. Tem, literalmente, desafios que você não tem como concluir. E, diga-se de passagem, eu tive problemas de performance, sendo que meu aparelho roda coisa muito mais pesada RYYYYYCA. É o melhor que já joguei nos últimos tempos, mas não quer dizer que é bom.

Como eu disse lá no começo, eu sou ruim nesse tipo de jogo. Era ruim lá em 2000, continuo ruim agora, mas puta que pariu, quando eu tenho vontade de jogar de novo eu sempre acabo voltando prum jogo que já é quase que dimaior. E isso é imperdoável. Ninguém joga mais o primeiro The Sims ou Pokémon Stadium ou Driver 2 [Nota do editor: Driver 2 é uma merda, bom mesmo é o Driver original]. Não é só uma questão de idade, é de evolução: Mecânicas evoluíram, gráficos evoluíram, engines evoluíram. Eu quero ser ruim construindo pontes em 2017. Num jogo de 2017, que tenha sido pensado em 2017. Se eu quisesse a filosofia de 1980 com gráficos legais eu ia derrubar pontes na vida real.

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